Duas divas e um poeta: sobre (“O vento lá fora”) – Cleonice Berardinelli, Maria Bethania e a poesia de Fernando Pessoa

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Inicio, hoje, no site Livre Opinião – Idéias em Debate uma série mensal de reflexões sobre livros, autores, filmes e outras atividades artísticas e culturais, circulantes nos meios contemporâneos de comunicação, com o objetivo de apresentar e, em alguns momentos (na verdade, quero dizer muitos ou em quase todos…), tecer uma série de interrogações que facultem ao público leitor do LO – ID o alcance a esses objetos e o motivem a procurá-los pela leitura.

Aliás, gosto de pensar que esta coluna seja exatamente isto, um espaço de leitura, minha, particular, é óbvio, mas, acima de tudo, apenas uma leitura que propicie a sede dos outros pelo gesto de ler e, antropofagicamente ao gosto de um Oswald de Andrade, por exemplo, de devorar as coisas mais interessantes, dependo do gosto de cada um.

Exatamente nesta primeira semana de 2015, não poderia começar por outro caminho, a não ser aquele que me leva até uma das grandes figuras e que, neste ano, é celebrada nas efemérides do centenário da “Geração de Orpheu”: Fernando Pessoa. Diante de alguns títulos que, recentemente, vem aparecendo, inclino-me ao belíssimo e sensível filme de Marcio Debellian, (“o vento lá fora”) – Cleonice Berardinelli, Maria Bethania e a poesia de Fernando Pessoa (Quitanda, Debê Produções e SESC, 2014). O jovem e promissor cineasta dá ao leitor de Fernando Pessoa um retrato e um perfil singulares da obra do grande poeta português a partir de duas das mais reconhecidas vozes do texto pessoano. De um lado, Cleonice Berardinelli, com o timbre ensaístico, e de outro, Maria Bethania, com a performance musical. Ambas, leitoras de Fernando Pessoa. Ambas, divulgadoras da poesia do artista órfico.

A minha escolha deu-se por dois motivos. O primeiro, de caráter acadêmico/artístico, reside no fato de que não se pode falar da “Geração de Orpheu” ou de Fernando Pessoa, sem se mencionar de maneira obrigatória o nome da Profa. Doutora Cleonice Berardinelli. Mestra maior da literatura portuguesa no Brasil e no mundo, imortal da Academia Brasileira de Letras, Dona Cléo, como carinhosamente é chamada pelos seus alunos, tem uma carreira docente respeitadíssima, tendo formado toda uma geração de outros professores que, a exemplo dela, milita com paixão e generosidade o exercício do magistério e da pesquisa na disciplina.

Suas obras, que não são poucas, figuram nas bibliografias dos principais cursos de graduação e pós-graduação no país e no exterior. Suas leituras em palestras e conferências, sempre apaixonadas e carregadas de um calor contagiante, arrebatam os ouvintes e alunos mais novos que, infelizmente, por razões óbvias, não tiveram a oportunidade de poder frequentar os bancos de suas salas de aula. Tudo isto, na verdade, é apenas uma pequena introdução sobre a trajetória da grande mestra.

Ao seu lado, Maria Bethania, diva maior (como gosto tanto de chama-la nas minhas aulas) da música brasileira. A referência é proposital porque alguns críticos mais ortodoxos acreditam que o epíteto só cabe às grandes damas da ópera. Particularmente, eu discordo, posto que, na música popular, também elas existem. Lembro-me, aqui, da mestra Sônia Maria Vieira, quando, numa de suas aulas de “História da Música”, na UFRJ, muito sabiamente declarou que “não existe separação entre música erudita e música popular”, existe sim, uma diferença entre “música com e sem qualidade estética”. Sábias palavras. Neste sentido, posso reafirmar com todas as letras que Bethania é, certamente, uma das grandes divas de nossa música.

O seu álbum Imitação da vida, registro ao vivo do show “Âmbar”, gravado em São Paulo, em 1996, que tive a oportunidade de assistir, constitui, talvez, o momento culminante da apropriação da poesia de Fernando Pessoa pela cantora, seja em leituras entremeadas entre canções – como a que faz de trecho do Livro do Desassossego, antes da canção “Therezinha”, de Chico Buarque –, seja em peças que se valem dos versos de Pessoa – como na sua comovente interpretação de “Ó sino da minha aldeia”. Só por estas duas referências, o leitor já consegue dar conta que estamos diante não apenas de uma grande intérprete do poeta, mas de uma leitora atenta e sensível do autor de Mensagem.

O segundo motivo de minha escolha é de ordem puramente afetiva. Fui aluno de Dona Cléo, em 1992 e 1993, quando aluno do curso de Mestrado, e, depois, em 2000, no curso de Doutorado em Literatura Portuguesa, na UFRJ. Nas quatro disciplinas que cursei com a mestra (“A ficção de Eça de Queirós”, “A poesia de Camões”, “A lírica dos trovadores medievais galego-portugueses”), uma delas era exatamente sobre “A poesia de Fernando Pessoa e de seus heterônimos”. Posso dizer, portanto, que sou um privilegiado. Mais, ainda, porque, ao longo de minha trajetória, fui aluno de grandes mestres, formados pela mestra maior. Alguns nomes poderão soar desconhecidos dos leitores mais jovens, mas, é preciso sempre referenciar e reverenciar aqueles responsáveis pela nossa formação para que gerações futuras também aprendam pela memória afetiva: Margarida Alves Ferreira, Simone Pinto de Oliveira, Maria do Perpétuo Socorro Correia Lima de Almeida, Jorge Fernandes da Silveira, Teresa Cristina Cerdeira, Gilda da Conceição Santos (que, aliás, aparece na plateia dos poucos e privilegiados ouvintes), Simone Caputo Gomes, Laura Cavalcante Padilha e, é claro, não poderia deixar de mencionar, Luci Ruas Pereira, minha mestra, orientadora, mentora e amiga, acima de tudo.

Aliás, foi dela que recebi de presente no Natal passado, o álbum (DVD e CD), sem mesmo ela saber que meu primeiro contato com a poesia de Fernando Pessoa deu-se pelas mãos de minha mãe, quando, em 1977 (eu tinha 10 anos), me colocou nas mãos um livro (O eu profundo e os outros eus – Antologia da poesia de Fernando Pessoa). Na época, achei alguns textos completamente incompreensíveis. Por outro lado, outros me causaram um estado de inquietação tão grande que me fez ir à enciclopédia para saber quem era este tal poeta e o porquê desses outros eus, que eu mal compreendia como eles poderiam existir. Mal sabia eu que, anos mais tarde, seria aluno da grande mestra e teria a oportunidade de ver e experimentar uma situação única e singular: ouvir as leituras de Dona Cleonice.

Num ano, portanto, em que se comemoram os 100 anos de surgimento de uma geração que revolucionou o mundo das artes e da cultura em Portugal, nada mais justo que começar estas “Literatices e outras conversas” – nome que, em nada é pejorativo, mas, carinhoso e afetuoso – exatamente pelo grande poeta de língua portuguesa, a partir das vozes de duas grandes intérpretes suas.

Entrando, agora, especificamente sobre o documentário, muitos poderiam pensar, antes de assistir ao filme, que Maria Bethania ali comparece simplesmente para cantar. Ledo e salutar engano. Neste documentário, ela não atua sozinha, porque a cena é dividida com Cleonice Berardinelli. E, da maneira como Marcio Debellian planejou, são as duas que literalmente “cantam” a poesia de Fernando Pessoa. Ambas, divas, cada uma no seu ofício. Como em certos duetos operísticos – lembro-me, aqui, em especial, de Norma e Adalgisa, em Norma, de Vincenzo Bellini; de Lakmé e Mellika, em Lakmé, de Léo Delibes; ou, ainda, de Flordiligi e Dorabella, em Cosi fan tutte, de W. A. Mozart –, as duas compartilham as cenas e deixam em evidência um aspecto, por vezes, relegado a um segundo plano quando se trata de abordar a obra pessoana: a dramaticidade performática que alguns poemas de Fernando Pessoa possui e requer dos seus leitores. Tal fenômeno fica nítido, por exemplo, na leitura de “Eros e Psique”, mas, sobretudo, na deliciosa leitura que fazem de “Todas as cartas de amor”. Destaque, aqui, para a inesperada interrupção da cantora baiana, com uma gargalhada vibrante e sincera, diante da performance que dá Dona Cléo, ao enfatizar o elemento chave do poema: “ridículas”!

Sem utilizar os trejeitos das antigas declamadoras que, segundo seu depoimento, faziam parte da “escola dos gritinhos” (ela própria chega a dar alguns exemplos bem divertidos), Dona Cleonice dá aos textos selecionados uma tonalidade e uma coloração na medida exata para a compreensão dos poemas selecionados de Fernando Pessoa. Aliás, ela própria, no generoso gesto de ensinar, indica algumas nuances importantes para a leitura dos textos, como faz ao indicar a necessidade de se acentuar a sílaba vocal num hiato proposital na palavra “saudade”, ou a supressão necessária para a manutenção da extensão do verso no momento de articulação da palavra “‘sperança”.

Por causa destas cenas, fica evidente a preocupação do cineasta em lançar mais luzes sobre a presença da grande mestra. Não que Maria Bethania fique ofuscada diante da voz de Dona Cleonice, não me parece ser este o caso. Como disse antes, trata-se de um dueto, e ambas fazem parte desta performance. São duas divas. Uma, grande estrela da música; a outra, grande prima dona dos estudos literários. Não há como negar, portanto, que a mestra assume uma posição relevante neste documentário. É certo que a ênfase recai sobre Fernando Pessoa, mas também o documentário coloca em evidência o trabalho criterioso e minudente de Cleonice Berardinelli, como nome referencial sobre o poeta da geração de Orpheu. Isto bem pode ser percebido em algumas cenas, como naquela em que explica a criação de um verbo específico (“Furia na noite o vento”, em hiato, para demarcar a ação) pela escrita pessoana, ou, ainda quando dá uma lição magnífica sobre como Fernando Pessoa se sentia ligado à arte poética, da mesma maneira que o vento ao ar. Nos “Extras” que seguem no DVD, é a professora que informa sobre a originalidade do seu trabalho. Autora de uma obra referencial sobre o poeta, a sua tese de livre docência, Poesia e poética em Fernando Pessoa, defendida em 1959, foi a primeira no Brasil e a segunda no mundo a abordar o tema. Logo, se o leitor depara-se com “um grande escritor”, como afirma Dona Cleonice, já no final do documentário, é preciso sublinhar que o leitor encontra-se diante não só de uma grande mestra – ainda que menos conhecida que sua companheira de dueto, e por razões óbvias de ofícios e performances –, mas também de uma grande leitora e de uma grande conhecedora do inoculado “veneno de Fernando Pessoa”, tal qual ela própria explica a dedicatória que faz a Thiers Martins Moreira, seu mestre, justamente homenageado por ela.

Neste clima, toda a obra pessoana vai sendo deslindada pelas duas intérpretes. Não apenas a poesia dos heterônimos (Álvaro de Campo, Alberto Caeiro e Ricardo Reis) e do ortônimo (Fernando Pessoa – ele mesmo), mas as cartas escritas por este (como a famosa endereçada a Adolfo Casais Monteiro, onde há a “Gênese dos heterônimos”), os comentários críticos de um poeta-criatura ao outro, isto sem falar nas imagens, nas fotos de Fernando Pessoa que, num jogo de interposição de imagens, vão ocupando algumas cenas, aparecendo e desaparecendo gradativamente, num efeito de diluição e fragmentação, tão caro aos poetas daquela geração. Ao lado, portanto, das duas divas, e do precioso e rico roteiro e direção de leitura sob a responsabilidade de Dona Cléo, é preciso destacar a sensível leitura que também faz o cineasta Marcio Debellian. Ele, também, competente leitor da poesia pessoana.

Um dos momentos mais significativos deste documentário situa-se quando Dona Cléo vai explicando, passo a passo, as criaturas/máscaras de Fernando Pessoa. Em especial, quando destaca a relação do poeta com o amigo Mário de Sá-Carneiro e a influência do suicídio deste na hipotética iniciativa de Pessoa em matar literalmente o único heterônimo, o mestre deles todos: Alberto Caeiro. Ou, então, quando sabiamente ensina que Álvaro de Campo é o “divã de Fernando Pessoa”, onde ele expressa seus sentimentos mais conturbados e fortes e pela voz de quem chega a escrever palavrões, como ela faz questão de explicar, antes de ler, em dueto com Bethania, um dos textos mais sintomáticos do poeta engenheiro: “Poema em linha reta”. Sem esquecer, é claro, a dificuldade que, provavelmente, Pessoa enfrentou ao criar um poeta tão avesso às suas convicções renovadoras, como foi o caso do “pagão da decadência”, Ricardo Reis.

Nestes momentos, é a voz da mestra, preocupada em fazer-se compreendida e em disseminar o seu conhecimento aos outros. É a experiência de quase cem anos no labor prazeroso do contato com os grandes clássicos que precisa ficar registrada para leitores futuros. Mas, também, é a voz humana que vai, a exemplo de um Álvaro de Campos, sentindo a “passagem das horas”, a inexorabilidade do tempo, quando, depois da leitura de “Aniversário”, docemente sentencia: “Eu também já me sinto assim”. Na verdade, não é essa a imagem que fica, diante de sua performance, e ainda que o cineasta procure apontar a diferença de gerações entre as duas grandes damas ao focalizar, em alguns momentos, os movimentos das mãos e as marcas do tempo que nelas ficam, o vigor e a vivacidade de Dona Cléo, bem como a sensibilidade e a generosidade de Maria Bethania, que ouve com uma atenção singular a todas as informações da mestra, ficam muito mais em evidência do que as diferenças etárias entre elas. Neste sentido, o álbum é riquíssimo em detalhes e nuances que reiteram a sintonia das duas vozes, tais como a foto da capa que registra a professora com um dedo levantado (a acentuar uma informação ou a indicar que, entre elas duas, há uma presença incontestável, a do poeta Fernando Pessoa que as une?) e a cantora estrela que, generosamente, olha diretamente nos olhos da mestra, e dela sacia a sua sede de conhecer mais o poeta que, durante tanto tempo, com ele convive em shows e em leituras.

Quando afirmei, logo no início, que este documentário poderia ser visto como um verdadeiro dueto, a exemplo de outros grandes em peças operísticas, é porque entendo este documentário de Márcio Debellian como tal. Aqui, porém, é a poesia de Fernando Pessoa – ele também personagem deste dueto que, em muitos momentos, tem o leitor a sensação de se tratar mais de um trio, dada a sua presença quase que transcendente, a exemplo daquela “Febre do Além”, tão almejada pelo poeta e explicada por Dona Cleonice – que ganha, como intérpretes, duas “prima donas”, no seu sentido musical mesmo. E minha aposta de leitura consolida-se quando se percebe que ambas compreendem e amam o universo da música. Logo nas primeiras cenas, Bethania surge executando ao piano um pequeno trecho da peça Le lac de Come, de G. Galos. A cantora, aqui, cede espaço à musicista instrumental. Por sua vez, na leitura de trechos da Mensagem, Dona Cleonice executa de maneira camerística o poema “O mostrengo”.

E digo isto porque, no extenso campo da música camerística vocal, há uma peça singular, composta por Franz Schubert, e única neste tipo de repertório (Erlkönig, D328), em que o cantor precisa, sozinho, desempenhar três papéis, cada um com uma sonoridade e uma intencionalidade diferentes: o pai, o seu filho e o rei dos Elfos, que, na verdade, é a própria morte que ceifa a vida do jovem. Ora, custo a acreditar que Fernando Pessoa desconhecesse tal peça, e ouso mesmo afirmar que, com a cultura vastíssima que tem Dona Cléo, ela própria também não tenha dado, à leitura que faz do referido texto, uma performance tão musical e camerística de “O mostrengo”. Não há como não vislumbrar, ali, nas articulações da voz, nas expressões faciais, nas inclinações dos olhares, nos gestos leves, mas seguros, das suas mãos, as presenças do gigante e a do homem do leme, como personagens componentes de um verdadeiro dueto, para não dizer duelo, em forma de confronto. Gosto de pensar que, mais especificamente neste poema, além da voz da professora de literatura portuguesa, reascende a verve da musicista, da camerista e, enfim, da artista, que, gravemente, sentencia:

Três vezes do leme a mão ergueu,
Três vezes ao leme a reprendeu,
E disse no fim de temer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais do que mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Aliás, ela, nos “Extras”, acentua que o ofício do professor é semelhante ao do ator, visto que não há como partilhar determinados poemas sem os vivenciar e os expressar com os instrumentos vocais e corporais específicos para despertar a curiosidade e motivar o exercício de leitura nos alunos. Chegando perto dos cem anos de idade, é exatamente isto que Dona Cléo transmite ao longo do documentário, com um fôlego, uma lucidez e uma vivacidade singulares.

Tal caráter performático e a concepção camerística de que falava anteriormente ficam também visíveis em textos onde as duas intérpretes apontam um caminho musical de perguntas, respostas e ecos, como fazem, por exemplo, no poema “Esta velha angústia”. Ali, cabe à Dona Cleo, numa entonação deliciosa, a reiteração do verso que sublinha o estado de fragmentação e dispersão do sujeito poético do poema de Álvaro de Campos: “Está maluco”, e à Bethania o desfecho sorridente em eco do último verso, enfatizando a fragilidade e a pungente pulverização do eu: “Estala, coração de vidro pintado!” O que se vislumbra, portanto, a partir da atuação destas duas vozes, é a figura de um poeta poliédrico, multímodo e plurifacetado, como outros poemas escolhidos bem deixam evidenciar (“Tudo o que faço e medito”, de Fernando Pessoa – ele mesmo; “Só depois de eu morrer”, de Alberto Caeiro; “Já sobre a fronte vã se me acinzenta”, de Ricardo Reis; e “Depus a máscara e vi-me ao espelho…”, de Álvaro de Campos).

No entanto, não se pode cair no lugar-comum de se rotular a poesia de Fernando Pessoa como uma obra inatingível e inalcançável ao público menos acostumado com este universo, ou como um campo hermético e impenetrável, incapaz de seduzir leitores e atrair atenções. Pelo contrário, as explicações, as informações, as impressões e as emoções explícitas das duas divas conseguem captar as diferentes faces deste poeta e oferecer aos interessados um roteiro sentimental e afetivo de introdução e leitura. Contato reiterado, inclusive, pela interessante antologia que acompanha o álbum, com os textos selecionados e lidos ao longo da gravação.

Em boa hora, portanto, chega ao público este álbum (CD e DVD) de Marcio Debellian, jovem e visionário realizador que deixa registrado em documentário um legado importantíssimo para os estudos literários portugueses no Brasil, onde os apaixonados pela poesia de Fernando Pessoa podem apreciar a obra do poeta, tendo a companhia privilegiada de Cleonice Berardinelli e Maria Bethania. Um dueto, sem sombra de dúvidas, cuja música seduz e acende o desejo de leitura, sob as mãos seguras de um promissor maestro-diretor. Poder-se-ia ter uma lição mais salutar para iniciar um ano festivo, como é o caso de 2015? Acredito que não. Aos leitores, portanto, fica o convite e os votos de que todos consigam perceber, pelas vozes de Dona Cléo e Bethania, aquela singular e inconfundível sonoridade de “O binómio de Newton”: “óóóó – óóóóóóóóó – óóóóóóóóóóóóóóóó / (o vento lá fora)”.

Cleonice Berardinelli e Maria Bethânia em "O Vento lá fora"  (Foto: Festival do Rio 2014)

Cleonice Berardinelli e Maria Bethânia em “O Vento lá fora” (Foto: Festival do Rio 2014)

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