Dama do Lodo: Maria Porqueira, por Marina Filizola

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Sou praticamente a mesma. Cresci um palmo, emagreci meio. O resto fica por conta. Hematomas mais que pele. Coleciono que nem troféu. Tenho canelas que não me merecem, mais esbarram do que aparecem. Muito sexy, é o que dizem. Você sabe, não sou do tipo que acredita. As roupas coloridas que eu rasgava com tesoura ainda uso. Não sobrava uma inteira. Minha mãe ficava pela hora da morte. Não me dava mais nada. Por isso eu sempre usei as mesmas. Maria Porqueira, ainda me chamam assim. Pode rir.

Cresci um palmo. Emagreci meio. Vergonha na cara num veio. Veio ruga. Uma certa canseira de pular muro e rasgar joelho. E uma vontade de pintar unha de vermelho. Pentear cabelo com um nó bem feito. De olhar o rosto mais tempo no espelho feito moça de novela. Nada que me impeça de ir mas me fez pensar um pouco antes. Teve um dia que subi pra olhar a altura. Você já imaginou? Isso é coisa de idade, de quem cresceu. Você acha que eu cresci um palmo?

Emagreci meio. Tô esquisita. As pernas arqueadas pra fora feito cowboy. Cheia de amigo menino e sem namorado, naquele tempo até dava, agora fica estranho. As unhas sempre lascadas, os joelhos ralados, tem dó! Minhas canelas mal posso olhar, parecem o mapa mundi pintado de roxo. Você sabe como fica. E eu levo jeito pra moça bem feita, é o que dizem. Num acha? Sou praticamente a mesma, mas não sei mais mentir. Eu cresci.

marinafilizola

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