Assista ao documentário ‘João Cabral de Melo Neto’, dirigido por Bebeto Abrantes

João Cabral é um documentário clássico para o cinema com Direção e Roteiro de Bebeto Abrantes, Edição de Marcelo Rodrigues, Motion Design de Rogério Costa, Coordenação de Produção de Belisario Franca.

É uma produção da empresa Giros – giros.com.br/

No elenco além do poeta nomes como Antoni Tàpies, Cuixart, José Catello, Lirinha e Inês Cabral, filha do poeta, são alguns dos nomes que ajudam no enredo da história.

O documentário “Recife/Sevilha – João Cabral de Melo Neto” de 52 minutos já participou de diversos festivais e ganhou prêmios de grande importância. Em 2002 ganhou o Prêmio Brasil Telecom no II Brasil Documenta – Fórum Internacional de Documentários. Já em 2003 ganhou o Prêmio Estímulo do Minc no 8 Festival Internacional de Documentários – É Tudo Verdade, o Prêmio Manuel Diegues da 9 Mostra Internacional do Filme Etnográfico e Menção Honrosa do Jurí na Jornada da Bahia.

BATMAN ZAVAREZE(27+1) fez a DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA do premiado documentário.

SINOPSE

As cidades de Recife e Sevilha são presenças marcantes na obra e memória afetiva de João Cabral de Melo Neto. Ambas são portas de entrada para o conhecimento de sua vida e obra. No Recife, nasceu e passou toda a juventude. Em Sevilha e Barcelona – onde morou e cumpriu funções diplomáticas por muitos anos – viveu sua plena maturidade poética e existencial. Recife e Sevilha formam a mais perfeita síntese da vasta obra do poeta. Elas são uma espécie de “chave” de João Cabral, assumida por ele próprio no poema “Auto-Crítica”:

“Só duas coisas conseguiram (des)feri-lo até a poesia:
O Pernambuco de onde veio
E o onde foi, a Andaluzia
Um, o vacinou do falar rico
Deu-lhe a outra fêmea e viva,
Desafio demente: em verso
Dar a ver Sertão e Sevilha.

CRÍTICA

Jornal do Brasil – outubro de 2003
João Cabral concreto
Mais um excelente perfil documental é feito no Brasil

“O poeta João Cabral disse que gostaria de ter sido cineasta. Porque nos dois ofícios se trabalha com a imagem. Esse pequeno trecho de sua última entrevista, concedida em 1999 a Bebeto Abrantes, parece nortear toda a narrativa de Recife/ Sevilha: João Cabral de Melo Neto. O documentário agarra com sofreguidão cada oportunidade de verter o verbo em coisa audiovisual. Até os depoimentos de poetas e intelectuais (brasileiros e espanhóis) sobre Cabral são entre costados pela pulsão rítmica da música e das imagens.

Nos antípodas do ressecamento promovido por Eduardo Coutinho em seus documentários, Abrantes faz largo uso de efeitos digitais, bravuras de edição e uma trilha musical intensa. Seu filme é uma construção assumida – e bem sucedida. Tudo converge para sensação de concretude que preside a poesia de Cabral. A música de cordas que ouvimos – assim como o flamenco – estão mais próximas da percussão que da melodia. Da mesma forma, os elementos visuais, tributários da videoarte, mostram pessoas, lugares e objetos em fuga permanente, imagens puras e duras sem conotações afetadamente poéticas. A belíssima seqüência das aspirinas é exemplar de uma busca de ícones concretos para cobrir grandes significados na vida e na obra do poeta.

A discussão central do documentário, deixada em aberto, é a influência que as cidades de Recife (a origem, a memória) e Sevilha (a paixão, o exílio) tiveram sobre a poesia de João Cabral. Depoimentos levemente contraditórios como o da filha Inês Cabral e do biógrafo José Castello ajudam a perceber a possível distância entre a condição real do homem e as fantasias que ele erigiu em torno de si. “A vida de um poeta não é feita só de verdades”, completa o colega Ledo Ivo. De outra parte, pintores, poetas e intelectuais espanhóis dimensionam a importância da passagem do poeta brasileiro que não foi pouca coisa.

Uma profusão de filmetes domésticos, verdadeiras preciosidades, completa a riqueza de materiais de Recife/ Sevilha. Importante como revelação e apetitoso como exercício de linguagem, o filme de Bebeto Abrantes entra para o rol dos excelentes perfis documentais recentemente produzidos no Brasil.”

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