Três poemas de Leo Madeira no Livre Opinião

FLOR DA SAUDADE

Assim cai a noite outra noite
que não amanhece não descansa
a lua minguante meu açoite
estrelas pontas da tua lança
és hálito quente de Quimera
à noite tu algoz sem piedade
machuca espanca e dilacera
a tenra flor da minha saudade

META FÍSICA

Sólido
ou líquido
só lido
com a solução
que me liquide
a solidão

INSPIRADO EM MANOEL DE BARROS

Ela é quase nuvem
Doçura dela é tão grande
que o enxame de abelhas se dispersa
e não volta a se encontrar
Sua boca renova a manhã
Guarda numa bolsa simples
seus instrumentos de trabalho:
1 amaciador de pedras
1 incendiador para corações
1 ampulheta sem areia
20 tons de azul-de-céu
(ela consegue combinar diferentes tons de azul para fazer o laranja)
Ela desregula a natureza:
seu sorriso adianta o dia
e estanca a noite
Lábios de chamas
galáxias em espirais de turbante
eterniza a maré alta num instante
(ela que conta pra coruja
que já é tarde
pra fazer alarde e –
que ainda é cedo
pra sentir medo)
★★★
leo madeira

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