Itaú Cultural debate a relação entre a comida e a cidade no próximo Brechas Urbanas

O encontro é com a cozinheira e permaculturista Bia Goll, e com a idealizadora do projeto Comidaria Comum, Patrícia Brito; junto à mediadora Natália Garcia, fazem o público refletir sobre como funciona a lógica dos alimentos na cidade e como cada um se insere nesse contexto

 

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“Não só você é o que come, mas a sua cidade também é moldada pelo que você come”, escreveu a pesquisadora Carolyn Steel, no livro Hungry Cities. O próximo encontro do Brechas Urbanas, no dia 28, é exatamente sobre a relação da cidade com a comida. A cozinheira, permaculturista e pesquisadora Bia Goll, juntamente com Patrícia Brito, especialista em Política Cultural e Patrimonial e idealizadora do projeto Comidaria Comum, levam ao público outro olhar sobre os dois elementos. O bate-papo, que conta com interpretação em Libras e é transmitido ao vivo pelo site do instituto (www.itaucultural.org.br), é mediado pela jornalista Natália Garcia, criadora do projeto Cidades para Pessoas, parceiro do instituto nesse programa.

Todos os dias chegam nas cidades toneladas de alimentos, que são distribuídos, comprados, preparados, comidos e têm suas sobras descartadas. A lógica como essa operação acontece numa cidade diz muito sobre como se vive nessa cidade. Com esse raciocínio é possível melhorar a vida urbana a partir do que se escolhe comer no almoço, por exemplo. Em um cenário de corrupção nas merendas escolares e devastação das florestas para o cultivo de monoculturas transgênicas, é necessário rever a habilidade do ser humano em construir um mundo melhor partindo do paladar. São esses alguns dos pontos abordados na conversa.

Bia Goll trabalha com plantas alimentícias não convencionais, que nascem espontaneamente e são comestíveis, chamadas de Panc’s. De acordo com ela, as pessoas perderam essa sabedoria nas últimas décadas, ficaram dependentes da indústria. “Uma das formas de voltar a se relacionar com a própria alimentação é reconhecer o que a terra nos dá, o que o planeta, de forma sustentável, nos oferece, sem fertilizantes ou agrotóxicos”, fala.  “Também, ampliar nossas papilas gustativas com sabores mais fortes e selvagens, texturas mais fibrosas.”

Seguindo por esse lado, Bia pretende abrir a mente dos participantes e, consequentemente, o paladar, para uma nova alimentação mais ampla, instintiva, conectada com o entorno, com as necessidades do corpo. “Quero gerar confiança neles para poderem consumir comida de verdade ao invés de alimentos industrializados”, afirma. “Precisamos sentir a cidade e o que ela nos oferece e nos harmonizarmos com ela através de um ciclo alimentar mais sustentável.”

A alimentação tem muito a ver com cultura. Com esse pensamento, ela explica que basta olhar para as praças, parques, áreas livres com uma perspectiva mais poética, integrada, participativa. “Fazemos parte, somos a natureza, mesmo em uma megalópole. Sentir isso verdadeiramente e consequentemente colaborar, olhar para a forma como nos alimentamos é algo fascinante e efetivamente transformador”.

Além de provocar reflexão sobre a forma como vive e se alimenta na cidade, o público vai ter uma experiência gustativa, com produtos artesanais, ingredientes frescos, sendo parte deles de hortas da cidade. “Vamos falar das papilas gustativas e o que é ser gourmet de verdade”, fala.

Com o projeto Comidaria Comum, Patrícia Brito cria banquetes em lugares públicos, onde todos possam experimentar, seja adulto, criança, idoso ou jovem, encontrando um prazer de comer e se deliciar na sua forma mais criativa e performática em que o humano constrói.  Por isso, pretende falar sobre as formas de produção desses banquetes, que acontecem nas ruas, praças e ocupações sociais.

“O Comidaria Comum foi uma proposta do festival de inverno de Diamantina, realizado pela pela Universidade Federal de Minas Gerais”, conta. “O intuito era criar um diálogo entre comunidades tradicionais – como quilombolas e agricultura familiar, indígenas – com alunos das diversas áreas, que tinham interesse em participar do festival.” Patrícia explica que desenvolveu a metodologia de como eram possíveis os diálogos e a feitoria das comidas. “Todos os dias tínhamos atividades distintas, como pesquisas e preparos das comidas. Houve no processo uma descentralização de poder, todos opinavam e faziam as comidas, sendo que meu papel era contribuir com as sugestões de pratos que continham receitas tradicionais a partir da memória ou reinvenção de outras, também a partir de narrativas”, fala.

Ela trabalha, também, com memória gustativa, que é um conceito para se discutir os alimentos a partir das narrativas e histórias das pessoas e dos lugares. “Sempre penso a comida, o alimento como importante instrumento de aproximação e vivências de pessoas que se encontram e se emocionam ou se descobrem como importantes narradores de suas memórias gustativas”, diz.

Para ela, cozinhar, comer e beber é o pretexto para o encontro. É deixar outras possibilidades de reencontros para futuros projetos, que cada vez mais dariam autonomia ao pensamento e ao fazer do cozinhar, não somente como recurso econômico, mas como forma de se colocar com autonomia no mundo. “O cozinhar é um ato de entender que cada um possui a sua memória e sua história diante do mundo”, conta. “O foco central já não se trata de oferecer poder aos que mergulham na cozinha, mas sim de propor que todos são responsáveis pelo conhecimento e pelas trocas.” Com isso, culturalmente falando, Patrícia pensa que é importante abordar a comida como elemento integrador entre o campo e a cidade, pois um depende do outro, o ato de cozinhar pode atravessar fronteiras e facilitar os diálogos entre diversos grupos sociais.

Sobre o Brechas Urbanas

Realizado em parceria pelo Itaú Cultural e o Cidades para Pessoas, o Brechas Urbanas foi criado a partir da aposta do instituto de que é cada vez mais urgente repensar a vida nas cidades, tendo a arte como elemento transformador potente nesta reflexão. “Essa pesquisa proporcionada pelos encontros nos move a propor inovações no mundo contemporâneo”, acredita Ana de Fátima Sousa, gerente do Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural, que também assina a curadoria da programação.

Para Natália Garcia, do Cidades para Pessoas, que interpreta e experimenta ideias para cidades mais humanas, a ideia é fazer dos encontros um espaço para debater o que está por ser inventado e por ser criado dentro das ações na cidade. “Por isso convidamos artistas que estão envolvidos com essas criações e com essas ações na prática, fora da academia”, explica.

SERVIÇO:

Brechas Urbanas – Sua cidade é o que você come

Dia 28 de julho

Às 20h

Duração: 90 minutos

Sala Multiuso

130 lugares

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Duas horas de antecedência para o público preferencial é uma hora antes do espetáculo para o não preferencial

Transmissão ao vivo (também com interpretação em Libras): www.itaucultural.org.br

Interpretação em Libras

 

 

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: 11. 2168-1776/1777

Acesso para pessoas com deficiência física

Ar condicionado

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho.

R$ 10 pelo período de 12 horas.

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

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