Aline Bei: Estímulos

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a textura da sua pele não é boa, mas uso meus dedos nela como se fosse.

de olho fechado seu azul some, vira um rosto de pele e pelo,

esse fechar de olho não é sono

é jeito

de fazer virar memória

nosso fim de

tarde,

– que casa bonita, eu disse

e te nasceu um riso pequeno com a blusa cheiro de nenhuma flor.

o sabonete do seu banho é neutro como a nuvem no céu quando é dia e a nuvem no céu

quando é noite.

olhar pro escuro da noite

é marinho fundo do mar como se eu estivesse invertida, o mar em cima

de mim e a água não cai, devo ser um peixe que pensa ser mulher e ninguém

me contou, o espelho também não.

– eu acredito em deus.

te escutei dizer e a hora passando

marquei às 9 com uma amiga, 9:30

10:50

11:25

amanhã levanto cedo e a noite chegando fria na sua janela que antes era

sol.

não sei de deus,

eu acredito no tempo

que nunca se esquece de passar, quando parece que congela

na verdade somos nós

na beira de alguém que fez nascer a impressão de relógio morreu, mas

é só impressão.

acredito também em cemitério todo dia provando que embaixo da terra é tão grande quanto em cima.

a vida é frágil, tem muito bebê sem nascer esperando pra sempre. o amor é mais frágil. eu acredito neles, também.

já deus

é muito difícil que Sim porque

daria trabalho demais ser ele, ninguém toparia calado por todos esses anos sem furo nenhum, nenhuma reclamação ou troca de cargo, nada.

você riu largo. não gosto do seu chapéu, não te cai

bem. nem do teu rosto de perto

nem desses tapetes antigos, dessas malas abertas formando um guarda

roupa

esquisito.

não gosto de conversar com você no porão.

mas gosto de saber que você foi criado por 3 mulheres

Jovens

livre no jardim buscando fruta

sempre acreditando que encontraria a fruta só porque estava procurando.

gosto de saber que você maquiava sua namorada pra se apaixonar com calma pelo rosto

dela e sentir que foi

você

quem fez, deus existe todos os dias que alguém acredita nele mas eu

não consigo.

– sua casa me faz ter vontade de ficar nua.

a blusa

foi a primeira a cair

depois

a calça

o sapato

a meia a

calcinha e a gente conversando olhando nos olhos nunca pro peito.

queria saber o gosto que fica no mamilo depois que você me chupa.

vou tentar sentir no dedo,

deixa

bem úmido

o bico

que meu resto já é

um rio

com a sua mão cravada na curva.

alinebei

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