Ossos do Ofídio: Somos mesmo exagerados

Reverbera São Carlos

Reverbera São Carlos

O sol de São Carlos: exagerado. Ofusca. As raízes das árvores na UFSCAR: exageradas. O céu: todo ele.

Os rapazes do site Livre Opinião: um exagero só. Um coraçãozão. A luta que é: exagerada. Fazer. Quem não faz não gera. Miúda-se.

Eu fui recebido com amor: exagerado. Não é amor se não for exagerado. Adoro um amor inventado. Reinventado. Para um mundo possível a saída. Esse movimento. Por dentro do exagero. Sem medo.

A décima oitava Jornada de Letras: exagerou. Convidaram-me para fechar o evento. O carinho: exagerado. As palavras: tão grandes. E mirabolantes.

Jorge Valentim: um mestre. Orientador do exagero. Recebeu-me com um belíssimo texto: nas nuvens. Porque é lá em cima onde o sonho passeia. E o pensamento relampeja.

Valentim foi quem, gloriosamente, deu esse mote à causa, àquela noite, ao estilo Cazuza: agradeceu publicamente ao Livre Opinião. Comparou os editores Jorge Filholini e Vinicius de Andrade aos criadores da revista Orpheu. Os portentosos Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro.

Exagero, um atrás do outro, exagero, exagero, exagero. “Dou-me direito ao exagero”, disse ele. “Até nas coisas mais banais / Pra mim é tudo ou nunca mais”.

Os atores Thiago Henrique do Carmo e Felipe Alves. Em saltos altíssimos. Dando corpo aos meus textos sob a direção de Mauro Concha. Pararam o fôlego da plateia: a cada passo, um marca-passo. Exagerados batimentos. No anfiteatro Bento Prado Jr.

Quantos momentos vivi ali, na minha visita a São Carlos, há quase um mês: exageradamente. O lançamento de meu “Nossos Ossos”. Um só esqueleto jurássico. Porém moderno. Os alunos e alunas de Letras, e de outros percursos da UFSCAR, presentes no Espaço Múltiplo. Soltando o verbo em um sarau improvisado. Em cima de uma cadeira, os retumbantes versos.

E o que dizer do tamanho dos sanduíches do Bar do Amaral? Exagerado. As cervejas em litro do Marivas? Exageradas. E estupidamente geladas. As companhias dos antigos e novos amigos e amigas. Queridíssimos. Tudo imenso. No afeto.

A oficina de criação literária. Foram dois dias apenas: que mais pareciam dois anos. Quem dá o tamanho da duração do encontro é o olho de quem vê. E aproveita para enxergar. A literatura tem o poder de tirar o mundo do lugar. E o tempo.

A arte toda, salve, salve, saravá! Tem essa força. É só abrir a enorme gaveta. E celebrar. Exagerado esse tal de Fernando Chiari. Ele quem criou por lá o multiespaço chamado Gaveta. Enorme. Exagerada. Uma gaveta-guarda-roupa. Uma casa. Uma morada a ser habitada. Por todos nós. Exagerados.

Somos todos exagerados. Muito exagerados. Gigantemente exagerados. Bradando, a toda hora, sem demora, a quem possa ouvir: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Viva! Sim. A minha volta de São Carlos voltou tomada de grandeza, é bom que se diga. Esse exagero que carrego no peito. Creia.

Carregamos, sempre.

Medido em infinita delicadeza.

marcelinofreire

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