60 anos sem Robert Capa, o fotógrafo das guerras

Robert Capa durante o conflito do Dia D, na Segunda Guerra Muncial

Robert Capa durante o conflito do Dia D, na Segunda Guerra Mundial

O que você prefere? Os registros fotográficos do desembarque das tropas Aliadas em Normandia, na França, no simbólico e decisivo Dia D, no ano de 1944 ou a imagem icônica de um soldado miliciano clicada no momento exato de sua morte a tiros, talvez desfrute de um momento extrovertido junto com o artista Pablo Picasso em fotos que podem ser comparadas com uma obra de arte. Estes fatos históricos foram registrados pela lente da máquina fotográfica de Robert Capa, que em 2014 completam-se 60 anos de seu falecimento, ocorrido prematuramente em outra de sua jornada pelo conturbado período de guerras por pisar em uma mina terrestre durante um conflito na Indochina.

Mestre das fotografias em preto e branco, Capa nasceu em Budapeste, na Hungria, no ano de 1913, registrado com o nome Endre Ernő Friedmann, a célebre nomeação por Robert Capa surge somente em circunstância  de sua primeira namorada, a também reconhecida fotógrafa e revolucionária alemã Gerda Taro, para familiarizá-lo com os costumes dos E.U.A, país para onde Capa se exilou quando a Segunda Guerra Mundial começou. No entanto, o nome Robert Capa serviu como seu pseudônimo em trabalhos fotográficos para a revista LIFE. Seu primeiro trabalho como fotógrafo foi em 1932, tendo a responsabilidade de registrar a palestra proferida pelo intelectual e idealizador político, Leon Trótski, na famosa Conferência de Copenhaque.

Com uma vida cosmopolita, Capa se tornou o principal fotojornalista do período de guerras que estourou no mundo na metade do século passado. Capturou diversas imagens que marcaram o imaginário da geração, assim como se tornaram símbolos da área jornalística. Em seu currículo, Capa cobriu a guerra civil espanhola, árabe-israelense, a Segunda Guerra Mundial e o conflito na Indochina, onde acabou falecendo.

"O Soldado Caindo", de 1936

“O Soldado Caindo”, de 1936

Espectador direto desses combates, Capa empunhando somente sua máquina fotográfica registrou, em mais de 70 mil negativos, a realidade do homem contra o próprio homem em sangrentas batalhas. Capa foi engajado sobre as precárias situações da humanidade nas guerras, denunciando em suas fotos os fatídicos conflitos bélicos planejados por governantes que não tinham outra solução a não ser tratar as questões patrióticas utilizando tecnologia armada.

O marco de sua cobertura como fotojornalista de guerra foi no emblemático desembarque das tropas Aliadas na praia da Normandia durante a Segunda Guerra Mundial. Capa foi junto com os soldados em um dos mais de 600 barcos rumo à costa, ele registrou imagens marcantes de um fato fundamental para a libertação da Europa do comando da Alemanha Nazista. Capa fotografou o desembarque dos soldados e os flagrou em meio a chuvas de tiros do exército alemão.

As fotos da batalha ilustraram as páginas da revista LIFE, o que já tornou Capa um dos maiores fotógrafos de guerra de sua geração, posteriormente sendo referência na área. Um fato curioso sobre a importância das fotos de Capa na Batalha de Normandia foi decorrente ao filme “O Resgate do Soldado Ryan”, de 1998, dirigido por Steven Spielberg, a equipe de produção utilizou os registros de Capa para montar os cenários da cena de abertura da obra cinematográfica, que representou o desembarque dos Aliados na costa francesa.

Desembarque da Tropa Aliada em Normandia no ano de 1944

Desembarque da Tropa Aliada em Normandia no ano de 1944

Foi na Guerra Civil Espanhola que Capa registrou sua famosa fotografia. Em “O Soldado Caindo”, Capa fotografou o momento certo de um soldado miliciano sendo alvejado a tiros durante um conflito em 1936, a imagem tornou-se o marco de sua genialidade, mesmo ainda sendo um período inicial de sua carreira. Anos depois de sua morte, alguns especialistas da área questionaram a autenticidade da foto, apontando como sendo uma montagem. Porém, este será um mistério que nunca terá uma solução concreta.

REGISTRANDO OUTRAS HISTÓRIAS

O artista Pablo Picasso

O artista Pablo Picasso e filho

Além de fotografias de guerras, Capa também clicou as diversas celebridades, figuras públicas e artistas de sua geração. Fotos em momentos casuais e informais, como a do artista Pablo Picasso em um fim de semana com a família, o escritor e jornalista Truman Capote no momento amigável com seu gato, a atriz Ava Gardner minutos antes de se apresentar, o roteirista, diretor e ator Orson Welles em serviço como locutor de rádio, o carrancudo Humphrey Bogart fumando seu cigarro em uma imagem totalmente noir, o artista Henri Matisse em seu ateliê e o escritor Ernest Hemingway em uma de suas tantas caçadas. Estas e outras fotos de Robert Capa podem ser conferidas no site Collection of the International Center of Photography, de Nova York.

Robert Capa é considerado um dos melhores fotógrafos que surgiu, acompanhou uma época conturbada da história mundial contribuindo com a sua profissão nos registros marcantes de guerras que impactaram a sociedade, deste modo, possibilitou a partir de suas fotos a reflexão sobre as péssimas soluções das nações na iniciação dos conflitos bélicos, dizimando vidas e conturbando a mente. Chagas históricas marcadas com os cliques de Capa para eternizar e formar uma consciência de que a guerra só fornece a dor em preto e branco.

Jorge Filholini

3 comentários sobre “60 anos sem Robert Capa, o fotógrafo das guerras

  1. Pingback: Robert Capa e suas fotos para a eternidade | Alberto de Sampaio

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