Leia dois poemas de Evandro Aranha

Prestes a publicar seu segundo livro, Resistência Poética, Amor e Outras Dores do Cotidiano – segundo volume da série Fragmentos de Um Córtex Perturbado, Evandro Aranha publica aqui no Livre Opinião dois grandes poemas que compõem a obra.

O primeiro poema, Á Margem, é retirado da primeira parte de seu livro (Resistência Poética) e dialoga diretamente com os artistas ditos “marginais”, tomando essa marginalidade não como efeito de negação na sociedade, mas justamente como um espaço prolífico para a produção da Poética da resistência.

Já o segundo poema, O Amor Morre Cedo, é prototípico do conteúdo que constitui a segunda parte do livro (Amor e Outras Dores do Cotidiano), cantando os sentimentos humanos sem deixar de relacioná-los com a própria criação artística: “o amor morre cedo / como os poetas byronistas”.

Com vocês, as redes de Aranha.

Pedro Alberto Ribeiro

 

Evandro Aranha

Evandro Aranha

Evandro Aranha é um poeta sorocabano que escreve desde os 11 anos e publicou seu primeiro livro de poemas em 2014, e com a segunda obra para ser lançada ainda em 2016. Seus textos tratam de temas universais como amor, saudade, cotidiano e realidade. É dono da página Fragmentos de um Córtex Perturbado.
Á MARGEM
Não queremos a benção
Dos cultos,
Dos acadêmicos
E dos plutocratas.
Não queremos bajulação,
Tapa nas costas,
Elogios em vão.
Não queremos esmola,
Agrado de graça,
Sorriso que passa
E depois vira desgraça.
Não queremos benesses
De deputado,
Do vereador
Ou do prefeito.
NÓS…
NÓS QUEREMOS DIREITOS!
Queremos andar de cabeça erguida
E contemplar o sol.
Saber que nem toda despedida,
É necessariamente um ponto final.
Queremos cruzar as esquinas
E contar os quarteirões.
Queremos felicidade
Como rotina
E não a escolher
Entre várias direções.
Queremos que nossa poesia
Saia das estantes
E em poucos instantes,
Tome as calçadas.
As alamedas ficarão pequenas
Para os nossos versos,
Que irão passar
E congestionar a cidade.
Nossos lamentos
Extrapolarão os limites das estrofes
E derramarão as lágrimas da indignação
Em cada centímetro de reacionarismo
E apartheid cultural
Que ainda exista em Sorocaos.
E vocês que fizeram todo esse caos,
Vão ter de subir muitos degraus
Para nos alcançar.
BOA SORTE!
Cansamos dos guetos
Que vocês nos segregaram.
Fomos criados no lixo que vocês jogaram
Que agora se arrependem.
Levantamos
E a guarda
Não abaixamos mais.
Somos filhos da desordem
Em busca de paz.
Mirando o futuro
Sem deixar de olhar para trás.
Nenhum muro
Será instransponível
Para nossa poesia;
Nenhuma missão
Será impossível,
Pois nossa prática
É nossa teoria,
E nosso lema,
É resistir
E ocupar.
Nós ocuparemos os bares,
Os lares
E todos os lugares.
Estaremos na tevê,
No rádio,
Na praça,
No estádio,
Na prefeitura.
Toda estrutura organizada,
Terá de ouvir nossa voz.
Pois
Poesia boa
É poesia lida,
É poesia falada,
É poesia ouvida,
É poesia vivida.
O AMOR MORRE CEDO
O amor morre cedo.
Como os poetas byronistas,
O frescor dos artistas.
É, o amor morre cedo.
O amor morre cedo.
Antes do galo cantar
E do dia querer nascer.
O amor morre cedo, meu bem.
Morre para mim.
Morre para você.
O amor morre cedo.
Mesmo quando vem tarde;
Sem alarde.
O celular não recebe mais ligações.
No dia a dia,
Não há mais declarações.
O amor morre mesmo cedo,
Em um limbo entre as raivas
E as decepções.
O amor morre cedo.
Esquecer de acordar
E ver o sol.
Mal teve tempo de jantar e
Dançou sua última valsa
Na sala de estar…
É, o amor morre cedo.
Finge que fica,
Mas passa
Sem graça
A morar
Em um próximo peito.
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Um comentário sobre “Leia dois poemas de Evandro Aranha

  1. Pingback: Entrevista: Evandro Aranha fala sobre seu segundo livro, atualmente em financiamento coletivo | Livre Opinião - Ideias em Debate

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