Escritor Juan Castelo D. lança o livro “Puxando a Rede” em São Carlos

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Aluno da Pós-Graduação em Estudos de Literatura da UFSCar, Juan Toro Castillo, lançará na próxima quinta-feira, 15, sua primeira obra intitulada Puxando a Rede, publicada pela editora Multifoco. No lançamento, que acontecerá no bar e restaurante Espaço Múltiplo, a partir das 19h30, serão realizadas leituras de alguns poemas da obra como também a apresentação de duas futuras publicações: Estado de Prosa e Poesia e Nacadema. Além disso, a noite contará com o som da banda Raones, que tocará covers de grandes sucessos do cenário do rock nacional brasileiro, como Titãs, Paralamas do Sucesso, Ultraje a rigor, Engenheiros do Hawaii, Cachorro Grande e Barão Vermelho.

“A obra Puxando a Rede encontrasse submergida nas minhas primeiras intenções de fazer literatura, amparado pela vivencia e aproximação com o cinema e literatura, ambos envolvidos na estética dos movimentos surrealistas”, conta o autor.

Impressões de um leitor

Escrito pelo professor Fernando Zebuino

Na espontaneidade do fazer poético, o autor procura expressar seu gesto peculiar. Imagens cristalizadas, metáforas introspectivas, hipérboles angustiantes formam um conjunto fragmentado que justifica do título do livro: “Puxando a Rede”. Vale notar que, apesar da multiplicidade de assuntos, os poemas apresentam substância una, em monobloco, decantada pela sensibilidade do poeta. Tomando a ideia de pescar, é de praxe que, ao puxar a rede, muitos tipos de peixes (e demais coisas) irão aparecer, isto é, o produto da pesca irá apresentar variadas coisas (fragmentos), mas todos com substância de “pescados” e suas respectivas qualidades específicas. E é justamente esse leque temático que parece ser o cerne das preocupações poéticas e existenciais na obra.

O poema de abertura, cujo título é “Tempo de louco”, sinaliza a atitude de compartilhamento buscada com tenacidade do começo ao fim do livro:

É o tempo da loucura
Dos desejos ímpares
Dos labirintos sem saída
De colmeias cheias de abelhas
Bondosas todas elas
Oferecem seu mel sem machucar a pele
Acariciam-te beijam-te, ensinam seus desejos
A loucura no mel da pele

Na sequência dos versos, o poeta registra que “Logo vem a doçura / Cada vez mais nova e mais segura” como lenitivo ou saída ao agitado tempo de aporias e supostas desilusões. E complementa, expressando que “E assim a vida guia, / Com bibliotecas, doçuras e asmas contínuas”, na superação das adversidades e na renovação edificante da vida.

São imagens singularizadas, que chamam atenção pelo poético, porém não são fáceis de abordar. Para o leitor, torna-se difícil buscar uma ressonância imediata de entendimento. Como então realizar a leitura? Apenas pelo envolvimento emocional? Pela beleza das palavras e suas sonoridades? Sem duvida, essas atitudes possibilitam estabelecer intimidade com a poesia de Puxando a Rede – afinal, poema é para ser lido em voz alta; porém, ao que tudo indica, é necessário ainda se adequar às insistências do autor.

Ainda na atitude de pesca, a rede é lançada como uma espécie de postura messiânica – isto é, apostolando o produto da pesca com a intenção de disseminar e de multiplicar: o poema “Olhado” registra – “Tempo em pause por motivos de seriedade / sentir e aprender cada viagem / cada relação relacionada com o captado, / visto e lacrado”.

Ao lado dessa visão edificante e ecumênica, Juan Castelo D. apresenta crítica social intensa e participativa como nos poemas “A história”, ou “Uma equação”, ou ainda “Um abraço na justiça”. Há uma troca comunitária, um compartilhamento dos problemas humanos, na sugestão de repartir o pão de cada dia, como em “Sendo alimento”, no qual o advento da participação coletiva, solidária, expõe as diminutas partes (“migalhas”) que dão certezas ao ato de existir. Tudo refundido com tonalidades ora mais fortes e evidentes, ora mais tênues e sutis que colorem os ínfimos gestos que nos aderem ao mundo, expressos – por exemplo – em “Do mesmo”, com destaque para a reiteração do “continuas…”, que se faz como se fosse ladainha da indispensável banalidade cotidiana.

Explorando o jogo contemporâneo da World Wide Web – quer dizer, acoplando a assustadora postura exponencial de informações veiculadas e suas consequentes diluições cotidianas – a obra cria sítios diversos e acolhedores. Paralelamente, o fato das pessoas estarem em rede, conectadas sem que, de fato, ocorra a menor conexão humana, na condição de avatares que se expressam aleatoriamente, parece ser também motivo dos poemas. “Resultado” e “Acontece” se assemelham a uma pesquisa no Google – randomicamente “resulta que o resultado” é um mar de possibilidades e que “acontece que acontece” é uma mera ocorrência sem compromisso – de maneira metalinguística e sem maiores importâncias.

Por fim, “Saindo da parede” – ou pa(rede) – dando voz ao desejo de quebra com as regras espaço-temporais do mesquinho e concreto, do degenerado e mimético mundo cotidiano: “Só compartilhando uma ideia / Que dentro do meu entender será mais prazerosa / Que o tic-tac e do risco na folha”.

Lançamento do livro “Puxando a Rede”, de Juan Castelo D.

Quinta-feira (15)
19h30
Bar Espaço Múltiplo
Rua Luís Vaz de Toledo Pizá, 346 – Jardim Lutfalla, São Carlos – SP, 13560-520

 

 

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