Bárbaro e nosso: 125 anos de Oswald de Andrade

22-de-outubro-img-corpo-conteudo-uz

Há 125 anos, no dia 11 de janeiro, nascia Oswald de Andrade. Elétrico, perturbador da tradição literária, agitador cultural à frente de seu tempo, Oswald contribuiu para o desenvolvimento da Literatura Brasileira. Foi um dos idealizadores da histórica Semana da Arte Moderna de 1922 e do Movimento Antropofágico. Neste, Oswald mostrou a banana para a cultura norte-americana e europeia, mas não a excluiu, decidiu brilhantemente “devorar as técnicas importadas para reelaborá-las com autonomia”.

Oswald descontruiu o padrão tradicional e elitista da Literatura Brasileira com aforismo e “poemas-piadas”. Deixa disso, camarada, Oswald preferiu “me dá um cigarro” a “dê-me um cigarro”. Fez o índio despir o português e brincou com a nossa língua Tupi, nossa crença e nosso cotidiano.

Com humor fez o amor, do Manifesto Pau-Brasil (1924) ao Antropófago (1928), Oswald alertou a sociedade de seu tempo sobre a Educação, a calamidade dos estudos até hoje é um rombo em nosso sitema. Mostrou que o Brasil podia ter sua própria narrativa literária. Romancista, poeta, dramaturgo e cronista, Oswald continua importante para a literatura contemporânea, sua influência ainda é mote para diversos escritores. Bárbaro e nosso, nesses 125 anos a metáfora ainda rola solta: “Tupi, or not tupi that is the question”.

O Livre Opinião faz uma homenagem a esse “gritador” cultural que deixou marca na Literatura Brasileira.

Obras

Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

O gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oferta

Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

Trecho da peça “O Rei da Vela” (retirado de Coleção Folha Grande Escritores)

D. POLOCA – No meu tempo, as meninas era recatadas. Iam às novenas. Rezavam o terço. Hoje é o diabo quem manda!

JOÃO – O diabo é o homem mais encantador do mundo. O homem da Vela… de Heloísa.

HELOÍSA – O Rei da Vela – Me dá um cigarro, tia.

JOÃO – Não quero saber. A vela dele que nos salvou.

D. POLOCA – (Fuma com Heloísa) – Eu não gosto desse homem não. Não teme Deus. É capaz de não querer casar no religioso… Mas o Perdigoto há de obrigá-lo. Este sim é um sobrinhoque vale a pena! Me ensinou a tragar.

[…]

(p. 55)

Vídeos

O crítico literário Antonio Candido fala sobre a amizade que teve com Oswald durante a Flip-2011, ano em que o escritor foi homenageado

Parte 1

Parte 2

Fernando Jorge: O Oswald que eu conheci

O escritor e biógrafo Fernando Jorge lê seu artigo sobre Oswald de Andrade, com quem foi amigo em sua juventude.

Documentário sobre o grande escritor modernista Oswald de Andrade

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s