Micheliny Verunschk: ‘Estupros coletivos’

Infelizmente, estupros coletivos não são raros no Brasil. Nas cidadezinhas perdidas e nas grandes cidades no Brasil, meninas e mulheres são estupradas coletivamente por times de futebol, por políticos, por filhos de políticos, por bandidos do crime organizado, por traficantes pé-rapados, por amigos. Nem a mínima parte da estatística desses crimes chegam até nós, têm repercussão. Tampouco suas vítimas recebem a justiça a que têm direito. A Índia é aqui? O Brasil é aqui.

Anos atrás soube que uma moça com quem estudei, numa das escolas pelas quais passei, foi estuprada coletivamente num bar. Vou chamá-la de Ísis. soube que o estupro de Isís foi conduzido por filhos dos políticos locais daquela cidade. Soube que a justiça nunca chegou até Ísis. mas não soube como ela ficou, como ela está, que vida conseguiu levar depois disso, se é que conseguiu.

Estupros coletivos não são raros no Brasil. Não são violências exóticas de países distantes. E há, sim, muitas mãos a aplaudir porque, afinal, mulheres servem pra ser sacos de pancada, sacos de esperma, sacolas a serem furadas, pisoteadas, esfregadas no chão das pequenas violências cotidianas que, na verdade, são violências desmedidas, mas divertidas, porque afinal, como não rir de uma mulher, do seu nome, do seu corpo, do seu rosto, da sua arrogância em querer ser gente?

Estupros, coletivos ou não, são conduzidos por homens. homens que não, não são loucos, não são monstros, homens que foram criados para isso mesmo, para rasgar sacolas, para pisotear sacos de lixo, para rir e se orgulhar de terem uma arma entre as pernas, uma arma nos olhos, na língua, nas mãos.

O estupro coletivo a uma menina de 17 anos veiculado ontem pelos seus agressores serve como a triste e real metáfora para o país tomado de assalto pelas forças retrógradas, misóginas e canalhas representada por Temer, Bolsonaro, Feliciano, Malafaia, Alexandre Frota e sua súcia.

Entretanto, envergamos e não quebramos. e digo às mulheres, às mães e pais de mulheres, aos homens não pactários, saibam lutar, saibam chutar, ensinem suas meninas a se defender. a defender não apenas o corpo, mas, sobretudo o espírito. que saibam reconhecer o inimigo, mesmo que eles cheguem sedutores, que saibam socar, que trabalhem seus corpos e suas almas para os embates que só existem por elas serem o que são: mulheres, pessoas. E que se um dia a violência desmedida as atingirem, que elas saibam se defender. e mesmo que morram por isso, que morram sabendo que não, não são sacos, sacolas. são pessoas. pessoas de pé ao contrário dos agressores, covardes rastejantes.

micheliny

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