É possível escapar do capitalismo?

trabalhadores-rurais2Trabalhar, trabalhar e trabalhar. Uma vida inteira dedicada a isto. No Brasil são, segundo a lei, no máximo 8 horas de trabalho por dia. Mas sabemos que não para por aí. O trabalhador, que quer ganhar mais que um mísero salário mínimo ao final de um mês de esforços, sempre acaba tendo que se dedicar mais. Muitas outras horas extras. O professor, aquele que estudou no mínimo 4 anos e que é base da educação, tem que, em casa, sentar e gastar horas preparando aulas, corrigindo provas e pesquisando perguntas dos alunos e métodos de atrair a atenção de seus pupilos a sua aula.

O trabalhador de chão de fábrica passa 8 horas no trabalho e ainda faz um bico durante o resto do dia, para complementar sua renda e conseguir dar um mínimo de qualidade de vida e conforto a sua família. Enquanto isso o jogador de futebol, treina quase todo dia, joga uma partida 1 a 2 vezes por semana e também tem seu salário. A diferença está que o jogador ganha cerca de 1 milhão de reais por mês! O deputado federal trabalha suas 6 horas por dia, quando vai trabalhar, e ganha por mês cerca de 26 mil reais! Sem contar os auxílios moradia, auxílio terno, auxílio, viagem, plano médico e odontológico; O salário deles não dá para comprar um terno novo, ou pegar um avião para ver a copa no Rio! Triste.

As diferenças sociais são gritantes. E são fruto de um sistema econômico adotado em grande parte do mundo chamado de Capitalismo. Baseado na exploração do capital, este sistema é um grande vilão aos pequenos trabalhadores e produtores. Como Seu José, dono da mercearia ali na esquina, que faz um pãozinho muito gostoso toda manhã, compra e vende as verduras do produtor do mesmo bairro e ainda é bom de conversa, pode concorrer com o Hiper Mercado, que compra tudo em grandes quantidades de outros grandes produtores, consegue um preço bem abaixo dele e para ajudar ainda faz anúncios na TV local?

Buscando amenizar estas diferenças sociais e econômicas, no Brasil e no Mundo, foi criada uma forma paralela ao capitalismo, chamada de Economia Solidária. Bom, em poucas palavras, oque é essa tal de economia solidária? É o nome dado a iniciativas coletivistas, que tem como base princípios democráticos e igualitários, de consumo, comércio e produção. Isso tudo acontecendo dentro da sociedade capitalista. Parece impossível não é?

Mas acontece em todo o mundo e tem funcionado muito bem. Apesar de não ter muita visibilidade, a economia solidária muda a vida de pessoas no Brasil e no mundo todo. Tudo começa, por exemplo, quando uma pessoa sabe trabalhar em uma horta e conhece outra pessoa que pode lhe ajudar. Esta por sua vez conhece outra que sabe cuidar de contas. Juntos estes decidem começar um negócio, uma horta comunitária. Esta horta vai produzir, um vai ajudar o outro na terra e as contas ficam a cargo do outro amigo, que vai vender para os mercadinhos instalados no bairro. Como todos trabalharam e dedicaram horas em comum, mesmo que em cargos diferentes, à horta, eles então dividem igualmente o ‘Lucro’ (na economia solidária é chamado de Sobras) e assim todos ganham o mesmo tanto.

Porem nem tudo vai bem na horta dos 3 amigos. Precisam pintar as cercas e de qual cor? Os 3 então se unem e discutem e a decisão é tomada por eles, juntos, decidindo assim um passo que seu empreendimento solidário (que são chamados de cooperativas), deverá tomar. Este modo de tomada de decisões e administração é chamada de Autogestão, e é um princípio básico da economia solidária que busca a democratização das tomadas de decisão. Agora imagine estas cooperativas trabalhando em grupo. A horta precisa de gente para ajudar na limpeza, chama-se então a cooperativa de limpeza do bairro. Para limpar é preciso sabão, detergente e outros produtos, então isso será comprado de outra cooperativa especializada em materiais de limpeza. A horta venderá aos pequenos comércios locais, garantindo bons preços e também a circulação local do capital. Cria-se então uma rede local, um comércio que irá trazer emprego e renda aos moradores do bairro. Uma rede liga-se a outra e por aí vai.

Este exemplo já é realidade em diversas cidades no Brasil. Em São Carlos as cooperativas populares tem se desenvolvido muito no Jardim Gonzaga, com o auxílio do NuMI-EcoSol (Núcleo Multidisciplinar e Integrado de Estudos, Formação e Intervenção em Economia Solidária) que funciona dentro da UFSCar. Tem gerado trabalho e renda a centenas de pessoas na região do Gonzaga e recentemente até abriram um banco solidário e já lançaram sua Moeda Social, que é uma moeda paralela ao Real, só aceita nos estabelecimentos cadastrados dentro da região, fazendo assim com que o dinheiro circule dentro do bairro.

São muitas as iniciativas como esta em todo o Brasil, e elas vem nos mostrar que sim, é possível escapar, mesmo que for um pouco, do capitalismo e de toda a desigualdade social criada por ele. Tudo começa com a vontade de querer mudar. Temos que mudar nossos hábitos e costumes para tentar criarmos uma sociedade mais igualitária e democrática nas esferas sociais e econômicas. Procure saber um pouco mais sobre a economia solidária, a baixo deixarei alguns links que podem auxiliar na pesquisa, e faça parte você também.

Links:

Wikipedia: Economia Solidária

A economia solidária é uma miragem? – artigo escrito pelo Prof. André Ricardo de Souza

Moeda social é aposta de bairro de São Carlos em desenvolvimento local

 Entrevista – Prof. Paul Singer, sobre economia solidária, publicada na revista Caros Amigos (2005)

Filipe Baldin

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