Eça de Queirós nos seus 169 anos

Eça de Queirós. Img: posfacio.com.br.

Eça de Queirós. Img: posfacio.com.br.

Há 169 anos, exatamente no dia 25 de novembro, nascia Eça de Queirós. Ao lado de Machado de Assis e Camilo Castelo Branco, Eça foi um dos grandes nomes das literaturas de língua portuguesa. Dono de uma escrita fina, singular e, por vezes, ironicamente ácida, despertou interesse, simpatia, mas também angariou críticas e dissidências. Machado de Assis, por exemplo, não perdoou o seu viés realista, mas, por razões óbvias. O estilo desenvolvido pelo autor de O crime do padre Amaro e O primo Basílio pouco o interessava, enquanto instrumento de expressão literária. E não poderia ser de outro modo, já que a mentalidade do autor de Dom Casmurro estava muito acima da média dos homens de sua época.

Ambos, cada um a sua maneira, estavam numa constelação feita de astros inalcançáveis. Apesar das críticas tecidas às suas obras, isto nada diminui a grandeza e a genialidade do escritor de Póvoa do Varzim. Como nenhum outro de sua época, explorou as possibilidades que a língua portuguesa e a arte oitocentista tinham para lhe oferecer. Soube, de maneira singular, retratar os meandros e os atores das classes sociais portuguesas. Diplomata que foi, sensível às manifestações de sua época, captou e apropriou-se das principais manifestações culturais do Oitocentos. Neste sentido, O primo Basílio, Os maias e A capital constituem romances paradigmáticos deste olhar arguto sobre a música, a ópera, a pintura, a escultura e a arquitetura dos homens das Belas Artes.

Sua obra foi alvo constante de adaptações para o cinema, o teatro e a televisão. Quem não se recorda da versão de O primo Basílio, de 1988, com Marcos Paulo, fazendo o protagonista de maneira impecável? Ou ainda Marília Pera, com sua inesquecível Juliana, e, depois, em 2000, já na versão d’Os Maias, com uma Maria Monfort saída da sepultura (sim, porque, no romance, a personagem não reaparece como na minissérie), para desafiar Dom Afonso (o saudoso Walmor Chagas), numa das cenas épicas da televisão brasileira?

Autor maior do século XIX, Eça de Queirós é atualíssimo

O ano que se aproxima promete, portanto, ser festivo, já que serão comemorados os 140 anos de publicação em livro de O crime do padre Amaro, além dos 170 anos de nascimento de Eça de Queirós. Junto com estas efemérides, somam-se ainda os 100 anos da Geração de Orpheu. Acredito que não poderia haver companhia melhor para se desejar um ótimo 2015! Que ele venha, e, com ele, o espírito de constante renovação que moveu os homens daquela época. Pode-se ter lição melhor que esta?

jorge_valentim

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