O poder do repertório, por Marcelo Flecha

IMG_3262O maior patrimônio de um grupo de teatro é o seu repertório. Ele multiplica, triplica, quadruplica o alcance das suas ações, dependendo do óbvio cálculo matemático, se um, dois, três, ou quatro espetáculos compõem o seu capital cênico.

Ano passado, enquanto estávamos na XVI Mostra SESC Cariri de Cultura, com “Pai & Filho”, o cenário de “Velhos caem do céu como canivetes” viajava para o 9º FENTEPIRA – Festival Nacional de Teatro de Piracicaba. A MITPB – Mostra Internacional de Teatro Paraíba em Cena exclui espetáculos que tenhas se apresentado no estado da Paraíba: impossibilidade para “Pai & Filho”, que ocupará o Centro Cultural BNB de Sousa/PB, em agosto, mas livre para “Velhos caem do céu como canivetes”, que participará da mostra em outubro. Et cætera.

Também, do seu repertório, surgem novas atividades formativas demandadas pelas necessidades apresentadas na construção de uma nova encenação, mesmo que a metodologia seja a mesma, pois, um novo espetáculo não se enquadra, não se enjaula, não se prende; algo novo sempre nos toma de assalto.

Palestras, oficinas, vivencias, workshops, são frutos de uma nova experiência cênica, e enlanguescem a emissão de conteúdo provindo da encenação em questão, despertando novos interesses, diferentes olhares e maior particularidade no aprofundamento de suas reflexões.

Essa pluralidade potencializa o retorno econômico, fundamental para a manutenção de uma pesquisa teatral continuada, sem a necessidade de dispersar tempo criativo com outras ocupações profissionais, tão comuns aos fazedores de teatro do Maranhão.

A gênese da solução para evitar essa equação adversa é investir no repertório. Claro que, para capitalizar esse retorno, a necessidade do grupo conter elenco estável é basilar. Também, a qualidade, versatilidade e pluralidade desse elenco. Sem um mínimo de dois desses atributos não vejo possibilidade de capitalização.

O difícil é manter o foco, não desviar a atenção, não se seduzir por resultados imediatos, não ceder a pressões externas, avaliar a empolgação, analisar se decisões intempestivas ou entusiasmadas tomadas hoje não comprometem o desenvolvimento do coletivo amanhã.

Foram as nossas decisões no decorrer dos últimos dez anos, focada nesse princípio básico, que possibilitaram a sobrevivência e subsistência dos membros da Pequena Companhia de Teatro até hoje. Não fosse assim, seria impossível ter resistido a anos de crise como o de 2009, com sua fatídica conjuntura político-financeira.

Marcelo Flecha

Diretor e dramaturgo, é um dos idealizadores da Pequena Companhia de Teatro, de São Luís (MA). Publicou o livro Cinco Tempos em Cinco Textos: Dramaturgia Reunida

 

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