Exposição em Araraquara conta a história do Caminho Inca

“Qhapaq Ñan: o grande caminho Inca”

“Qhapaq Ñan: o grande caminho Inca”

Está em exposição, em Araraquara-SP, a mostra “Qhapaq Ñan: o grande Caminho Inca”. A mostra itinerante é uma realização da prefeitura da cidade e da Secretaria de Estado da Cultura, através do Sistema Estadual de Museus (SISEM), em parceria com o Museu da Imigração, do Consulado Geral do Peru em São Paulo. A exposição está sendo realizada no Teatro Municipal de Araraquara e vai até o dia 6 de abril. A entrada é gratuita.

O Caminho Inca é uma famosa rota pré-hispânica que une a cidade peruana de Cuzco ao sítio arqueológico de Machu Picchu. O caminho, apesar de muito conhecido e procurado, principalmente pelos mochileiros que saem todos os anos em direção à cidade perdida Inca, é apenas uma pequena parte do grande sistema de vias do império incaico no Peru, o Qhapaq Ñan. Ao todo, o complexo sistema vias pode atingir mais de 9 mil quilômetros de extensão, chegando a países como Equador, Colômbia, Chile e Argentina.

A mostra expõe, através das cerca de 80 fotos e cerâmicas tradicionais peruanas e incaicas, a história e a importância do trajeto para a civilização Inca e também durante o processo de colonização espanhola. A rota foi utilizada por tropas e desbravadores espanhóis para colonizar não só o Peru, mas também – e principalmente – o Chile e a Argentina.

História

O complexo sistema de rotas criado pelos Incas ligava praticamente toda a América do Sul – conhecida por aquela civilização – a Cuzco, que em quéchua significa “Umbigo do Mundo”. O trecho mais famoso, conhecido como Caminho Inca, atualmente se inicia no km 82 da ferrovia Cuzco/Quillabamba, atravessando as montanhas pela margem esquerda do rio Urubamba para, só então, chegar à Machu Picchu.

Mostra “Qhapaq Ñan: O grande caminho Inca”.

Mostra “Qhapaq Ñan: O grande caminho Inca”.

No império Inca, carregadores que se utilizavam daquele caminho poderiam levar de 4 a 5 dias para completar o trajeto – e, hoje em dia, mochileiros e aventureiros percorrem o caminho ainda da mesma maneira – e mascavam a folha da coca, para não sofrerem do Soroche, ou o mal da montanha. São cerca de 42km em meio as montanhas peruanas, que podem chegar a uma altitude máxima de mais de 4200 metros apenas neste trecho.

Atualmente existem pelo menos quatro sítios arqueológicos incaicos neste trecho do caminho. O primeiro deles Runkuraqay (“pilha de ruínas”) e está a 3850 metros de altitude. Por conta da sua localização e da maneira com a qual seus compartimentos foram dispostos, acredita-se que as ruínas eram um tipo de posto para os viajantes que passavam por ali, conhecidos como tambos. Havia dormitórios e estábulos para os animais.

Sayacmarka, também chamada de Cedrobamba (“planície dos cedros”), é uma cidadela que abriga construções complexas, medida necessária para que elas pudessem resistir e se adaptar às irregularidades da montanha. O conjunto das construções domina a visão do vale do rio Aobamba e é lá que podem ser vistos os famosos aquedutos incaicos, que levavam água para o local.

Mostra “Qhapaq Ñan: O grande caminho Inca”.

Mostra “Qhapaq Ñan: O grande caminho Inca”.

Puyupatamarka (“lugar sobre as nuvens”) fica a cerca de 3600 metros acima do nível do mar e, como se pode imaginar, recebeu esse nome por comumente estar coberto de nuvens. Devido à localização das ruínas, de onde há uma visão extensa do território, o local era usado como um núcleo administrativo do império.

Wynaywayña (“jovem para sempre”) recebeu este nome devido a uma orquídea comumente encontrada no local, que também recebia o mesmo nome em quéchua – o nome científico da planta é Epidendrum Secundum. No sítio, há uma série de construções, com destaque para uma espécie de torre construída com pedras trabalhadas. Há também uma série de 10 fontes rituais, paredes ao redor do precipício (conhecidas como construções do tipo pirka) e também o Intipata (“lugar do sol”), que consiste em uma série de terraços artificiais utilizados para a agricultura.

Serviço

Exposição “Qhapaq Ñan: o grande Caminho Inca”

Local: Teatro Municipal de Araraquara (Av. Bento de Abreu, s/nº – Fonte Luminosa)

Período: até o dia 6 de abril

Visitação: de segunda a sexta-feira, das 8 às 11h30 e das 13 às 17 horas

Informações: (16) 3335-5183 ou no site da Prefeitura de Araraquara

Vinicius de Andrade

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