Clássico da literatura infanto-juvenil, “O Escaravelho do Diabo” terá adaptação para o cinema

Cartaz do filme O Escaravelho do Diabo. Img: Divulgação.

Cartaz do filme O Escaravelho do Diabo. Img: Divulgação.

O Escaravelho do Diabo, clássico da literatura infanto-juvenil brasileira ganhará as telas do cinema nacional. Com adaptação e direção de Carlo Milani, a obra de Lúcia Machado de Almeida sairá das páginas dos livros e da memória de muitos adultos que tiveram sua infância encantada pela série Vaga-Lume, da Ática, e irá para as telonas ainda este ano.

Segundo o site oficial do filme, a adaptação “preservará o charme da época. No entanto, trará as investigações e a narrativa do romance para os tempos atuais, aproximando-se da realidade dos jovens de hoje e incrementando a trama do livro”. Tudo indica que o filme, assim como o livro, será voltado para o público infanto-juvenil. Carlo Milani, responsável pela adaptação e direção, tem no currículo a direção de Tempos Modernos, Casos e Acasos, América e Malhação, que é exclusivamente voltada para este tipo de público. No entanto, o filme também pode despertar o interesse do público adulto que teve contato com a obra durante sua infância, uma vez que O Escaravelho do Diabo foi lançado pela primeira vez na coleção em 1972 (o título foi publicado originalmente em formato de folhetim na revista O Cruzeiro), “despertando o interesse de toda a família”.

Ainda na página oficial do filme, existe a informação de que a adaptação vem sendo desenvolvida e filmada desde 2010 e que a previsão inicial de lançamento era para 2012. Segundo o site Filmow, a estreia agora está marcada para 2014. Como se pode ver, um atraso de pelo menos 2 anos no cronograma. Resta aguardar e torcer para que a adaptação não sofra com mais atrasos e ganhe as telas ainda este ano. A realização é da Globo Filmes.

Outras obras da série, como O Mistério do Cinco Estrelas (1981), O Rapto do Garoto de Ouro (1982) e Um Cadáver Ouve Rádio (1983), todos de Marcos Rey, tiveram seus direitos adquiridos pela produtora RT Features e também serão adaptados para o cinema. A previsão inicial de estreia é julho de 2014.

A série Vaga-Lume

Capa da 13ª Edição, de 1987.

Capa da 13ª Edição, de 1987.

Lançada pela editora Ática a partir de 1972, foi uma das responsáveis pela consolidação da editora no mercado literário brasileiro. Hoje a coleção conta com 68 livros e ainda é adotada por inúmeras escolas de ensino fundamental e médio no país.

O Escaravelho do Diabo, em especial, foi selecionado pelo MEC para integrar o Programa de Bibliotecas da Escola, devido à qualidade da trama e o interesse que promove no público jovem e infantil, principalmente no público pré-adolescente (entre 11 e 14 anos de idade) que frequenta do sexto ao nono ano do ensino fundamental.

A autora do livro, Lúcia Machado de Almeida, que faleceu em 2005, era admirada não só pelos mais de 2 milhões de leitores de sua obra infanto-juvenil mais famosa, mas também por grandes nomes da literatura brasileira. Para o escritor Carlos Drummond de Andrade, “Lúcia Machado de Almeida conta história do jeito mais natural (quer dizer, mais artisticamente natural), de sorte que o leitor infantil não se sente intimidado com a pressão de uma inteligência adulta a querer estabelecer uma falsa intimidade com o espírito infantil. Dir-se-ia que a própria Lúcia tira prazer de seus contos e se diverte com eles como se fosse uma leitora pequena. Em suas histórias combinam-se a poesia e a realidade, o cotidiano e o fantástico”.

Rubem Braga, em ocasião do lançamento da obra Passeio a Diamantina, afirmou que “Em casa mesmo a gente viaja pelas ruas e pelos séculos de Diamantina com tanta doçura e gosto que passa a entender e amar ainda mais aquele mundo que visitamos pela primeira vez pela mão da menina Helena Morley”.

Ainda em reconhecimento pelo se trabalho (que incluem, além dos livros infanto-juvenis, obras sobre o Ciclo do Ouro mineiro e a tradução das obras de autores como Honoré de Balzac, Bernard Hollowood e Astrid Lundgreen) a autora recebeu: a Medalha de Ouro, na Bienal do Livro de São Paulo; o Prêmio Othon Bezerra de Mello, da Academia Mineira de Letras; o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro; Prêmio Fundação Cultural de Brasília; Condecoração Stella dela Solidarietá (medalha de mérito cultural concedida pelo Governo Italiano); Diplôme D’Honneur, da Aliança Francesa; e a Medalha de Chevalier de Arts des Lettres, do Governo Francês.

Para finalizar, deixamos o poema que Cecília Meireles escreveu em homenagem à autora de O Escaravelho do Diabo:

“Lúcia-azul –

vamos despir os santos,

vamos beijar a Virgem Maria

[Chinesa,

Lúcia-azul –

vamos chupar jabuticabas

– azuis, azuis, azuis –

com os profetas e o coveiro?

Eu quero ver seu rosto azul atrás da gelosia da “jalousie”

tão árabe, tão azul, tão Lúcia…

vamos buscar os pratos azuis,

Lúcia-azul –

e vamos por estas ruas gritando:

quem tem mão de santo?

Nós queremos mão de santo,

dedo de santo,

nós queremos santos!

Vamos colar as mãos dos santos,

Lúcia-azul –

sentar o Menino-Jesus em livros,

pedir à Senhora do Ó que tenha

 {muitos meninos iguais,

todos de mãos inquebráveis,

e depois voaremos para o céu

 ou para o mar,

azuis, azuis, azuis,

como as janelas do Senhor

 [Intendente,

azuis, Lúcia, como o seu perfil,

 [entre as nuvens,

tudo azul, cerúleo, anil,…”

 

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