Claudio Willer lança ‘A verdadeira história do século 20’ na Casa das Rosas

Claudio Willer

Claudio Willer

Poeta, ensaísta, tradutor e crítico literário, Claudio Willer lança, pela editora Córrego, a edição brasileira de A verdadeira história do século 20. O lançamento será no dia 16 de setembro, sexta feira, na Casa das Rosas, a partir das 19h00. A edição brasileira conta com mais páginas e mais poemas e um posfácio do professor e escritor Wilson Alves-Bezerra.

Um dos principais poetas da geração dos Novíssimos, lançada pelo editor Massao Ohno (1936-2010), Willer foi um dos introdutores da poesia beat no Brasil e um contumaz praticamente do surrealismo. Autor de obras literárias comoAnotações para um apocalipse (1964), Jardins da Provocação (1976), Dias Circulares (1981), Volta (1996) e Estranhas Experiências (2004), seus textos dialogam com Artaud, Breton, Ginsberg, Helder e Lautréamont, entre outros. Sua obra foi traduzida para o espanhol e o alemão. O alcance de sua poesia pode ser visto no Dictionnaire général du Surréalisme et de ses environs (1982), onde figura como verbete; no filme Uma outra cidade (Dir. Ugo Giorgetti, 2000) e o livro-reportagem Os dentes da memória (Azougue, 2010).

Leia abaixo uma entrevista com Claudio Willer

Capa com desenho de Maninha Cavalcante.

Capa com desenho de Maninha Cavalcante.

Qual foi a verdadeira história do século XX para Claudio Willer? Conte-nos um pouco da trajetória do livro e da sua profunda participação na literatura nacional.

O título é irônico, evidentemente. Livro curto, com 50 páginas, e o século 20 foi imenso. Além disso, alguns dos poemas remetem a acontecimentos – um sonho, um encontro, um filme a que assisti – ocorridos neste século 21. Acho que tem relação com memória. Não aquela mais factual, pois não se trata de relato autobiográfico, mas em um plano mais íntimo – ou mais subjetivo – ou mais profundo. As memórias que aparecem como imagens em um sonho.

Um dos principais poetas da geração dos Novíssimos, lançada pelo editor Massao Ohno (1936-2010), você foi um dos introdutores da poesia beat no Brasil. Como foi o seu primeiro contato nos textos do grupo literário norte-americano?

Meus primeiros Kerouac, On the Road e The Dharma Bums (Vagabundos iluminados), li em 1960 e gostei. Beat já era assunto, interessava, inclusive como expressão da rebelião, do inconformismo. Mas foi decisivo Piva conseguir fazerem vir as edições da City Lights e New Directions – Ginsberg, Corso, Ferlinghetti, Lamantia etc – em 1961. Mergulhamos naquilo. Comento em meu livro Geração Beat (L&PM Pocket, 2009).

Na literatura, você já passou por vários segmentos: poesia, ensaio, tradução e crítica. Onde estes segmentos se cruzam e se ajudam? Em qual deles Cláudio Willer está mais à vontade?

Em tradução eu sou seletivo. Uma ou outra coisa – e dependeu muito de circunstâncias, de me convidarem. Criação poética original tem relação direta com tradução: criar também é traduzir, já escrevi a respeito. Quanto a ensaios e artigos, é uma compulsão. Ler me inspira para ensaios – e para poesia também, evidentemente. Mas eu quero publicar mais ensaios. E penso em publicar algumas crônicas, ou misturas de crônica e prosa poética.

E as poesias deste século? Você tem acompanhado a produção de poetas nacionais e internacionais. Poderia citar alguns?

Sim. Já escrevi sobre muitos bons poetas contemporâneos brasileiros. Tantos, ou em número suficiente, para preferir não citar nomes. Com a maior facilidade de publicação e divulgação, há mais chances de suas obras serem divulgadas.

Há na sua obra algum livro, capítulo, parágrafo ou simples frase, em especial, a que a crítica, na sua opinião, não soube dar a devida importância? Qual?

Já tenho o que pode ser chamado de “fortuna crítica” ou “bibliografia passiva”. Poesia, ensaios e traduções já foram examinados em ensaios, resenhas e até tópicos de histórias da literatura. Os que ganharam mais menções e elogios foram os dois ensaios tratando dos beats: Geração Beat (L&PM, 2009) e Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico (L&PM, 2014). É evidente que a crítica acrescenta e pode mostrar o que não vimos – se não o fizesse, eu não teria transformado um artigo do Wilson Alves-Bezerra sobre A verdadeira história do século 20, publicado em jornal, em posfácio deste meu novo livro. Lembro, por exemplo, de uma palestra de Fabrício Clemente – autor de Estilhaços da visão: poesia e poética em Roberto Piva e Claudio Willer – em que ele mostrou haver metros ocultos em poemas meus, não obstante serem em forma aberta. Com certeza, há mais a ser dito.

São 75 anos e mais de 50 anos na literatura. O que o Willer de hoje falaria para o Willer do começo da produção poética?

Que eu deveria ter acreditado mais no que escrevia. Que poderia ter traduzido meu entusiasmo em mais poemas. À distância, algo parece melhor do que há 50 anos.

Atualmente, o Brasil está atravessando um turbilhão político. A poesia encontra fôlego, de algum modo, neste momento histórico?

Turbilhão político não vem de hoje. Para mim, já estava claro que ia dar nisso, desde o começo de 2015. Resta ver aonde vai dar, o que mais nos espera, além desta pesada crise econômica. Mas isso não interferiu na circulação de poesia.

Claudio, como o próprio nome do site (Livre Opinião – Ideias em Debate) pode sugerir, deixamos este final da entrevista como um espaço livre para o artista desabafar, criticar ou colocar em debate uma ideia. Você tem algo a dizer?

Muito. Demais. Vamos deixar para a minha próxima visita a São Carlos.

★★★

unnamed (1)

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s