Abril: “A Hora Errada”, peça de Lourenço Mutarelli será encenada no SESC-São Carlos

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No dia 29 de abril, o Sesc apresenta a peça A Hora Errada, escrita por Lourenço Mutarelli. Em sua mais recente incursão pela dramaturgia, Lourenço Mutarelli profetiza novos tempos sombrios pelas mãos do diretor Tomás Rezende. Confira o texto que Marcelino Freire escreveu sobre a peça.

Já faz quase dez anos que Lourenço Mutarelli foi indicado ao prêmio Shell de dramaturgia. De lá até os dias de hoje, muitas das suas obras foram adaptadas para cinema e teatro. Mas é com “ A Hora Errada” – que será dirigida por Tomás Rezende – que Mutarelli traz uma nova peça inédita ao público. No elenco estão a ganhadora dos prêmios Shell e APCA, Magali Biff e Zémanuel Piñero.

Na história, o protagonista Horácio acorda fora do eixo, desencaixado. São tempos sombrios. Ele e sua esposa Dolores enfrentram há sete meses A Nova Ordem; governo mundial único comandado por uma pequena elite. Uma ditadura que extinguiu toda a comunicação, a arte e o lazer. Não há dinheiro, emprego e a população sobrevive às custas de cestas básicas.

Dolores lhe consegue uma disputada entrevista de emprego. Justo naquela manhã, Horácio acorda em surto de pânico na “Hora Errada”. Como em Fausto de Goethe, nessa entrevista, Horácio recebe uma proposta enigmática: para manter-se vivo terá que abandonar todos os seus valores e crenças. A partir daí, além de atravessar um conflito interno, Horácio também terá que confrontrar-se com a oposição de sua mulher. Um homem forçado a mudar de lado radicalmente. Segundo Lourenço Mutarelli “Meu pai que era um artista frustrado e que virou um policial e que nesse trabalho ele torturava pessoas. Essa peça é uma tentativa, não vou dizer de perdoar, de tentar entender alguém que queria trabalhar com pintura com desenho e foi trabalhar na polícia e entre outras coisas usar a tortura como ferramenta. Eu não consigo entender como uma pessoa faz isso e se mantém, tem estrutura e consegue se isolar, se distanciar disso e viver uma vida aparentemente comum.”

O Brasil recém-completou 50 anos do início de nossa ditadura, e em sincronia com a ficção, a peça trata de alguns fantasmas da nossa contemporaneidade: o retorno de um regime totalitário, o colapso econômico, a escassez de recursos naturais e o extermínio em massa.

A peça vai além de uma simples revisão histórica; não se trata de deparar-nos com a opção sem saída de repertirmos a História no que ela tem de mais nefasto. Ela amplia a reflexão ao lembrar-nos de que somos parte da natureza e a ela por si só, é, auto-destrutiva.

Ficha Técnica

Dramaturgia: Lourenço Mutarelli.
Elenco: Magali Biff e Zémanuel Piñero.
Direção: Tomás Rezende

Serviço

Dia 29, quarta, às 20h.
Teatro. 110 min. 14 anos
Preços: R$ 17,00 R$ 8,50 R$ 5,00
Venda de ingressos online a partir das 15h do dia 21/4 e venda nas bilheterias a partir das 17h30 do dia 22/4.

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