50 anos de “Samba Esquema Novo”

la28-jorge-ben-samba-esquema-novoNo ano de 1963 a música brasileira mudou, no auge da Bossa Nova, um ano depois do bicampeonato mundial de futebol, o primeiro hit dos Beatles,  surgiu um violonista com pegada de samba nos acordes e suas músicas abordavam o cotidiano  da malandragem da população do país. “Mas que nada/Sai da minha frente/Que eu quero passar”, assim pediu passagem  Jorge Ben na primeira faixa do disco “Samba Esquema Novo”, que neste ano completa cinco décadas.

Unanimidade entre os críticos da área musical, o álbum fez enorme sucesso e projetou o jovem carioca de Madureira que antes de dedilhar no violão tinha um sonho, muito além de músico, de ser jogador de futebol, por isso percebe-se a sonoridade alegre e ritmos táticos, assim como a influência de contar o cotidiano, Jorge Ben driblou a tradição ainda enraizada no ramo da música brasileira e fincou a bandeira da canção afrobrasileira. Peitou a Bossa, foi até o morro e introduziu o samba na construção de “Samba Esquema Novo”, fazendo a miscigenação  de arranjos de modo a construir uma identidade na música brasileira.

Devido ao álbum atemporal, músicas como “Chove Chuva”, “Por Causa de Você, Menina”, “Balança Pema”  e a já citada “Mas Que Nada” passaram por gerações e influenciaram bandas e cantores nas cinco décadas de história de discografia nacional. Jorge Ben modelou a estética das melodias e colocou as diversas situações do povo brasileiro em suas canções, tendo como marco revolucionar a música brasileira. “Samba Esquema Novo” é novo porque previu que suas faixas transformariam os ramos musicais, esquematizando o samba somente nos acordes do violão.

Em época de pouca letra de crítica e opinião para os ouvidos popular, as letras de Jorge Ben continuam a vibrar os tímpanos com sua experiência musical, anos depois Ben lançaria três dos melhores álbuns de sua carreira “A Tábua de Esmeralda” (1974), “África Brasil” (1976) e “A Banda do Zé Pretinho” (1978), consagrando seu talento e construindo um compositor com letras de protesto à desigualdade social e política, vide “Charles Anjo 45” o Robin Hood do morro, e contra o preconceito étnico mergulhando em uma revisita à história do afrodescendente no Brasil, como as belas canções “Zumbi” e “Xica da Silva”. Outro aspectos são as canções que abordam o cotidiano da população, apontando as traições, as rodas de sambas, o carnaval, o malandro do morro e, principalmente, o esporte que é paixão nacional: o futebol.

Jorge Ben mudou a cabeça das pessoas com temperamentos sórdidos e reformulou um ritmo que reproduz até hoje no cantarolar dos brasileiros e gringos. Atual por suas letras e ritmos “Samba Esquema Novo” comporta um apreciado momento de nossa música, bem como introduziu um jovem violonista na posição de um dos maiores músicos em gerações, ou na simpatia do Jorge que pede para “só sambar, é só sambar, amor”.

Samba Esquema Novo, 1963

Músicas:

01 – Mas que nada

02 – Tim dom dom *

03 – Balança pema

04 – Vem morena, vem

05 – Chove chuva

06 – É só sambar

07 – Rosa, menina rosa

08 – Quero esquecer voce

09 – Ualá ualalá

10 – A tamba

11 – Menina bonita não chora

12 – Por causa de voce, menina

 Todas as músicas são de autoria de Jorge Ben, exceto “Tim dom dom”, de João Mello e Clodoaldo Brito.

Jorge Filholini

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