Morre aos 73 anos o escritor João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Ribeiro (Foto: Divulgação)

João Ubaldo Ribeiro (Foto: Divulgação)

“[…] Pirapuama queria dizer baleia, na língua dos bugres. Isto não se pôde confirmar com a certeza que ele desejara, porque os índios praticamente não existiam mais e os poucos que havia ou se escondiam nos cafundós das matas ou passavam o tempo furtando e mendigando para beber, cair pelas calçadas e exibir as doenças feias que sua natureza lhes trazia. Mas todos no Recôncavo e fora dele sabiam que pirapuama era baleia e, se não fosse, seria, pois afinal estava ali o Barão das Baleias, aquele que, na esteira de incontáveis sofrimentos e tribulações, lutando pela Pátria, enfrentando ódio e incompreensão, obrigado a combater a própria família, era hoje o maior entre os senhores da pesca dos grandes bichos marinhos que todo mês de junho vinham galhardear os corpanzis no meio das ondas verdes da baía de Todos os Santos”  (Viva o Povo Brasileiro, João Ubaldo Ribeiro, p. 21).

Morreu nesta sexta-feira (18), aos 73 anos, o escritor João Ubaldo Ribeiro. Segundo informações, o autor sofreu embolia pulmonar. Membro desde 1994 da Academia Brasileira de Letras (ABL), João Ubaldo Ribeiro escreveu obras consagradas como Viva o Povo Brasileiro, Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos e o último O Albatroz Azul. O autor é pai do ator e comediante Bento Ribeiro.

Artista múltiplo, João Ubaldo escreveu em diversas estruturas literárias, passou pelo romance, conto, crônicas,  ensaios, literatura infantojuvenil e assinava uma coluna no jornal O Globo. Nascido em 1941, em Itaparica (BA), João Ubaldo foi também jornalista, roteirista e professor.

Renomado escritor, João Ubaldo recebeu diversos prêmios destacando o Prêmio Camões de 2008, maior título para autor de língua portuguesa; na  Feira do Livro de Frankfurt, de 1994, recebeu o Prêmio Anna Seghers. João Ubaldo Ribeiro ocupava a cadeira 34 na Academia Brasileira de Letras.

Conhecedor da história do Brasil, João Ubaldo traçou os períodos marcantes do país com pitada de humor e a seu modo construiu uma identidade para a cultura nacional.

“O segredo da Verdade é o seguinte: não existem fatos, só existem histórias”. (Viva o Povo Brasileiro, 1984).

 Confira a seguir a genial entrevista no programa Roda Viva com o escritor:

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