Brizola em dois tempos: Civilização Brasileira lança livro sobre atuação do pedetista nos anos pré-1964 e depois da redemocratização

4Herói carismático ou líder populista? Foram muitos os rótulos que Leonel de Moura Brizola acumulou durante a sua longa e profícua vida política. Para o cientista político João Trajano Sento-Sé, o trabalhista foi um dos poucos personagens da história do Brasil a transitar nas duas esferas da política, a institucional e a que desafia o status quo, com desenvoltura rara. Ou seja, ao mesmo tempo em que militava num partido tradicional e atuava para chegar ao poder pelas democráticas disputas eleitorais, Brizola foi, com a verve de um grande orador, um agitador das massas e contestador da ordem dominante. Sento-Sé assina o prefácio do livro A razão indignada – Leonel Brizola em dois tempos (1961-1964 e 1979-2004), que chega às livrarias em abril pela Civilização Brasileira.

Organizado por Américo Freire e Jorge Ferreira, o livro reúne 10 artigos de historiadores sobre a atuação de Brizola nos anos que antecederam o golpe de 1964, seja como govenador do Rio Grande do Sul e líder da cadeia da legalidade, e a partir da redemocratização, quando fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT), se elegeu governador do Rio de Janeiro duas vezes e perdeu duas eleições presidenciais. Os textos versam sobre sua atuação política no cenário nacional, sua representatividade para o trabalhismo no Brasil e também sobre políticas públicas implementadas durante seus governos.

                Para Américo Freire, estudar e escrever sobre Brizola é um desafio. “Como historiadores, lidamos com as memórias em disputa e com o uso político do passado. Nosso papel é dialogar e interpretar tudo isso, sem cair em apologias fáceis ou avaliações críticas tão fáceis quanto. Também é oportunidade para colocar em questão a tese corrente em vários círculos, em geral conservadores e liberais, de que Brizola era, nada mais, nada menos, do que um líder populista – ou seja, um irresponsável, demagogo. Nada melhor do que contrastar esse senso comum com estudos que examinam, por exemplo, suas principais proposições políticas ou mesmo algumas das políticas públicas por ele empreendidas em seus governos no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro”.

Assinam os textos, além do próprio Américo e de Jorge Ferreira, Angela de Castro Gomes, Bruno Marques Silva, Carla Brandalise, Gabriel da Fonseca Onofre, Libânia Xavier, Marluza Marques Harres, Michelle Reis de Macedo, Soanne Cristino Almeida dos Santos e Tânia dos Santos Tavares.

 

ORELHA:

O renascimento do político como instrumento de análise dos historiadores produziu uma avalanche de trabalhos acerca dos indivíduos. Personagens que, mais ou menos conhecidos, ora vitoriosos, ora derrotados, tiveram a vida e trajetória de alguma forma valorizadas pelo pesquisador.

Muitas vezes trata-se de um até então desconhecido, como foi o Menochio, de O queijo e os vermes, personagem que somente foi apresentado ao mundo quando emergiu dos arquivos e documentos trazidos a público por Carlo Ginzburg. Em outras ocasiões, o indivíduo, ainda que conhecido, carece de estudos acadêmicos capazes de fazê-lo compreensível a distância da apologia cega ou da condenação fácil.

Assim é com Leonel Brizola. Figura controversa, com uma carreira política marcada pelo hiato da ditadura civil-militar e elemento-chave para a compreensão das continuidades e descontinuidades do trabalhismo brasileiro. A dívida, não exatamente com o personagem, mas, sobretudo, com os homens e mulheres interessados na história contemporânea brasileira, em parte é sanada com a publicação deste livro.

Trabalho de fôlego, nascido a partir de debates em encontros acadêmicos no Brasil e no exterior, apresenta um excelente mosaico do homem que, liderança principal da esquerda trabalhista no pré-1964, transitou para um projeto reformista pós-anistia ao mesmo tempo que rompeu e manteve algumas de suas marcas pretéritas.

Mosaico este capaz ‒ quem sabe? ‒ de incentivar brevemen­te uma necessária biografia. Peça fundamental para a compreensão da História do Brasil na segunda metade do século XX, trata-se de um livro para ser lido com o mesmo apuro crítico com que foi escrito por seus autores. (Francisco Martinho, Professor do Departamento de História da USP e pesquisador do CNPq)

SOBRE OS AUTORES:

ANGELA DE CASTRO GOMES – Professora titular aposentada de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense (UFF), professora visitante nacional sênior na Universidade Federal do  Estado do Rio de Janeiro (Unirio), doutora em Ciência Política pelo Iuperj e pesquisadora do CNPq.

 

AMÉRICO FREIRE – Professo r associado do Cpdoc-FGV, doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do CNPq.

 

BRUNO MARQUES SILVA – Professor do Colégio Pedro II e doutorando do Cpdoc-FGV.

CARLA BRANDALISE – Professora associada do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutora em História pela Fondation Nationale des Sciences Politiques (FNSP) – Paris.

GABRIEL DA FONSECA ONOFRE – Mestre em História pelo Cpdoc-FGV e doutorando em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

JORGE FERREIRA – Professor titular de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense (UFF), doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do CNPq e da Faperj.

LIBÂNIA XAVIER – Professora associada do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), doutora em Educação pela PUC-Rio e pesquisadora do CNPq.

MARLUZA MARQUES HARRES – Professora do Programa de Pós-graduação em História da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), doutora em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

MICHELLE REIS DE MACEDO – Professora adjunta de História do Brasil e História Indígena da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

SOANNE CRISTINO ALMEIDA DOS SANTOS – Mestra em História pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

TÂNIA DOS SANTOS TAVARES – Mestra em História pelo Programa de Pós–Graduação em História Social da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

★★★

A RAZÃO INDIGNADA – LEONEL BRIZOLA EM DOIS TEMPOS (1961-1964 e 1979-2004)
 
Organização: Américo Freire e Jorge Ferreira
Páginas: 350
Preço: R$ 52,90
Editora: Civilização Brasileira / Grupo Editorial Record

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