Désiré Charnay e a primeira expedição fotográfica na América Central

Pirâmide Kukulkan, em Chichén Itzá (a primeira fotografia desta pirâmide na história). Désiré Charnay, 1860.

Pirâmide Kukulkan, em Chichén Itzá (a primeira fotografia desta pirâmide na história). Désiré Charnay, 1860.

The inner walls were covered with plaster of a finer description, and in corners where there had been less exposure were the remains of colours; no doubt the whole interior had been ornamented with paintings. It gave a strange sensation to walk the floor of that roofless palace, and think of that king who left it at the head of seventy thousand men to repel the invaders of his empire.

Foi inspirado por estas descrições de John Lloyd Stephens, em seu livro Incidents of Travel in Central America, Chiapas and Yucatan, e pelas gravuras do desenhista e companheiro de Stephens, Frederick Catherwood, que Désiré Charnay decidiu partir na primeira expedição fotográfica para registrar as ruínas das civilizações ameríndias primitivas – na América Central.

Désiré Charnay.

Désiré Charnay.

Charnay, um explorador e arqueólogo francês, tinha 29 anos quando chegou ao México pela primeira vez, em 1857. Sua expedição era financiada pelo governo francês que visava, entre outras coisas, enriquecer ainda mais a – já vasta naquela época – coleção de artefatos ameríndios do Louvre e, por conseguinte, mostra-los ao público na Feira Mundial de Paris, em 1867. No entanto, sua primeira tentativa teve de ser interrompida por conta da Guerra da Reforma, um conflito civil que assolava o México naquele ano – apesar de as explorações por vezes se estenderem também por Honduras, Guatemala, El Salvador e Belize, à época, o México era uma das únicas portas de entrada de estrangeiros da região.

Dois anos depois, em 1859, Charnay retornou ao país para dar continuidade a seu trabalho. Com um primitivo equipamento fotográfico que pesava quase duas toneladas e uma caravana de 45 carregadores e animais para auxiliar o transporte dos expedicionários, o arqueólogo percorreu o sudeste do México, capturando imagens espetaculares de ruínas outrora somente conhecidas através de gravuras ou de longas descrições em números científicos daquela época.

Palácio de Nonnes. Desiré Charnay, 1859.

Palácio de Nonnes. Desiré Charnay, 1859.

Uxmal, Chincén Itzá, Palenque e Mitla surgiam agora em fotografias que revelavam em detalhes a arquitetura e a magnitude dos povos ancestrais que lá viveram. As imagens e os relatos da expedição foram publicados quatro anos depois, em 1863, no livro Cités et ruines americaines. Charnay voltaria à América Central inúmeras vezes e, num desses retornos, revelou ao mundo a cidade de Comalcalco, que até então não havia sido encontrada por nenhum outro explorador. Sua última viagem ao continente foi em 1886, para a península de Yucatán, que deu origem ao livro Ma derniére expedition au Yucatan – uma descrição que percorre a península de norte a sul.

Foi também através dessas viagens que Charnay postulou e expôs em seus livros a teoria da origem asiática dos povos americanos, que tiveram e têm uma grande força nos estudos sobre as origens dos povos ao redor do globo. O arqueólogo ainda viajaria para Madagascar, América do Sul, Indonésia e Austrália, sempre registrando fotograficamente as populações nativas, antes de falecer em outubro de 1915.

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Vinicius de Andrade

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