Primeiro álbum de Adoniran Barbosa completa 40 anos

Capa do disco de 1974

Capa do disco de 1974

“Minha maloca, a mais linda deste mundo, ofereço aos vagabundos que não tem onde dormir”, cantou o mestre do samba paulista Adoniran Barbosa na canção “Abrigo de Vagabundos”, faixa que abre o primeiro álbum gravado pelo sambista. Lançado no ano de 1974, o disco de Adoniran completa 40 anos e continua sendo influência no gênero musical.

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Além da música “Abrigo de Vagabundos”, o disco está repleto de clássicos que eternizaram o nome de Adoniran, como “Saudosa Maloca”, “Iracema”, “As Mariposas”, “Já Fui Uma Brasa”, “Acende o Candieiro” e música que se tornou o hino da cidade de São Paulo, em “Trem das Onze” Adoniran deixou sua marca na história fonográfica do país.

Todas as canções são compostas pelo sambista, exceto as letras de “Bom Dia Tristeza”, que teve a parceria ilustre do poetinha Vinicius de Moraes, “Já Fui Uma Brasa”, escrita juntamente com Marcus César, “Prova de Carinho”, com Hervé Cordovil e “Deus te Abençoe” com autoria de Peteleco.

Na voz grossa e o sotaque italiano vindo do tradicional bairro do Bixiga, Adoniran reformulou o samba, principalmente colocou uma marca no gênero paulista ao contar o cotidiano dos moradores da região e as situações inusitadas de personagens símbolos das composições do sambista. Em “Iracema” a dor do rapaz ao saber da morte de sua amada em um acidente de trânsito.

– Iracema, fartavam vinte dias pra o nosso casamento

Que nóis ia se casar

Você atravessou a São João

Veio um carro, te pega e te pincha no chão

Você foi para Assistência, Iracema

O chofer não teve curpa, Iracema

Paciência, Iracema, paciência.

Em “Trem das Onze”, um documento histórico da rotina paulista da primeira metade do século passado. O sujeito que não pode mais ficar com sua parceira e precisa correr para pegar o famoso trem até Jaçanã, para ajudar a mãe. A minuciosa desculpa do malandro em não querer mais permanecer com a parceira.

Adoniran Barbosa

Adoniran Barbosa

No entanto, a que mais retrata a difícil vivência dos moradores da camada social baixa é na clássica canção “Saudosa Maloca”. A tomada de posse que destrói o lar de quem habitava o local, a chegada do progresso atropelando o passado, deixando tábuas caírem como lágrimas escorridas nos rostos dos que assistem os lares irem abaixo. Adoniran poeticamente relatou esta situação ainda atual em nosso país, a mais conhecida nos últimos anos foi a Desocupação do Pinheirinho, na cidade São José dos Campos. A violência e brutalidade por parte das forças policiais, devido a reintegração de posse solicitada pelo governo de São Paulo, tornou o fato conhecido pelo nome de “O massacre de Pinheirinho”. Na melancólica voz de Adoniran: “O dono mandou derrubar”.

Adoniran Barbosa deixou sua marca na história, de samba simples para a influência de diversos cantores que passaram por suas composições. Adoniran foi a voz dos moradores da tradicional e humilde região central de São Paulo. As lembranças de um poeta que cantou a maloca… a saudosa e querida maloca! Agora, deixe-me ir para não perder o trem.

 

jorge-filholini2

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