Wes Anderson comanda mais uma obra-prima em “The Grand Budapest Hotel”

GRAND BUDAPEST HOTEL_c371.JPGDepois do aclamado Moonrise Kingdom (2012), Wes Anderson retorna à temática de época em seu novo filme The Grand Budapest Hotel. Novamente tendo um elenco cheio de nomes conhecidos do diretor, o filme conta a história de um famoso concierge do hotel título, interpretado por Ralph Fiennes, e sua amizade com um jovem mensageiro que se tornaria seu protegido.

O fascinante neste novo longa é a narrativa. A história acompanha o processo criativo de um escritor (Tom Wilkinson/Jude Law)  na construção de seu livro sobre o hotel, em que conta a sua passagem pelo lugar e coincidentemente conhece o dono do lugar, interpretado pelo genial  F. Murray Abraham, que através do seu ponto de vista relata ao escritor como adquiriu o imóvel. São diversos pontos de vistas em torno das vidas dos personagens, principalmente utilizando da ficção literária do escritor, o que é o ponto chave da trama, deixando a trama mais à vontade para brincar com a realidade. Este modo do enredo não atrapalha o espectador e deixa o filme mais interessante.

Wes retrata a mudança ideológica e social da Europa no período entre guerras, O pessimismo e a depressão que instaurou na época prevalecem nas cenas de tom escuro do filme. O enredo se passa na maior parte no ano de 1938, no hotel título, instalado em um lugar isolado da civilização, tornando-o um mundo à parte e longe das transformações da época. Fiennes interpreta M. Gustave que comanda o hotel de um modo excêntrico – aliás, é o método mais utilizado nos personagens de Anderson. Seu personagem galanteia as idosas ricas que se hospedam no hotel, em especial Madame D. (Tilda Swinton) milionária que frequenta o hotel e teve uma morte misteriosa, deixando como herança um quadro Renascentista  inestimável concierge, considerado por ela amigo… e amante.

Grand-Budapest-Fiennes-Revolori

Condenado de envenenar a milionário, Gustave é preso injustamente devido a briga familiar na partilha da herança. Seu envolvimento na cadeia o deixa mais próximo com a conduta humana da época. Acostumado com luxo e de estar sempre à frente dos comandos, Gustave começa a ter certo pé no chão em relação ao mundo em que habita, prevalecendo as mudanças e  transformações que serão realizadas no futuro da Europa, já que presencia um Continente em ebulição.

Um aspecto interessante são os personagens utilizarem o mesmo figurino no decorrer do filme, o que se pode perceber a posição hierárquica que cada um obtém ou também retrata um método cartunesco que Anderson introduz nesse universo. Wes também é perfeccionista com a simetria das cenas, o aprofundamento das sequências faz com que o Hotel seja enorme, tornando-se um mundo único habitado pelos funcionários e hóspedes, como havia comentado acima, um mundo à parte da Europa. O tom utilizado pelo diretor também é sempre algo bom de apreciar, neste filme Anderson abusa das cores escuras, principalmente o roxo, vermelho e preto. Pode-se apontar que esta utilização tem foco no período histórico em que a trama é retratada, de terror e desencantamento.

The Grand Budapest Hotel

Fiennes rouba todas as cenas, interpretação consistente e segura, constrói um personagem excêntrico e melancólico na medida certa, um típico cidadão da Europa na época se desmoronando devido a guerra que se aproxima. Fiennes merece ser lembrado nos prêmios futuros pela atuação, desde O Jardineiro Fiel não assisti uma interpretação tão especial do ator.

A surpresa nos créditos finais fica com a inspiração do diretor para construir o filme, que vem dos textos de Stefan Zweig, dramaturgo e poeta que faleceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

The Grand Budapest Hotel é um filme complexo, mas que deve ser apreciado como arte e Wes Anderson está a cada direção mais experiente, apresentando um estilo original. Com um elenco genial, Anderson comando brilhantemente as interpretações, acrescentando sempre o humor negro e as situações excêntricas para construir outra trama inovadora para os amantes do cinema.

 

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