Confira a programação de maio do Cineclube CDCC da USP

Com sessões gratuitas aos sábados, às 20 horas, o Cineclube do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP em São Carlos promoverá no mês de maio a seguinte programação:
220px-Norma_rae_ver29 – NORMA RAE
Norma Rae, Estados Unidos, 1979, Drama, 110 minutos
Direção: Martin Ritt
Elenco: Sally Field, Beau Bridges, Gail Strickland, Pat Hingle, Noble Willingham, Grace Zabriskie
Um filme da luta sindical. Embora surgidos há mais de um século e meio antes dos acontecimentos do filme, os sindicatos sempre foram, pela perspectiva dos donos dos meios de produção e do capital, o inimigo, pois para garantir condições razoáveis de trabalho, cria exigências que vão contra a compra de trabalho unilateral e a alienação dos operários. Contrapõe-se, por exemplo, a fundamental ideia de cidadania comercial do comunista utópico Robert Owen (do século XVIII), que afirma que pessoa saudável e feliz produz mais e com mais qualidade e que estava indiretamente em pauta na década de 1970, devida à imersão do comunismo nas sociedades capitalistas.
Norma Rae, no filme, é a desordem que representa a luta. Filha de pais operários na mesma fábrica têxtil de uma cidade pequena do sul dos Estados Unidos, ela está em constante divergência com os patrões que são indiferentes às condições miseráveis de trabalho, em que a jornada é longa, a remuneração é baixa e o ambiente é nocivo. Mãe de filhos de pais distintos e de personalidade forte, ela manifesta seu descontentamento ao descaso ao proletário quando apoia um representante sindical recém-chegado. Ainda envolvida em questões preconceituosas de raças e religiões, a cidade sulista inicialmente condena o intruso, que é judeu e comunista. Com o ajuda de Norma, no entanto, ele consegue chamar a atenção da população local, sendo odiado pelos patrões, apoiado por uma minoria revoltosa e ignorado pelo restante. A trama segue na tentativa de convencer a população a instaurar um sindicato local. Paralelamente são abordadas questões psicológicas de Norma e de quem a rodeia, com o fim de denotar o quão prejudicial à vida é o trabalho sem ordem e sem regras de interação entre as duas entidades que o mantém.
Contextualizado, o filme teve suma importância em seu lançamento, pois incitou numa adoção geral dos sindicatos e em uma conseguinte revolução da divisão internacional do trabalho.
Lucas Marques Gasparino
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Tema: Direitos Trabalhistas
Contém: Violência
salvador_filme16 – SALVADOR (PUIG ANTICH)
Salvador (Puig Antich), Espanha, 2006, Biografia/Drama, 134 minutos
Direção: Manuel Huerga
Elenco: Daniel Brühl, Leonardo Sbaraglia, Leonor Watling, Mercedes Sampietro, Juan Carlos Vellido
Ambientado na Espanha da ditadura de Francisco Franco, o filme “Salvador” tem como premissa uma pseudo biografia do Movimento Ibérico de Liberação (MIL), centrado na figura homônima Puig Antich, um burguês de vida tediosa e maçante que adere ao movimento pela adrenalina e pela glória. Assaltante de bancos passivo (é o motorista no assalto, enquanto seus parceiros efetuam o roubo), amante hesitante (intransigente à amada casada) e complacente a quaisquer ideais de seus amigos socialistas libertários, Salvador representa uma personalidade espontânea que se tornou mártir.
Antes de sua prisão, Salvador é membro ativo, embora sem papel principal no movimento que tem como primícia o financiamento (de origem imoral) de ações intelectuais contra a ditadura.  Em uma ação inconsequente contra os representados pérfidos, carrascos e nada imparciais policiais, Salvador acaba por ser preso e posteriormente julgado pelo tribunal de guerra à sentença de morte.
Agora prisioneiro e impotente, Salvador se torna símbolo do movimento contra as arbitrariedades ditatoriais.
Lucas Marques Gasparino
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Tema: Ditadura
Contém: Assassinato, insinuação sexual, nudez
hannah_cartazEVITA (1)23 – HANNAH ARENDT
Hannah Arendt, Alemanha/França, 2013, Biografia/Drama, 113 minutos
Direção: Margarethe Von Trotta
Elenco: Barbara Sukoa, Axel Milberg, Janet McTeer, Julia Jentsch, Ulrich Noethen, Nicholas Woodeson
Alvo de interesse mútuo das grandes corporações de imprensa do mundo, o julgamento de Adolf Eichman era o furor do momento em 1961. Assim como abutres famintos, a imprensa mundial representada por seus fieis escudeiros, os jornalistas, seguiu o caminho que melhor os levasse à carniça, acontecimento até então único após a Segunda Guerra Mundial. A carniça se mostrava quente e Hanna Arendt foi escolhida pelo jornal The New Yorker para acompanhar aquele julgamento em Israel, por ter vivenciado as transformações pela qual a Europa passou enquanto a ideologia Nazista permeava a pátria germânica, além de judia ela acumulou experiências que a capacitaram em muitos aspectos, desde sua origem até a fuga de Gurs, um campo de concentração na França e seu amadurecimento na América, onde se refugiou.
Ex-encarregado da logística da morte e fiel aos mandamentos do Führer, Eichman, executava as ordens encaminhadas sem perguntas e sem medir consequências. Seu juramento divino o isentava da ética e o livrava do pecado ao manchar suas mãos e vida com sangue impuro, aos olhos do nazismo. Com a iminência da derrota do Eixo, muitos oficiais abandonam seus postos e se refugiam em vários lugares no mundo temendo retaliações.
Semelhantes quanto à nacionalidade, mas diferentes quanto aos lados, Eichman o opressor e Hanna a oprimida, protagonizam no tribunal uma vastidão de sensações e sentimentos, ele por ter sido sequestrado em surdina para ser julgado e ela por tormentos ligados ao passado das perseguições. Dissertou suas conclusões a respeito do que julgava ser coerente com seus princípios e com a História, não poupou lados e nem palavras, apenas deu corpo e vida a seus pensamentos em uma série de cinco artigos que visavam esclarecer a questão do verdadeiro mal num julgamento que por muitos era tido como uma “dádiva divina”, uma redenção para o mal causado aos judeus, um assunto de elevada tensão e peso histórico que foi deixado sob suas talentosas mãos.
Marlon dos Santos Melhado
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Tema: Nazismo
Contém: Drogas lícitas e violência
EVITA (1)30 – EVITA
Evita, Estados Unidos, 1996, Biografia/Drama/História, 135 minutos
Direção: Alan Parker
Elenco: Madonna, Antonio Banderas, Jonathan Pryce, Jimmy Nail, Mark Ryan, Alan Parker, Mem Ferda
Musical protagonizado por Madonna que retrata ora a ditadura ora a república peronista na Argentina. Ela contracena com Antonio Banderas, que personifica um rapaz onipresente que se manifesta com as mais distintas personalidades, classes sociais e carreiras e que está sempre apto a cantar o momento, de uma forma bastante crítica e nítida, seja a aclamar Evita e a Ditadura, seja duramente recriminá-las.
Eva Duarte, inicialmente uma garota do campo, tem uma beleza incomparável e atrai todos os homens para si. Ela se aproveita dum ensejo de um cavalheiro cantor de Buenos Aires que se hospeda no hotel da cidade, para acompanhá-lo ao mundo urbano, que conquistará e apaixonará, tanto antes de Juan Perón (seu futuro marido), em que se torna uma atriz de cinema, quanto durante, em que se assume como símbolo do governo militar, como uma mãe dos pobres (tal igual Getúlio Vargas foi pai).
Seus projetos baseavam-se no Justicialismo, uma suposta alternativa aos conflituosos comunismo e capitalismo, de forma que se constituía como um meio para o bem do país a partir de um governo profundamente cristão, repreensor, humanista, nacionalista e popular. Acabou também, devida à sua personalidade feminina de imponência e cultura, por estimular o surgimento de movimentos e partidos feministas.
No filme, que é de autoria dos Estados Unidos, o principal incitador de ditaduras militares na América Latina, há ironicamente uma dura condenação ao governo e à imagem de Eva Perón, que na trama se assemelha a uma déspota com táticas de pão-e-circo, que ignora os desvios de dinheiro e tem relação íntima com os fascismos de Mussolini, da Itália, e de Franco, da Espanha.
O fim se dá como o início, a mitificação de uma figura viva e a perpetuação de sua simbolização, que até os dias de hoje resulta em nostalgia aos argentinos que aguardam, assim como os portugueses o D. Sebastião e as religiões os seu messias, uma personalidade responsável pela ascensão da classe trabalhadora.
Lucas Marques Gasparino
LIVRE PARA TODOS PÚBLICOS
Tema: Fatos históricos da política argentina
Apoio cultural da Locadora Vídeo 21.
O CDCC fica na Rua nove de julho, 1227, Centro.
Mais informações:
Tel.: (16) 3373-9772

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