O Cinema Novo na Mesa do Ditador

Documento divulgado por  Elio Gaspari

Documento divulgado por Elio Gaspari

O site Arquivos da Ditadura divulgou nesta segunda-feira (27) um documento elaborado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) listando nove nomes de diretores consagrados do cinema brasileiro que, segundo denúncias do governo militar, tinham relações com a esquerda. Este é só mais um caso de figuras culturais na tentativa de combater a repressão militar  que impediu a propagação da arte pelo país.

Reunido e divulgado pelo jornalista Elio Gaspari, que administra o site, a denúncia intitulada “As tensas relações entre a ditadura e o Cinema Novo” destaca também o motivo da demissão de Celso Amorim, atual ministro da Defesa, do comando da Embrafilme, empresa estatal de cinema que distribuiu, em 1982, o filme “Pra Frente, Brasil”, de Roberto Farias, cujo enredo retratava as torturas e repressões da Ditadura Militar (1964-1985), deixando o então presidente João Figueiredo muito incomodado.

Protocolado na data de 05 de abril de 1982, o documento lista nove nomes de diretores e funcionários da área cinematográfica como Joaquim Pedro de Andrade (Macunaíma), Carlos Diegues (Bye Bye Brasil), Nelson Pereira dos Santos (Rio 40 Graus e Vidas Secas), Arnaldo Jabor (Toda Nudez Será Castigada), Paulo César Saraceni (O Desafio), David Neves (Memórias de Helena), Luiz Carlos Barretos (Deus e o Diabo na Terra do Sol), Eduardo Escorel (Ato de Violência) e Leon Hirszman (São Bernardo).

A importância da divulgação deste e de outros documentos é de denunciar a censura que a Ditadura Militar propagou nos diversos segmentos culturais no país, comprovando a falta de liberdade que ocorria na época.

Pôster do filme "Pra Frene, Brasil", de 1982

Pôster do filme “Pra Frente, Brasil”, de 1982

Outro fato da repressão militar na área cinematográfica foi com o documentário “Cabra Marcado Para Morrer”, dirigido por Eduardo Coutinho. O documentário teve início no ano de 1964, mas foi interrompido durante a instauração da Ditadura Militar devido acusações de envolvimento da equipe de filmagem com o comunismo, fato comprovado no mesmo documentário como sendo falso. Retomado 17 anos depois, a obra-prima de Coutinho é o  retrato da difícil jornada que os diretores brasileiros tiveram que percorrer para retratar o contexto do governo militar.

O NOVO CINEMA

Anos depois do ocorrido com Celso Amorim e os diretores listados, assim como pós-Ditadura Militar, o cinema nacional retratou o período sombrio com excelentes filmes, de modo a repaginar  e pluralizar a elaboração de enredos que denunciam as chagas ocultas deixadas pelo governo Militar.

Filmes que, além de “Pra Frente, Brasil”, foram ousados ao retratar a repressão com relatos críticos de torturados  e de pessoas simpatizantes contra o regime ditatorial. Neste tema listei recentes grandes filmes que fornecem um olhar aprofundado, como em “O Que é Isso Companheiro?” (1997), “Cabra Cega” (2005), “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” (2006), “Ação Entre Amigos” (1998), “Batismo de Sangue (2007), “Zuzu Angel”  (2006).

Jorge Filholini

3 comentários sobre “O Cinema Novo na Mesa do Ditador

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