Coletivo Pi apresenta performance no Pátio do Museu Nacional de Belas Artes

O Coletivo Pi participa da Maratona Cultural Cidade Olímpic com a performance Contornos, que questiona de forma poética os contornos que definem e segregam a mulher na sociedade. Serão quatro mulheres utilizando seus corpos para deixar suas marcas em uma tela, montada no Pátio do Museu Nacional de Belas Artes. A Maratona Cultural celebra o marco de um ano para o início dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, e com essa performance o coletivo faz referência à todas as atletas mulheres que marcaram e ainda marcam o esporte brasileiro.

Contornos

Contornos

CONTORNOS FEMININOS SE TRANSFORMAM EM UMA TELA NO MUSEU

O Coletivo Pi é famoso por realizar performances e intervenções urbanas ousadas e efêmeras na cidade de São Paulo, unindo diferentes linguagens, como teatro,  dança, performance e artes visuais, para compor suas criações. Recentemente o Coletivo se apresentou pela primeira vez no Rio de Janeiro, com uma passagem potente e emblemática pelas cidades de Teresópolis e Nova Friburgo, com a intervenção urbana “Entre Saltos”. Agora o Coletivo pretende surpreender o público carioca novamente, com sua performance chamada “Contornos”, em que quatro mulheres criam uma tela ao vivo, pintada com os próprios corpos. Cada performer se banha em tinta de cor diferente e pinta uma tela a partir de seus movimentos corporais, deixando contornos coloridos. A performance integra a programação da Maratona Cultural Cidade Olímpica, que celebra o marco de um ano para o início dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, com diversas atividades gratuitas que acontecerão na Praça da Cinelândia durante o dia todo. O Coletivo Pi se apresenta às 15h00 no Pátio do Museu Nacional de Belas Artes.

“Coletivamente a sociedade decidiu muitas coisas para o  gênero feminino, limitou seu desenvolvimento e construiu barreiras, que continuam a criar um desequilíbrio entre os gêneros. Através da expressão artística da performance Contornos, ocorre um desalinhamento corporal, provoca, estimula um novo conceito e gera uma nova imagem para o gênero”, comenta Mari Sanhudo, assistente de produção.

O trabalho surgiu da ideia de criar uma grande parede branca com as marcas de corpos, imprimindo cor e movimento, usando a materialidade do corpo como instrumento principal para feitura da tela, deslocando a importância da obra para o momento de sua criação, valorizando o processo e não apenas o produto final. A ação tem inspiração na pintura gestual de Jackson Pollock, cuja pintura era fruto de uma composição de movimentos e gestos, em que o artista entra na obra e dá vasão ao ato espontâneo de criar. Outra referência é a artista contemporânea Heather Hansen. Ela une a dança e o desenho, criando grandes telas simétricas por meio de performance em que pinta com seu corpo as telas, usando carvão e os movimentos coreográficos.

“A simples ação de carimbar-se em uma tela fez, em todas as vezes, com que eu entrasse em conflito e em comunhão com minhas crenças, meu corpo, a tela a ser pintada, o público e com espaço onde a ação é proposta. Se olhar no espaço, olhar para as performers que estão comigo, olhar para as pessoas, para a tela e pensar ‘sou eu, este é meu corpo brincando e dançando do jeito dele, da melhor e mais sincera forma que eu sei fazer agora. É uma contradição trazer esse espírito em um evento relacionado ao esporte, onde uma das maiores virtudes é a potência do corpo, mas o esportista também está a mercê do dia, do clima, das influencias externas e a mercê de si mesmo quando joga. Então, acho que temos algo em comum”. Explica Chai Rodrigues, performer.

Sobre o convite para a Maratona Cultural Cidade Olímpica, Priscilla Toscano, performer e diretora do Coletivo PI, explica “Quando recebemos o convite do Minc para participar de um evento relacionado às Olimpíadas, imediatamente eu propus trocar algumas cores de Contornos para fazer referencia as cores da bandeira brasileira. Pensei nas diversas mulheres que ainda hoje são excluídas de inúmeras modalidades esportivas, e nas nossas corajosas pioneiras que abriram os caminhos em tempos em que um time feminino de futebol era “sacrilégio”. Fazer essa performance na Maratona Cultural Cidade Olímpica é para mim também uma forma de homenagear essas esportistas e lembrar por exemplo de mulheres como Elane dos Santos, ex-capitã da seleção feminina de futebol, que participou de três copas do mundo e vestiu durante doze anos a camisa do Brasil, e hoje é motorista de ônibus no subúrbio do Rio e vive com uma renda de menos de dois salários mínimos.”

A performance é uma celebração, que une diversas linguagens artísticas: a performance, a dança, a música e as artes visuais, além dos elementos da streetart como o stencil de contornos femininos que iniciam a feitura da tela. O trabalho acompanha a perspectiva de pesquisa em site specific do Coletivo PI, sendo desenvolvido em diálogo com o espaço da ação. A performance pode ser realizada numa grande tela ou em muros e paredes da cidade, ganhando contornos próprios a cada realização. Nesta apresentação, por ser uma obra aberta, pretende-se trabalhar com as cores da bandeira do Brasil, dialogando com a temática das Olimpíadas e em referência às atletas mulheres que marcaram e marcam a história do esporte brasileiro.

Contornos nasceu da ideia da diretora Pâmella Cruz e teve sua estreia em maio de 2014 na programação da Virada Cultural de São Paulo, sendo realizado no Sesc Vila Mariana em uma grande tela branca montada em estrutura de box truss. Em 2015, o trabalho foi redefinido e entrou na programação do Sesc Ipiranga no mês de janeiro, dentro da programação de comemoração do aniversário da cidade de São Paulo, sendo apresentando duas vezes na rua lateral do Sesc em tapumes de madeira fixados nos portões da unidade.  Em fevereiro deste ano foi realizado em sala fechada, como galeria, na Universidade Mackenzie, pintando com os corpos todas as paredes do espaço. Por fim, em abril, fez parte da festa performativa ¡VengaVenga! Giramundo, sendo realizado no espaço Nos Trilhos por meio de tela fixada abaixo de um viaduto.

A idéia inicial dessa performance, partiu da diretora e performer do Coletivo Pi, Pâmella Cruz: “Quando tive a primeira ideia para Contornos, e levei ao grupo, era a imagem de muitas mulheres saindo às ruas, banhadas de tintas coloridas e carimbando o contorno de seus corpos nas paredes e muros da cidade, deixando um rastro de suas presenças, marcando um corpo que celebra a vida. Contornos, pra mim é a metáfora do corpo feminino que se confronta com as imposições de uma sociedade ainda patriarcal ,com os padrões de beleza, mas  dança e brinca, imprimindo cor, prazer, liberdade nessa relação.  Por ter elementos lúdicos, a performance se configura como uma brincadeira, que liberta o corpo e colore o espaço. Assim, o trabalho atinge todas as idades e é passível de diferentes leituras como a criança que assiste e vibra com o ato de jogar tinta pelo corpo e a mulher que reflete sobre a sua existência a partir de um corpo ressignificado.

Contornos é uma reflexão poética sobre o corpo/matéria e a identidade/feminilidade. A performance encara o corpo como nosso território, a materialidade de nossa existência e pensa sobre os contornos femininos, como eles definem e segregam, quais as possibilidades transitórias de um corpo que é território, quais os carimbos que deixamos ou levamos em nossa relação com a cultura/cidade, que também é território, porém coletivo. É uma performance inusitada, que interfere no espaço e deixa a tela como lembrança viva de uma celebração.


COLETIVO PI – PERFORMANCE E INTERVENÇÃO

Contornos

Contornos

O Coletivo Pi criado em 2009, pelas atrizes e diretoras Pâmella Cruz e Priscilla Toscano, é um núcleo de performance e intervenções urbanas que realiza intervenções e ações híbridas, trabalhando nas fronteiras das linguagens: teatro, vídeo, instalações plásticas, dança, entre outras. O núcleo é formado também por Natalia Vianna, Chai Rodrigues, Mari Sanhudo e Jean Carlo Cunha.

A pesquisa do grupo tem como base o diálogo entre o artista e o espaço na construção de formas poéticas que representem e transformem um espaço (físico ou imaginário), resgatando memórias, discutindo suas funções e propondo novas percepções nas relações entre o sujeito e a cidade. E um dos objetivos do coletivo, é pensar e realizar intervenções e performances sob a ótica do gênero feminino, reafirmando a rua e locais utilizados cotidianamente como espaços da experiência, memória e afetividade.

Em 2013, o Coletivo PI recebeu o Prêmio FUNARTE – Mulheres nas Artes Visuais, com a performance urbana “Entre Saltos”, chegando a reunir cerca de 150 pessoas atuando em cada uma de suas ações, passando por cidades como São Paulo, Campinas/SP, Porto Alegre/RS e Salvador/BA.

Fruto deste trabalho é o documentário “Entre Saltos”, que apresenta um panorama geral das quatro ações, realizadas. Entre os entrevistados estão a representante da Associação das Mulheres Guerreiras de Campinas, Denise Martins, que defende a proposta de regulamentação da prostituição; e a artista plástica mexicana Ana Tereza Fernández, que foi uma das convidadas especiais do projeto.

Já em 2014, com grande sucesso de público, realizou temporada do seu espetáculo inspirado em pensadores como Michel Foucault e Zygmunt Bauman, chamado “O retrato mais que óbvio daquilo que não vemos”, resultado de sua ocupação artística na Casa das Caldeiras.

Em 2015, realizou a performance Contornos, no Sesc Ipiranga e Universidade Presbiteriana Mackenzie, questionando o corpo feminino na sociedade e suas marcas, criando uma tela pintada com seus corpos. Em parceria com o SESC-SP, realizou temporada da intervenção “Na Faixa”, propondo uma reflexão sobre as relações com a terceira idade na sociedade contemporânea. Viajou por diversas cidades de São Paulo, realizando intervenções efêmeras, promovendo encontros de gerações, na faixa de pedestres, surpreendendo motoristas e passantes. Também em 2015, realizou a série de Saraus Culturais sobre “Literatura Feminina Contemporânea”, no espaço histórico Casa das Rosas, em São Paulo.

Em Julho, o Coletivo Pi se apresentou pela primeira vez no Rio de Janeiro. Com sua intervenção “Entre Saltos” fez uma passagem histórica e emblemática pelas cidades de Teresópolis e Nova Friburgo, durante o Festival de Inverno do Sesc Rio, ocupando as ruas para discutir o gênero feminino. No próximo sábado, o Coletivo Pi volta ao Rio de Janeiro, para apresentar pela primeira vez a sua performance Contornos, no pátio do Museu Nacional de Belas Artes.

SERVIÇO

Performance Contornos – O Coletivo Pi participa da Maratona Cultural Cidade Olímpica e apresenta sua performance Contornos, que questiona de forma poética os contornos que definem e segregam a mulher na sociedade. Serão quatro mulheres utilizando seus corpos para deixar suas marcas em uma tela, montada no Pátio do Museu Nacional de Belas Artes. A Maratona Cultural celebra o marco de um ano para o início dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, e com essa performance o coletivo faz referência à todas as atletas mulheres que marcaram e ainda marcam o esporte brasileiro.

Quando: 08/08/2015 – às 15h00 (Recomenda-se chegar com certa antecedência)

Onde:  Museu Nacional de Belas Artes – Avenida Rio Branco, 199 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20040-008 – (21) 2219-8474. (pátio interno do museu)

Duração: 30 minutos – Entrada Gratuita

FICHA TÉCNICA

Criação e Produção Geral: Coletivo PI

Performers: Chai Rodrigues, Natalia Vianna, Pâmella Cruz e Priscilla Toscano

Partitura Corporal: Marcelo D’Ávilla e Ednei Reis

Equipe de Produção: Jean Carlo Cunha e Mari Sanhudo

Mais informações na página do Coletivo Pi – www.coletivopi.com.br // Facebook: Coletivo Pi

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s