O Estrago

O-Estrago-por-Aline-Bei (1)

A priori somos apaixonados pela vida. Isso
até uns 7.
Depois, encontramos Pessoas
pra nos dizerem o quanto
não somos o que deveríamos ser e
então
começa o sofrimento pelo o que se é.

O que se é

nunca é bom
o bastante,

não importa o quanto se Tente. E na estrada das tentativas, vamos parando
de pular tanto
enquanto andamos a caminho da padaria.
Vamos encarando as ruas
com olhos de medo, por conta do tio que morreu atropelado e que você nunca mais viu,
– Morrer é isto – cê descobre cedo, mas
entende deus ainda menos
especialmente naquelas missas.
Vamos, com o passar dos anos, tirando as mãos das coisas, em memória da primeira mordia que levamos de um dog.
Os desenhos em nuvens vão ficando menos possíveis depois do primeiro tapa
que levamos da mãe. E vamos ficando um pouco mais céticos,
depois de descobrir a nota baixa que tiramos na prova de geografia, apesar do estudo.
Prova.
Provas
e então
de repente
você
não pode mais
ir naquele aniversário que cê tanto queria.
O primeiro grito da amiga,
o lanche que vazou na
lancheira, hastear a bandeira toda segunda, o primeiro
amor não correspondido e pior,
Ignorado,
os insetos assustam, dores de barriga também,
o primeiro xixi na cama, a primeira
queda em público, a rua inteira
rindo da sua cara, o
mundo todo
rindo do seu tombo e lá se foram quase 11 anos:
está na hora de escolher a faculdade. O
marido. Uma
casa
e tudo isso
Estraga
gradativamente
a vida de um ser
Humano:
Aos 50,

o pó.

Aline Bei

A busca ou o processo.
(nunca o pronto)

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