Demetrios Galvão: ‘fotografo o absurdo para não dizer nada’

fotografo o absurdo para não dizer nada

um elefante cruza a sala a toques de tambor e
rompe a insensatez das formalidades

atravessa estados acompanhado
de bêbados e vagabundos iluminados

atropela o mal-estar das multidões
com um sopro selvagem de ironia

carrega em seu marfim
seios flamejantes e uma morte rosa

ofusca o brilho das estrelas
com sussurros no ouvido da lua

inflama um grito arcaico
liberta o sangue coagulado dos matadouros

se lança na emergência das ruas
com uma máscara negra cobrindo o rosto

ensina o fundamental de georges bataille
para que jovens ridicularizem velhos cavalos

derruba banqueiros e bancadas
pisoteia o motor desiludido que pede socorro

um elefante niquelado duela com o infinito
na pupila do olho mãe.

demetrios galvao

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