Poema Livre: Instantâneo milagre, por Nayara Fernandes

Instantâneo milagre

não tem mal nem maldição
é veneno sem bula
não tem cura nem cunho
é sereno tempestuoso

casto da lágrima miserável
castigo do leite derramado
travestido de efemeridade

teu peito é ponta de lança
som do osso mordendo a vida
teu peito é porto de vingança
ponta da faca trovando o abismo

o destino o desígnio o arbítrio
a nada se entrega
a tudo se enfrenta
de luzir poroso
de mirar rasante

teus olhos carregam cicatrizes acuradas
feridas sem identidade
mentira e verdade suspensas
o gosto sem explicação
eis o instantâneo milagre do suspiro
o imediato imperceptível.

Nayara Fernandes

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