Amor livre é pleonasmo

– Isso é pecado, irmãos. Dizia o pastor suado de olhos arregalados e veias saltadas no pescoço. Ele perdido na gritaria não iria perguntar nada apesar de que não sabia. – Irão todos queimar no inferno. Com medo de fogo, incerto, ele apenas concordava com as palavras ditas e repetidas pelo o homem de gravata. A carapuça não lhe servia, era larga, mais ele fazia força e tentava.

A mãe, mulher de casa, sempre concordava e dizia pra ele ‘menino olha onde vai colocar suas ideias, veja aonde vai colocar, isso não é coisa de gente que se cheira’. Sua mãe, talvez virgem, pensava não sabia que quando ele sentia o cheiro do sexo ele arrepiava da cabeça peluda até as partes baixas encrespadas. Espadas de samurai.

Procurou um padre doutor ministro rei dos omissos e confessou seus atos. ‘Três mil quatrocentos pai nossos de joelho no milho e mais três mil ave-marias no frio’. Foi condenado.

Intrigado com tudo aquilo, pois sabia bem que era prática comum entre os amigos. Transar trepar fuder e todas as derivações dessa variante ele queria verificar com maior empenho. De trás, pra frente, de lado, ao contrário, de cima, com vista privilegiada da arquibancada, no fundo, do lado de dentro e de fora, de verdade ou de brincadeirinha, com a amiga, a cozinheira, a faxineira e até mesmo a tia.

E as falas iam direto para o falo. Era ele todo desocupado o culpado pelos crimes a ele direcionado. Objeto torto, fedido e às vezes moles e as vezes enrijecido já se mostrava indeciso até mesmo no ser. E assim, ele notava que se a coisa vivia entocada e escondida da maioria deveria ter algo conectado ao que era lhe falado em cuspes e gritos.

Chegando em casa depois do culto ecumênico com o cu na mão ele foi para o quarto. Deitado com os olhos vidrados no teto e no vidro da janela. Começou a ouvir gemidos que vinham do quarto de sua mãe virgem dona de casa Maria. E na sua cabeça se repetia: a vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus.

Não sabia. Não queria.

Resolve então cortar o mal pela raiz. Deixa de ir para o culto.

*Título retirado de um poema de Ni Brisant

walacy-neto

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