Aline Bei: Sonho

tinha uma escada atrás de mim, não usei.

alcancei o sapato esticando o corpo até o topo do armário, você

chegando de carro.

em alguns minutos nos encontraríamos se tudo tivesse corrido como sempre corre.

acontece que

um dos elevadores do prédio estava quebrado,

o outro

estava Demorando

muito,

e você lá embaixo

esperando com cara de

eternidade, te conheço Impaciente,

me afobei.

estávamos fazendo aniversário de namoro

com reserva de restaurante marcada para às 8, no relógio 7

e 40

e 5.

decidi usar a escada dessa vez, 20 andares de salto era ruim a beça mas

no mundo tem coisa pior.

comecei a descer

a luz apagando o tempo todo pra gerar

economia,

o celular morto quando

1 barata

voadora

pousou no meu cabelo.

eu não sabia que era uma barata só senti o mini peso

na testa e uma crocância na pele,

me assustei com o barulho

típico de inseto

e desci 4 degraus de uma vez.

virei o pé

a luz

econômica

apagou. ficou só o som

de inseto,

a barata

começou a andar em mim com aquelas patas

muito finas para um corpo tão roliço, ela foi saindo

do cabelo

em direção ao meu nariz e foi aí que eu vi

a gigante

e meu pé numa Dor de me fazer não conseguir levantar enquanto

minha boca

e a dela

estavam cada vez mais perto. tão Perto que vi em seus olhos

a loucura

pra entrar

em mim, ela queria morar no meu estômago, nadar no meu sangue, dormir no meu pulmão, era um plano. foi quando eu bati a mão nela

senti a textura de esgoto e contorci

de nojo

meus lábios.

ela caiu fazendo Atrito, depois

começou a voar

bêbada de queda

não sei bem

por onde

estava tão escuro

nem tudo de asa

é bonito, ela voando me dava vontade de Chorar.

a barata caiu no chão de novo

dessa vez bem do meu lado, ela estava

tonta,

usei o pé não machucado

e esmaguei aquele corpo

que parecia ter osso

pelo som que fez a sua morte,

Crak.

 

me apoiei na parede, desci as escadas o mais rápido que pude com o pé

em brasa

até chegar no décimo oitavo andar.

eu estava com febre, toquei a campainha do vizinho pra pedir:

 

-ajuda.

 

quem atendeu foi outra

Barata

essa sim

verdadeiramente Gigante, as asas nas costas chegavam a raspar na parede

e no fundo

meu namorado (?)

abaratado na mesa dela tomando um

chá.

da minha altura ela me olhou nos olhos e perguntou se, por acaso, eu tinha visto seu Filho por aí.

alinebei

Confira os textos anteriores da escritora Aline Bei

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