‘A Poeira da Glória’ conta a história “politicamente incorreta” da literatura brasileira

unnamedDo clássico Machado de Assis aos contemporâneos Bernardo Carvalho e Daniel Galera, retrocedendo a Padre Antonio Vieira e passando por nomes como Guimarães Rosa, Cecília Meirelles e Nelson Rodrigues, são poucos os que se salvam neste livro de Martim Vasques da Cunha. Uma obra que pretende descortinar as “relações insuspeitas que há entre literatura e política”, “A poeira da glória” é um ensaio de crítica cultural, frisa o autor, que tem a literatura como seu principal objeto de análise. Aos que pensavam que a crí ;tica cultural no Brasil – mais que a simplesmente literária – havia encontrado “o fim da história” em Antonio Candido e seus discípulos, o livro representa uma imensa surpresa: Martim recoloca todas as peças no tabuleiro, inclusive a de Candido.

Autor lança a obra nesta quarta, 28, na Livraria da Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, a partir das 19h. No Rio, lançamento será no dia 3 de novembro, na Travessa do Leblon, a partir das 19h. Martim Vasques da Cunha é escritor, jornalista, doutor em Ética e Filosofia Política pela Universidade de São Paulo, colaborador do Jornal Rascunho e autor do livro Crise e Utopia – O Dilema de Thomas More (Vide Editorial, 2012).

A poeira do título, segundo o autor, é uma referência a uma expressão do escritor Otto Lara Resende e também é a soma de equívocos que cobrem os autores brasileiros e com os quais os leitores brasileiros tiveram que lidar, por medo ou reverência. “Minha intenção é analisar um determinado estado de coisas e descobrir por que estamos nesta situação de calamidade pública e privada que contamina o país desde o descobrimento; e a única ferramenta que tenho em mãos é justamente esta literatura que tanto depreciamos e que somos obrigados a suportar, como um xarope amargo, na hora de enfrentar o Enem, o vestibular ou o cocktail regado a vinho branco alemão”, escreve o autor no texto de abertura do livro. “A poeira da glória” chega às livrarias em novembro pela editora Record.

 TRECHO

“Qualquer um já viveu a seguinte situação: ao presenciar um debate entre cientistas políticos, historiadores, filósofos, críticos literários, escritores, percebeu-se que, atrás da superfície da polidez e das palavras bonitas, todas emolduradas por conceitos como ‘tolerância’ e ‘pluralismo’, no fundo ninguém concorda com ninguém, e todos querem ter somente uma garantia de que o seu quinhão, o status quo, não foi atingido, sequer arranhado. Eles não estão em busca daquela travessia arriscada que o filósofo inglês Michael Oakeshott chamava de ‘a aventura da conversação’. O que eles querem manter é a sua posição nos labirintos do poder . Procura pela verdade? Podem esquecer. O que esses sujeitos pretendem é permanecer na mentira custe o que custar.”

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