O Lobo de Wall Street: o tapa na cara do espectador

O Lobo de Wall Street. Foto: Divulgação.

O Lobo de Wall Street. Foto: Divulgação.

O filme O Lobo de Wall Street é até agora, na minha modésta opinião, a melhor parceria Scorsese e DiCaprio, com cinco filmes no currículo – começou em Gangues de Nova York, de 2002 – os dois concretizam neste atual a sintonia perfeita de atuação e direção.

Conquistar dinheiro vendendo ilusões financeiras é o mote desta nova película. Baseado na história real de Jordan Belfort (DiCaprio) – sim, ele existe –, um jovem ambicioso que tem como princípio ser o melhor corretor financeiro de Wall Street, mesmo que o objetivo seja extrair dinheiro de forma ilegal. Na obra, assistimos a ascensão e queda do homem que almejava riqueza de modo fácil, como o mesmo se apresenta no início relatando a sua semana de ostentação e gasto financeiro com drogas, festas, prostitutas e carros; até o FBI ficar preocupado com o ganho absurdo e rápido de Belfort, iniciando a investigação que culminou com a prisão do corretor.

Scorsese molda o homem capitalista estadunidense no constante desejo de faturar dinheiro para conquistar prestígio e poder. As três horas de duração do filme passam rápidas em um ritmo frenético do personagem na construção do seu conglomerado ilegal.

Leonardo DiCaprio em cena do filme.

Leonardo DiCaprio.

DiCaprio está mais que à vontade interpretando Jordan Belfort, ele se mostra seguro na pele do corretor com merecida indicação ao Oscar na categoria Melhor Ator. DiCaprio incorporando Belfort sorri ironicamente para o público ao mostrar toda a ilegalidade e canastrice que elaborou para chegar a seu império. Ensina o espectador cada passo de seu lucro e exibe sua ostentação sem nenhum pudor. Muitos ficarão chocados com a extravagância do personagem, mas é o que Scorsese prioriza nesta obra, um ensaio do homem contemporâneo na sua inclusão no capitalismo selvagem.

Cena do filme.

Cena do filme O Lobo de Wall Street.

O Lobo de Wall Street rasga os valores e dá tapas na cara de uma sociedade que esconde o submundo do lucro financeiro na famosa rua em que os dólares rolam soltos. Não assista ao filme esperando encontrar lição de moral e mensagens positivas, a fita é uma declaração do mau senso que alavancou a ganância bolsista dos americanos no individualismo de garantir riqueza pisando em cabeças e enchendo a lixeira com dólares.

Completamente devasso, O Lobo de Wall Street é importante para o cinema, sendo corajoso em explorar um tema muitas vezes ignorado pelos estúdios, recordo somente de um filme que certamente destacou a concupiscência dos corretores americanos, no clássico filme de Oliver Stone Wall Street: Poder e Cobiça, de 1987.

Scorsese, diretor consagrado com obras brilhantes no cinema como Taxi DriverOs Bons CompanheirosCassinoOs Infiltrados, continua ousado em retratar a face oculta da sociedade e O Lobo de Wall Street é sessão obrigatória para os fãs da parceria do diretor com DiCaprio em sua melhor atuação até agora.

Leonardo DiCaprio.

O Lobo de Wall Street.

O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

Ano: 2013
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Terence Winter
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie

Jorge Filholini

Um comentário sobre “O Lobo de Wall Street: o tapa na cara do espectador

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