Cia Mevitevendo Traz Mostra de Teatro de Animação no Sesc São Carlos

Mostra de Repertório com Cia. Mevitevendo traz para São Carlos um trabalho profundo e autêntico sobre o Teatro de Formas Animadas (bonecos, máscaras e objetos). A mostra será uma Trilogia dos Contos que faz um convite para reviver os clássicos da infância de crianças de todas as idades. Acontecerá aos sábados nos dias, 13, 20 e 27 de junho às 16h.

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A Cia. Mevitevendo (São Paulo) pesquisa e dedica-se exclusivamente ao Teatro de Animação desde 1998, ano em que mudou-se do Rio Grande do Sul para São Paulo. Fundada pela dupla de atores-criadores Marcia Fernandes e Cleber Laguna (ambos formados em Artes Cênicas pela UFSM-RS), já montou diversos espetáculos com as mais diferentes técnicas de construção e manipulação de figuras, colocando em cena desde pequenos personagens de papel até uma gigantesca criatura habitada; histórias com início, meio e fim, e outras sem pé nem cabeça; trabalhos com muito texto ou sem palavra alguma. E também sombras, objetos, máscaras e bonecos mistos (uma curiosa técnica trabalhada pela Companhia, em que o personagem é composto por partes do boneco e partes do corpo do ator). Com montagens que misturam referências do teatro gestual, do cinema de animação e das artes visuais, participou de importantes festivais de teatro e programações culturais em mais de vinte estados brasileiros. Já levou seus bonecos para Espanha e França, montou exposições com seu acervo, além de ganhar uma adaptação para a televisão de um de seus espetáculos. Na capital paulista realizou temporadas em importantes palcos como Sesc Belenzinho, Sesc Pinheiros, Sesc Via Mariana, Sesc Santana, CCSP e Itaú Cultural, além de participar de programações especiais do CCBB, das Fábricas de Cultura e dos CEUs.

Com um trabalho contínuo de estudos teóricos e práticos, a Companhia investiga a relação do ator com bonecos e máscaras, e tudo que juntos são capazes de criar, sugerir e provocar. Dona de um imaginário singular, a Companhia é especialista em encenar universos inventados, criar personagens estranhos, e buscar naquilo que seria feio e esquisito, a beleza de seus espetáculos. Acredita que está no irreal e no extra cotidiano seu caminho para um teatro mais expressivo, vivo e capaz de dialogar com as mais diferentes questões contemporâneas.

 

OS ESPETÁCULOS

 

UMA HISTÓRIA DE JOÃO E MARIA

Há muito tempo, quando ainda era antigamente e quase tudo podia existir, havia uma grande floresta cheia de perigos e encantos. Duas crianças perdidas, uma velha malvada esperando por elas… Um mundo encantado cheio de sons e sombras! João e Maria estão em apuros, eles estão com medo, eles estão sonhando… E na imensidão da floresta escura muita coisa pode acontecer.
Livremente inspirado em Hansel e Gretel, clássico da literatura para crianças, o espetáculo mistura de forma singular atores, bonecos, sombras e máscaras para contar a história de dois irmãos que encontram a casa de uma bruxa bem no meio da floresta.

ZERO

ZERO é um lugar estranho, não muito longe daqui. Ali, tudo “quase” existe e nada é verdadeiro. Manivelas fazem o sol e a lua aparecerem e um único botão é capaz de acender um céu de estrelas. Seu habitante mais ilustre, o azedo Senhor Z, para afastar o tédio, passa os dias lendo memórias alheias. Estranhamente perdeu todas as lembranças que tinha e esqueceu que uma vez já foi criança. Neste mundo esquisito tudo é chato e sem graça, até aparecer um pequenino rouxinol que voa e canta de verdade. Mas o pássaro logo é engaiolado e nomeado cantador oficial daquele mundo. Um dia, um vendedor de Maravilhas aparece com uma engenhoca que canta quase tão bem como o pássaro verdadeiro… Quase! Rapidamente o rouxinol é substituído pelo bichinho de lata, mas como toda máquina, também enferruja e para. Então, de tristeza, Senhor Z adoece gravemente e recebe uma arrepiante e indesejada visita. Somente alguém poderá salvá-lo, somente um canto será capaz de transformar aquele lugar para sempre.

O espetáculo é um conto de fadas que fala de um mundo artificial, onde tudo é artificial e a aparição de um simples pássaro transforma a vida de todos. Falando de opostos como matéria e emoção, velho e novo, arte e tecnologia, a encenação coloca de maneira sensível e divertida questões urgentes para essa época em que vivemos, cada vez mais dependentes de modernos aparelhos e mais afastados uns dos outros.

ZERO é livremente inspirado no conto “O Rouxinol e o Imperador” de Hans Christian Andersen. Bonecos, atores e máscaras recriam esse conto de fadas num clima contemporâneo, com atmosfera absurda e estranha. A história, que originalmente se passa na China, agora acontece num lugar inventado, onde tudo é de mentira. O imperador da história original transforma-se no melancólico e azedo Senhor Z, um governante arrogante e sem memória, incapaz de lembrar que um dia foi criança. A encenação preserva traços da obra de Andersen, como a crítica ao materialismo, o conflito entre poderosos e humildes e os personagens retratados de forma engraçada e caricatural. ZERO fala, sobretudo, da necessidade de humanização para reverter o processo que transforma o homem em coisa; da imaginação e da arte como meios de vencer o embrutecimento e de como as coisas mais simples e verdadeiras são capazes de nos encantar e transformar.

A dramaturgia explora o jogo divertido das palavras e a riqueza de imagens e situações. A encenação dá espaço para o público imaginar, deduzir, questionar e surpreender-se. A singularidade plástica e a narrativa cheia de surpresas e movimentos confere novos significados para essa antiga história. A técnica de animação empregada é a do boneco misto – curiosa junção de partes do boneco com partes do corpo do ator. A proposta é criar um espetáculo insólito, onde tema, conteúdo e forma possam desacomodar as percepções e provocar questionamentos.

ESSES OLHOS TÃO GRANDES

Uma nova história… Com quase quatrocentos anos! Num estranho teatro de bonecos, figuras esquecidas e empoeiradas revivem uma das mais conhecidas histórias de medo e aventura. Uma menina com grandes olhos curiosos decide viver o sonho de descobrir o mundo, então o velho teatro transforma-se num lugar de maravilhas e mistérios. O perigo está por perto e um conhecido vilão fará de tudo para atrapalhar seu caminho. Mas ela sabe que a vida é mais bela e engraçada quando se tem um chapéu de vento e uns sapatos de percorrer estrada.

O espetáculo foi indicado ao Prêmio CPT de Teatro 2012 (Melhor infantojuvenil). Livremente inspirado em Le Petit Chaperon Rouge de Charles Perrault, ESSES OLHOS TÃO GRANDES é o segundo espetáculo de uma trilogia iniciada com ZERO de Hans Christian Andersen. A conhecida história da menina ameaçada por um lobo cruel ganha agora surpreendentes significados, numa forma bem insólita de ser contada. Para além dos determinantes estudos da psicanálise e das versões cheias de piadas e sacadas moderninhas, ESSES OLHOS TÃO GRANDES foca no desejo humano de descoberta e fala da busca por outro modo de olhar o mundo, acreditando que ele é do exato tamanho da nossa capacidade de vê-lo, com seus encantos, perigos e descobertas. É a própria metáfora do Teatro e do teatro de bonecos. Para a Cia. Mevitevendo, o teatro de animação altera a percepção do real, desacomoda os sentidos, redimensiona o olhar. Ela acredita que a realidade já é real demais, triste demais, desiludida demais. Prefere o imaginário. Em suas montagens, mais importante que entender é sentir. Desse modo, a Companhia busca uma experiência afetiva do público com a obra.

Com uma linguagem que mistura bonecos, máscaras e atores, o espetáculo quer criar um jogo dinâmico e altamente visual. Texto, música e figuras de variadas técnicas e dimensões constroem uma narrativa cheia de surpresas, nuances e diferentes níveis de entendimento. Neste espetáculo a Companhia dá prosseguimento a sua pesquisa com bonecos mistos (onde partes do ator e partes da figura compõem o boneco), com sombras e com a relação entre atores e formas animadas.

Serviço:

Data: Dias 13, 20 e 27 de junho.

Horário: 16h.

Ingressos: R$ 17,00 (inteira); R$ 8,50 (meia); R$ 5,00 (credencial plena).

Local: Unidade São Carlos – Av. Comendador Alfredo Maffei, 700 – Jd. Gibertoni – São Carlos – SP

Mais informações pelo telefone: 3373-2333

 

 

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