Solo explora vida e obra da escritora Sylvia Plath

O recém-criado Vulcão [criação e pesquisa cênica] apresenta o solo PULSO, a partir da vida e da obra de Sylvia Plath

unnamed

Foto Betania Dutra

A atriz Elisa Volpatto estreou PULSO no dia 30 de maio, no Sesc Consolação. O projeto ficou 7 semanas em cartaz, sempre às segundas-feiras, com casa lotada. A direção é de Vanessa Bruno. O projeto agora realiza temporada no Viga Espaço Cênico, às terças-feiras de agosto, 21h.

Solo inspirado na vida e na obra do ícone da poesia confessional norte-americana dos anos 50, Sylvia Plath. A peça escolhe como situação cênica o último dia de vida da poetisa para revelar, em tom confessional – característica determinante da literatura da autora, memórias e devaneios dos momentos mais importantes de sua vida.

Leia também: Death is the dress she wears: 51 anos da morte de Sylvia Plath

Mantendo a poética particular da autora o solo explora, para além do feminino, as vicissitudes de todo e qualquer ser humano a partir, ora de fragmentos biográficos, ora da potência que sua obra desdobra. Para a diretora Vanessa Bruno a intenção é colocar em cena a profundidade da vida e da obra de uma importante mulher, tendo como eixo fundamental das encenações o trabalho da atriz. “Me interessa o testemunho da atriz através das palavras de Plath, explica ela.

A montagem integrou o projeto Escritoras na Boca de Cena, do Sesc Consolação, que destaca a presença da literatura feminina no palco, reunindo espetáculos de artes cênicas baseados na obra e na vida de grandes escritoras nacionais e internacionais.

unnamed (1)

Foto Cezar Siqueira

Sylvia Plath

A partir da vida e obra do ícone da poesia confessional norte-americana, Sylvia Plath, PULSO foi construído das indagações da diretora Vanessa Bruno à atriz Elisa Volpatto, que respondeu cenicamente. Valendo-se de materiais como as biografias A Mulher Calada, de Janet Malcolm e Ísis Americana – A vida e a arte de Sylvia Plath, de Carl Rollyson, Os Diários de Sylvia Plath, organizado por Karen V. Kukil e também o mais importante livro de poemas de Sylvia, Ariel, a atriz organizou a dramaturgia do espetáculo.

Para Vanessa Bruno, a montagem não se pretende linear, mas, fragmentada, com lógica própria. “A linguagem cênica contemporânea articula-se com literatura poética da vida e obra de Sylvia Plath para a construção de um trabalho intimista, recortado. Buscamos uma cena confessional e que tenha poesia”, conta ela. Já Elisa Volpatto explica que o espetáculo busca questionar, por meio do material artístico criado a partir de Sylvia, o próprio papel da artista feminina atualmente.

Café, ovo e bebida alcoólica

A ideia de levar Sylvia Plath aos palcos partiu de uma vontade da atriz Elisa Volpatto de falar da criação artística dentro de um universo feminino. “Sylvia Plath tem uma forma de escrita única, que só existe devido à influência do ambiente que a circunda. Imagine uma mulher tentando ser poeta na década de 50, quando o comum era ficar em casa cuidando dos filhos”, diz a atriz. Para a direção, Elisa chegou em Vanessa Bruno por conta de sua pesquisa de deslocamento da literatura para o palco – Vanessa já dirigiu dois espetáculos com textos de Clarice Lispector.

PULSO escolhe como situação cênica o último dia de vida da poetisa Sylvia Plath para revelar, em tom confessional – característica determinante da literatura da autora –, memórias e devaneios dos momentos de sua vida.

O cenário é composto por um fogão e uma cadeira, que delimitam o espaço de jogo da atriz. Objetos caseiros como xícaras, pratos, panos e copos compõem um ambiente familiar, encarcerando a personagem. Um clima sensorial é criado quando cheiros – de café, ovo quebrado e bebida alcoólica – invadem o ambiente intensificando a relação da atriz com o material artístico criado. A interferência de vídeo e trilha sonora também contribui para a construção de uma atmosfera onírica.

unnamed (3)

Foto Bob Sousa

Sobre Vulcão [criação e pesquisa cênica]

Surgido da união de artistas autônomos com desejo comum de concretizar suas pesquisas artísticas e criações autorais, Vulcão [criação e pesquisa cênica] desenvolve projetos de investigação teatral que explorem a condição humana. O trabalho realizado permeia um viés sensível e potente esteticamente, criando o teatro como uma experiência de alteridade deflagrada a partir das fragilidades humanas. Em um de seus primeiros trabalhos – PULSOpropõem interagir com uma grande mulher do século XX, em busca de diálogos possíveis entre o agora e parte da história das aspirações femininas. Esse diálogo, neste projeto, se faz entre o Teatro e a Literatura, campos por natureza do sensível na exploração do humano. O coletivo, que é formado pelos artistas Vanessa Bruno, Lívia Vilela, Elisa Volpatto, Rita Grillo e Paulo Salvetti, deseja aproximar diferentes linguagens, unir dança ao teatro, literatura e vídeo e vê como motor catalizador – principal e determinante – o trabalho do intérprete.

Elisa Volpatto – atriz gaúcha, bacharel em Artes Cênicas, residente em São Paulo desde 2010. Protagonizou a série Mulher de Fases na HBO em 2011, e um ano antes recebeu o prêmio Kikito de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado pelo curta “Um Animal Menor”. Atuou em duas peças no Club Noir, ambas dirigidas por Juliana Galdino.

Vanessa Bruno – desde 2004 colabora no Centro de Pesquisa Teatral – CPT dirigido por Antunes Filho, onde esteve como atriz em “A Pedra do Reino”, “Prét-à-porter 9” e na condução de aulas no CPTzinho. Dirigiu “O Ovo e a Galinha” (2010) e “Brincar de Pensar”(2013) ambos com a literatura de Clarice Lispector.

★★★

PULSO

FICHA TÉCNICA
Proposição e Interpretação – Elisa Volpatto.
Direção – Vanessa Bruno.
Preparação Corporal e Assistência de Direção – Livia Vilela.
Iluminação – Maurício Shirakawa.
Trilha Sonora – Edson Secco.
Laboratório de Criação de Figurino – Carolina Sudati.
Identidade Visual – Marcelo Bilibio.
Visagismo – Britney.
Fotos – Betânia Dutra e Cezar Siqueira.
Teaser – Gabriela Ramos.
Produção – Paulo Salvetti.
Realização – Vulcão [criação e pesquisa cênica].
Apoio – Casa das Caldeiras.
Duração – 50 minutos.
Recomendado para maiores de 14 anos.

SERVIÇO

Temporada – Terças-feiras, 21h,
R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (+60 anos, estudantes e servidor de escola pública com comprovante)
Em cartaz até 29/08.

Viga Espaço Cênico – Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros. Próximo ao metrô Sumaré.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s