Célula(r), por Aline Bei

Logo cedo pensei em te escrever.
não estou acreditando nesse nosso silêncio de meses, nesse conforto
de ambas as partes em saber que
chega entre nós,
deu. Estamos incrivelmente assentados
no nosso
fim. De pernas cruzadas, bebendo em cima do passado
um chá
de camomila dedo em riste e
se perguntarem se nos conhecemos eu digo
sim, mas
faz tempo
que não o vejo. não faço ideia de como
ele está.
Não vou te ver envelhecer, Danilo. Meu quarto ganhou um quadro que você
nunca viu.
Pensei em te escrever:
Saudade.
Pensei em te escrever:
cu.
Pensei também em:
O tempo.
Ou 1, mais direto:
Vamos se ver?
Escolhi o nada
e quando digo de uma amizade de anos que nunca mais ouviu a voz dos 2 amigos,
não por canalhice ou
por lonjuras de estradas fora, mas
por pura preguiça das distâncias de dentro, eu conto disso pras pessoas e elas acham normal, seguem tomando seus
drinks.
É normal,
elas me olham intactas. Aconteceu comigo e com o Jorge, lembra?
Não lembro,
meu medo
é esquecer teu rosto se eu nunca mais olhar foto sua.
Aconteceu com a minha amiga Giovanna. Lembro da presença dela em mim, da grafia do nome dela na lista de chamada, do sol
alto do meio
dia mas
do rosto dela,
Nadinha.
Ela pode ter passado por mim na rua ontem, anti
Ontem: não vi.

Escrevi:

se eu morrer antes, você chora?

não mandei.

Aline Bei

A busca ou o processo.
(nunca o pronto)

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