AUTORES LIVRES: “Adeus, querida”, Lucas Fernando Amorim

Adeus, meu bem. Você escolheu a madrugada para ir.

Talvez porque estávamos todos dormindo e você não queria nos acordar.

Nem se despedir.

Afinal, você queria que a gente lembrasse de você como você sempre foi. Meiga e feliz. Única.

Agora, fica o vazio. Na casa, no coração. Da gente. Obrigado por cada vez que você, na pura inocência, infantil, calma, vinha me pedir comida, afago, um carinho.

E eu dava. E você me dava.

E isso me revigorava.

Você era o membro mais silencioso, da família. Sua fofura, pureza. Delicadeza. Amor. Coisas que falta tanto, a nós, seres racionais. Nestes tempos.

Adeus. Sua alma frágil esta em paz, agora. Em um sono povoado por sonhos.

Nenhum outro irá te substituir. Apenas as lembranças ocuparão sem pedir licença o espaço no nosso coração. Espaço antes teu.

Que sempre será seu.

Sem você, pedindo comida. As refeições diárias agora estão desguarnecidas. Desocupadas. Soltas em um vácuo agoniante.

Naquele dia eu acordei e senti sua falta. Naquele dia eu cheguei em casa, tarde da noite, tive a sensação que algo estava ausente. Epifania veio e senti que faltava você acordada. Esperando-me chegar.

Era nosso costume.

O que nos resta são lembranças e seus potes de agua, de comida. Que ainda estão cheios. À sua espera. Adeus.

★★★

Lucas Fernando Amorim (Recife, 94) é poeta, cronista quando necessário, às vezes contista e metido a militante. Escreve há mais ou menos um bom tempo. Teve seu primeiro poema publicado no extinto jornal de Recife “A Gazeta de Pernambuco”, em 2013, após isso, participou do concurso de literatura do Instituo Maximiano Campos (IMC), em 2014, ficando em 8º lugar, na categoria micro-contos. Também tem textos, publicados em 2015, na Mallarmargens Revista de Poesia & Arte Contemporânea e teve seu primeiro folheto de poemas “Provérbio Danificado” lançado em 2016 pela La Bodeguita Edições.  Atualmente está graduando-se em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco, na qual deseja acabar o mais rápido possível. Escreve constantemente. E está nos quarenta e cinco do segundo tempo para terminar seu primeiro livro. Gosta do Homem-Aranha e lamenta não conseguir ser um super-herói.  Considera-se legalzinho, curioso e não morde, apesar de ser ariano. O que lhe salva é seu ascendente em Gêmeos.  Ou não.

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