Os 51 anos de Quentin Tarantino

Quentin Tarantino

Quentin Tarantino

Nesta última quinta-feira (27) o diretor Quentin Tarantino completou 51 anos. Tarantino inovou o cinema atual satirizando a violência e colocando pitadas de cultura pop. Mestre dos enredos polêmicos, mortes inesperadas e diálogos icônicos, o cineasta forneceu obras recheadas de referências e transformou a estética da sétima arte.

Diretor e roteirista, Tarantino iniciou a carreira em “Cães de Aluguel”, com a brilhante introdução – marca registrada do diretor – em que o bando toma café da manhã antes do grande assalto, tendo como discussão se paga ou não a gorjeta para a garçonete.

Desenvolvido na maior parte em um galpão, marcado pelo bando para o encontro após o roubo – que falhou -, a trama envolve o temperamento de cada um, as reações em torno do que fazer com a mercadoria roubada e até mesmo com um policial capturado por um dos ladrões. Bom, nisso Mr. Blonde (Michael Madsen) soube solucionar. A cena da tortura do policial é ponto alto do filme, que fez muito barulho em seu lançamento no Festival de Sundance e ao mesmo tempo colocou Tarantino em evidência.

Cena de "Cães de Aluguel"

Cena de “Cães de Aluguel”

Depois do sucesso de “Cães de Aluguel”, Tarantino meteu o pé no portão de Hollywood, além de conseguir o respeito da Academia Cinematográfica, com o clássico “Pulp Fiction”, de 1994. Indicado ao Oscar em sete categorias, Tarantino conquistou o prêmio de Melhor Roteiro Original. Falando nisso, original é o que o filme mais tinha naquele ano, deste a edição que não segue uma cronologia, até os diálogos que se tornaram atemporais. Lembro-me da hilária conversa entre John Travolta e Samuel L. Jackson sobre o McDonald’s e da famosa dança entre Uma Thurman e o mesmo Travolta no Jack Rabbit Slim’s, ao som de Chuck Berry. Outra sequência marcante é a presença de Harvey Keitel como o “limpador”, em que sumia com todas as evidências da desastrosa morte no carro de Vincent Vega e Jules Winnfield. São inúmeras as sequências marcantes deste clássico, bem como os personagens. Esta cultura pop introduzida minuciosamente por Tarantino moldou a geração que acompanhou seu trabalho

Cena de "Pulp Fiction"

Cena de “Pulp Fiction”

Com o respeito que merece, Tarantino fez uma homenagem aos filmes policiais com personagens femininas, “Jackie Brown” tem à frente a competente interpretação de Pam Grier, atriz de que estrelou durante os anos de 1970 filmes do gênero blaxploitation, tendo como temática os filmes com diretores e atores afro-americanos, os sucessos foram “Shaft” e “Foxy Brown”. A crítica avaliou positivamente “Jackie Brown”, tendo Tarantino no comando de atores consagrados, como Robert De Niro e Michael Keaton. Destaque para a reviravolta da trama que se tornou fundamental nos roteiros de Tarantino.

Cena de "Jackie Brown"

Cena de “Jackie Brown”

Fã assumido da cultura cinematográfica oriental, principalmente dos filmes de artes marciais dos anos de 1960 e 1970, Tarantino foi audacioso ao retratar a saga vingativa de uma assassina profissional traída pelo noivo e supostamente morta no dia de seu casamento pelo bando de criminosos em que fazia parte. A trama de “Kill Bill” foi dividida em dois volumes e mostrou um Tarantino seguro na direção, retratando diversas sequências marcantes, tendo como pano de fundo cenário de tons fortes e com jorros de sangue por toda parte.

O filme deixou como lembrança uma das últimas atuações de David Carradine (1936-2009), que imortalizou o personagem de Bill. O meu preferido será sempre o Volume II, por ser a parte mais humana da saga de Beatrix Kiddo, a sequência final é digna de reconhecimento e mostra a originalidade de Tarantino na elaboração de diálogos e ações.

Cena de "Kill Bill - Vol II"

Cena de “Kill Bill – Vol II”

Em 2009, a considerada obra-prima do diretor, confirmação também dita por Aldo Raine, personagem de Brad Pitt, no final do filme, “Bastardos Inglórios” é a releitura de Tarantino sobre a Segunda Guerra Mundial. Inúmeras sequências geniais, principalmente quando está presente o personagem do Coronel Hans Landa, interpretado pelo brilhante Christoph Waltz (vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante pela atuação no filme). “Bastardos Inglórios” havia sido escrito em 1998, mas Tarantino resolveu colocar na gaveta, devido a falta de criatividade para o desfecho. Fez com que pensasse muito, já que o final de “Bastardos Inglórios” é fenomenal.

Todo o elenco está brilhante, tendo sempre à frente a persona de Waltz, que fincou seu nome no cinema mundial a partir deste filme – ele futuramente venceria mais um Oscar na mesma categoria por “Django Livre”. A sequência do pub é marcada pela genialidade de Tarantino no enquadramento e diálogos, assim como do clímax todo filmado dentro do cinema em Paris cheio de nazistas – quem já assistiu sabe da genial releitura daquele período que Tarantino elaborou. “Bastardos Inglórios” mexe com o satírico sem cair no clichê e fornece um dos melhores trabalhos de Tarantino.

Cena de "Bastardos Inglórios"

Cena de “Bastardos Inglórios”

“Django Livre” encerra, por enquanto, a empreitada de Tarantino. Mescla de faroeste com crítica ao preconceito racial, o filme tornou-se a maior bilheteria da carreira do diretor, laureando-o novamente com o Oscar de Melhor Roteiro Original. Escravo liberto, Django (interpretado por Jamie Foxx) juntamente com o caçador de recompensas, vivido por Cristoph Waltz, percorre o Oeste americano em busca de sua esposa, descobrindo estar na propriedade do fazendeiro Calvin Candie, brilhantemente interpretado por Leonardo DiCaprio.

Tarantino abordou a crueldade à população afro-americana durante a escravidão no sul dos EUA anos antes de estourar a Guerra de Secessão, explorando a violência e a tortura elaborada pelos fazendeiros e capangas. Tarantino não perde o senso satírico e constrói uma das melhores cenas do filme, em que mostra a ignorância dos membros da Ku Klux Klan, genial crítica. A temática elaborada por Tarantino é transformar a história de herói e bandido a seu modo, tendo como herói um afrodescendente acertando as contas com a História do país, além de transmitir uma crítica à desigualdade e preconceito racial ainda evidenciado no cotidiano estadunidense.

Cena de "Django Livre"

Cena de “Django Livre”

Quentin Tarantino sempre surpreendeu seu público com filmes que fornecem debates e criam influências para as novas gerações. Participando de todos os processos de produção, principalmente a trilha sonora de todas as suas obras, que faz parecer um personagem na trama. Tarantino, um amante incondicional da sétima arte, inovou a estética do cinema e com genialidade construiu seu nome entre os diretores e roteiristas mais influentes desta geração.

jorge-filholini2

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