Livre Opinião indica…

O Livre Opinião – Ideias em Debate selecionou títulos que fizeram parte da leitura do mês de março. A seleção com lançamentos e novas edições. Confira a nossa lista:

unnamed1O Papel de Parede Amarelo – Charlotte Perkins Gilman (José Olympo)

Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman no final do século 19, O papel de parede amarelo foi lido, por muito tempo, como uma simples novela de horror, ao estilo de Edgar Allan Poe. Para além de suas características góticas e do drama bem construído, entretanto, a obra constitui também um tratado sobre a opressão das mulheres e, não à toa, foi redescoberta por uma geração de teóricas feministas nos anos 1970. O livro narra, em primeira pessoa, a história de uma personagem forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, ela fica obcecada pela estampa do papel de parede de seu quarto, e, por fim, enlouquece de vez. Ainda pouco conhecido do público brasileiro, O papel de parede amarelo chega agora às livrarias pela José Olympio. A edição da obra inclui um ensaio de 1973 da educadora Elaine Ryan Hedges, que por anos estudou a contribuição de mulheres americanas nas artes, e um prefácio inédito da filósofa Marcia Tiburi.

c5887202-ab20-43e7-8240-b2c228de3db2A Cor Púrpura – Alice Walker (José Olympo)

Três anos depois de sua primeira publicação, o romance “A cor púrpura”, que ganhou o prestigiado prêmio Pulitzer em 1983, foi adaptado para os cinemas. Os personagens de Alice Walker ganharam então vida e voz nas interpretações inesquecíveis de Whoopi Goldberg (no papel de Celie), Danny Glover, Margaret Avery e Oprah Winfrey. O elenco estrelado foi dirigido por Steven Spielberg. Reeditado agora pela José Olympio, o livro é um convite à narrativa envolvente de Walker. A história, que se passa no sul dos EUA na primeira metade do século 20, é toda contada por meio de cartas que Celie, a protagonista, escreve a Deus, um de seus poucos interlocutores numa vida de silêncios, violência e aniquilamento de sua personalidade. Negra e pobre, ela também escreve para Nettie, sua irmã, melhor amiga e alma gêmea. As duas são afastadas quando Celie é oferecida em casamento a um homem mais velho. Violentada diversas vezes ao longo da trama, ela passa os dias cuidando dos enteados e sonhando com os dois filhos que seu pai, depois de engravidá-la, tirou de seus braços.

a-revolta-da-cachaca-antonio-callado-849511-MLB20599078010_022016-OA Revolta da Cachaça – Antonio Callado (José Olympo)

A dura realidade dos atores negros no Brasil é o tema central de A revolta da cachaça, peça escrita por Antonio Callado em 1958 e cujo texto retorna agora às livrarias em edição da José Olympio. Na trama, Vito, um dramaturgo, e Dadinha, sua esposa, recebem em casa a visita inesperada do amigo Ambrósio, que há anos busca uma oportunidade de destaque no mundo do teatro. O visitante tenta convencer seu anfitrião a terminar uma peça que lhe prometera. Por ser negro, Ambrósio acredita que só assim conseguirá deixar para trás os papéis secundários e subir aos palcos como protagonista. O encontro dos três personagens, regado à cachaça, faz com que revivam mágoas antigas, o que traz à tona uma série de questões relacionadas ao racismo e às diferenças sociais. Callado decidiu escrever A revolta da cachaça depois de ver Pedro Mico, peça que inaugurou o seu “teatro negro”, ser encenada por atores brancos com o rosto pintado. A obra foi dedicada ao ator Grande Otelo, que deveria ter interpretado Ambrósio. O texto, entretanto, não chegou a ser montado na época em que foi escrito.

mentiras_site-1Mentiras – Felipe Franco Munhoz (Editora Nós)

Os deuses da literatura advertem que não é recomendável escrever romances maiores do que a vida antes dos 30 anos. E quando alguém propõe um diálogo, em todas as acepções da palavra, com Philip Roth, para muitos o maior escritor vivo em língua inglesa? E ainda mais em um romance de estreia? Pois é exatamente isso que Felipe Franco Munhoz nos entrega em ‘Mentiras’. Seu ambicioso objetivo é tecer, com a ajuda das mãos de Roth, o livro-travesseiro da sua vida, um travesseiro tecido com a coloração perfeita do fio. Seria um tanto reducionista afirmar que Philip Roth é apenas o alter ego ou o duplo de Felipe. E tampouco ele e sua obra é somente aquele/aquilo com quem se ‘conversa’ nas tardes de um café imaginário. Ao desaparecer um dentro do outro, eles são, a um só tempo, autor, personagem e leitor na construção deste romance de admirável fluidez formal, que nos remete não somente ao modernismo anglo-saxão, mas também aos exercícios do nouveau roman e à dramaturgia de Pirandello. Por sua vez, as personagens-títeres Thaís e Marina representam, em seus contrastes, a dicotomia daquilo que se costumava chamar de tradição judaico-cristã, o que certamente é um espelhamento às avessas de um dos temas recorrentes da obra de Roth, com seus judeus às voltas com shiksas. Mas tanto elas, quanto os Felipes ou nós, os leitores, todos somos lembrados da experiência da alteridade por excelência que é a forma romanesca. ‘Mentiras’ é um instigante e erudito work in progress, conduzido com irresistível malícia, a ‘palavra-pirâmide’ que, não por acaso, é a preferida do autor. Em suma: um misto delicioso de diversão e arte.

A1m1mhQmujL.SL720Leite em Pó – Marina Filizola (Editora Planeta)

Vi esta escritora nascer. Do pó. Das cinzas. Com que garra. Com que unha e língua. Marina Filizola chega. A este primeiro e contundente livro. Vem. E solta o verbo. A verve raivosa. Doa a quem custar. Custe a quem doer. Não escreve mansa. A gata. Não lambe a cria. Ninguém escapa de sua prosa. Nem ela mesma. A própria. Acaba virando objeto de seu olhar. Aguçado. Impiedoso. Bem-humorado. É uma escrita que enxerga longe. Avante. Por dentro. Há muito tempo eu não via uma contista deste jeito. Dando vexame. Viciada em monólogos ritmados. Frenéticos. Quer seja para falar da noite pauleira-paulistana. Ou para narrar o inferno que é a maternidade. Ave! Não tem quem segure essa mãe. Antes de mais nada, mulher. Coirmã, me parece, de autoras como Ivana Arruda Leite. Bebendo – e como bebe – na mesma fonte da Rê Bordosa, personagem clássico de Angeli. Filizola é, sim. Uma figura animada. Quase uma caricatura. Um borrão no espelho. Digo aqui, é claro. De seu texto. Único. Livro este para se ler numa sentada. Essa verdadeira crônica da vida privada. E tão coletiva. Não é todo dia, repito. Em que aparece uma força assim. Na literatura brasileira. (por Marcelino Freire).

vertigensVertigens – Wilson Alves Bezerra (Editora Iluminuras)

A Editora Iluminuras, no mercado há 27 anos, na vanguarda da literatura contemporânea, e especial da poesia e da literatura hispano-americana, está lançando Vertigens, do paulistano Wilson Alves-Bezerra. É uma coleção de 29 poemas em prosa, na qual se destacam as exuberantes imagens e a sonoridade, que parece produzir aquilo mesmo que o título anuncia. Nas palavras do autor do prefácio, o poeta e tradutor Claudio Willer, “é uma escrita do outro lado, radicalmente do avesso, antagônica com relação à linguagem instrumental. Por isso, análoga ao delírio”. Vertigens se sucede à estreia de Wilson Alves-Bezerra na prosa curta, com o elogiado Histórias zoófilas e outras atrocidades (EDUFSCar/Oitava Rima, 2013). Segundo o próprio escritor, o elemento narrativo está presente também nesta coleção de poemas: “Embora seja um livro de poemas, há histórias que se contam entre as imagens encadeadas, de modo lacunar e cifrado, para cuja leitura o papel do leitor é fundamental.”

578654_respeite-a-solidao-alheia-719117_l1_635930507959838000Respeite a Solidão Alheia – Kaio Bruno Dias (Editora SCORTECCI)

Respeite a solidão alheia é o segundo livro de poesias do poeta maranhense radicado em Goiânia, Kaio Bruno Dias. Lançado de forma independente, o livro é uma junção de nove partes/capítulos, rascunhadas a partir da ótica da poesia e do mar de sensações que possam estar suscetíveis a qualquer ser humano presente nessa existência.  Respeite a solidão alheia, e todo o silêncio, da mesma forma respeite; o excesso, o motivo, o momento, o outro. Respeite os calafrios, a sua ansiedade, respeite as partidas, as tensões, distrações, a vida acumulada. Respeite a distância, os afagos, a brisa, o final não esperado.

capa livroPassos ao Redor do Teu Canto – Maria Carolina de Bonis (Editora Patuá)

Maria Carolina De Bonis autora do livro Passos ao redor do teu canto, nasceu em São Paulo em dezembro de 1982, formada em Letras pela PUC-SP é professora de língua  portuguesa e literatura. Passos ao redor do teu canto é seu primeiro livro de poemas e integra a Coleção Patuscada, projeto premiado com o ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo.

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