Releitura da tradução de Luiz Sergio Person para a peça de Sartre Huis Clos – A portas fechadas é encenada no Itaú Cultural

Na semana de encerramento da Ocupação Person, dedicada ao cineasta até o dia 3 de abril, a programação Terça Tem Teatro, do instituto, apresenta em minitemporada de quatro dias a peça sobre o clássico Entre quatro paredes do francês Jean Paul Sartre, inspirada livremente na tradução feita pelo cineasta e diretor de teatro homenageado; nesta versão, a atriz Domingas Person, sua filha, atua no papel de Estelle, que já foi de Nydia Licia  e Margarida Rey, em São Paulo, e de Vanda Lacerda, no Rio de Janeiro

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Nos anos 70, Luiz Sérgio Person fez a tradução de Entre quatro paredes, texto escrito por Jean Paul Sartre durante a Segunda Guerra Mundial para ser encenado em um ato, elenco de três atores e um único cenário. Passados 42 anos, a peça inspirada livremente nesta tradução rebatizada Huis Clos – A portas fechadas, é apresentada no Itaú Cultural, de 29 de março a 1 de abril (terça-feira a sexta-feira), às 20h, dentro da programação Terça Tem Teatro. A direção é de Diego Moschkovich, a cenografia e iluminação de Wagner Antônio e o elenco é formado por Domingas Person, Michelle Boesche, Ivo Müller e Pedro Guilherme, como o criado.

A apresentação teatral marca a semana de encerramento da mostra Ocupação Person, que termina no domingo, dia 3 de abril. Depois da minitemporada do Terça Tem Teatro, no sábado e domingo, dias 2 e 3, o instituto retoma a linguagem do artista no cinema com um ciclo de seis filmes dirigidos por ele, onde se incluem suas duas obras magistrais – O caso dos irmãos Naves e São Paulo Sociedade Anônima.

A peça

Em Huis Clos – A portas fechadas, três pessoas se encontram em uma saleta do inferno onde precisam se confrontar com a sua nova condição de vida pós-morte. Antes de ser adaptada por Person, a peça teve uma primeira montagem no Brasil em 1950, encenada por Adolfo Celi no Teatro Brasileiro de Comédida (TBC), com Sérgio Cardoso (Garcin), Cacilda Becker (Inês), Nydia Licia (Estelle), além de Carlos Vergueiro, como criado. Censurada na ocasião, foi retomada pelo diretor passados sete anos com novo elenco: Paulo Autran, Tônia Carrero, Margarida Rey, na mesma ordem, e o criado Oswlado Loureiro.

Em 1974, Person fez a sua própria tradução e direção no Auditório Augusta, que ele fundou e dirigiu em São Paulo, com Luis Linhares (Garcin), Natalia Timberg (Inês), Lilian Lemmertz (Estelle), e Antonio Maschio, no papel de criado. No Rio de janeiro, em 1977, os atores foram, também na mesma ordem, Otavio Augusto, Suzana Vieira, Vanda Lacerda, e Milton Luis no papel de criado.

Quando o cineasta se debruçou pela primeira vez sobre este texto, a sua filha Domingas era uma criança. Passadas mais de quatro décadas, a caçula se tornou atriz, produtora, tradutora e também trabalha em televisão como apresentadora há mais de 15 anos. No teatro, atuou no musical dramático Lamartine Babo, de Antunes Filho, fez parte do elenco de Celebração, de Harold Pinter, e da comédia Confissões das Mulheres de 30, de Domingos de Oliveira.  Em Huis Clos, ela faz o papel de Estelle, uma mulher da alta sociedade, que ao lado da funcionária pública Inês (Michelle Boesche), forma a dupla feminina do triângulo completado pelo jornalista engajado e pacifista Garcin (Ivo Müller), todos servidos pelo criado Pedro Guilherme e dirigidos por Moschkovich.

“Eles se encontram em uma saleta do inferno, condenados a viver eternamente ali”, conta o diretor. “É nesse ambiente que Sartre desenvolve o seu discurso existencialista até chegar à célebre conclusão de que o inferno são os outros”.

Müller, Domingas e Michelle formam um trio também na vida real desde que estudaram juntos no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), com Antunes Filho.  Os dois primeiros se casaram, hoje tem dois filhos e seguem juntos na carreira.  Além de ator, ele é produtor.  Tem alternado trabalhos em teatro e cinema, com destaque para o longa-metragem Tabu, do português Miguel Gomes, indicado ao Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim de 2012. No final de 2015, o ator chamou a atenção da crítica pelo seu papel em Oração do Amor Selvagem, filme de Chico Faganello em que atuou ao lado de Chico Díaz. Atuou, ainda, em Califórnia, de Marina Person.

Ele trabalha com regularidade com o Grupo Tapa, em cartaz desde 2010 com a peça Doze Homens e Uma Sentença. Também no ano passado, teve papel destacado em Caros Ouvintes, de Otávio Martins, e dirigiu, concebeu e atuou no monólogo Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke. Em A portas fechadas, é de Garcin, seu personagem, a conclusão sartreana que o inferno são os outros.

Michelle, foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro em 2013 com Os adultos estão na sala, de Michelle Ferreira. Atuou em mais de 10 peças teatrais entre Rio de Janeiro e São Paulo e foi assistente de direção de Antunes por seis anos. Trabalha também como preparadora de atores do Studio Fátima Toledo de Cinema.

O ator Pedro Guilherme é também dramaturgo e produtor formado em Bacharelado com especialização em interpretação teatral pela ECA-USP (2001). Foi indicado ao prêmio FEMSA – Coca Cola em 2011 pelo texto Histórias do Telefone. Durante seis anos, paralelamente às atividades realizadas com a Cia. Provisório-Definitivo, grupo em que é fundador, se dedicou a pesquisas e apresentações com o grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões.

 

Ciclo de filmes

Nos dias 2 (sábado, às 18h e às 20h) e 3 de abril (domingo, às 17h e às 19h) é apresentada na Sala Itaú Cultural um ciclo de filmes dirigidos por Luiz Sergio Person. O ciclo começa pela exibição de Al Ladro (curta-metragem – 35mm) e O Caso dos Irmãos Naves (longa-metragem com restauro digital). Na segunda sessão do mesmo dia a projeção é de Panca de Valente (longa-metragem, 35mm). No dia seguinte, as duas primeiras exibições são de L’Ottimista Sorridente (curta-metragem, em cópia digital) e São Paulo Sociedade Anônima (longa-metragem, 35mm), finalizando com Cassy Jones (longa-metragem, em 35mm).

SERVIÇO

Huis Clos – A portas fechadas

Peça de Jean Paul Sartre livremente inspirada em tradução de Luiz Sergio Person

Sala Itaú Cultural (247 lugares)

De 29 de março a 1 de abril (terça-feira a sexta-feira), às 20h

Duração: 75 min

Classificação indicativa: ​14 anos

Entrada franca

Retirada de ingresso com meia hora de antecedência

Interpretação em Libras

Entrada franca

Retirada de ingresso com meia hora de antecedência

Acesso para deficientes físicos

Ar condicionado

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho.

R$ 10 pelo período de 12 horas.

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural: 3 horas: R$ 7;

4 horas: R$ 9; 5 e 12 horas: R$ 10.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

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