Regina Azevedo: o sertão sou eu

o sertão sou eu

capim seco
corta pele
atinge carne
longe gado cai,
gado só fica em pé com água
vovó quase não conhece
terra molhada
sandália minha brilha,
pé de solas avermelhadas
desci do salto
passeio na estrada do tempo
corpo tem necessidade
de estar perto da alma
corpo quer morar em casa
corpo precisa adormecer
ouvindo sua voz
canto do galo celebra milharal
água chegando na caixa
paredes ficam frias
afundo surda em colcha de pano
cada retalho tecido pela desistência
de um bicho
afogo muda em cílio de pavão
pés repousam na rede
chaleira geme
capim santo
alma despida de cidade
dor se despede
deixa corpo aos poucos
chove

regina azevedo

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