Poeta em Queda: ‘Ao Som de Ratos’

Ilustração: Pedro Alberto Ribeiro

Ilustração: Pedro Alberto Ribeiro

Ao Som de Ratos

Pela primeira vez a violência
dos violinos se contorceu no ar,

e suas melodias rapidamente se perderam
no crepúsculo dos deuses,
nas noites intermináveis que habitavam
a crosta das folhas.

Cansados de música, os animais
fecharam em silêncio o seu pelo,
em silêncio refinaram os seus ovos,
em silêncio forjaram as ferramentas
de caça.

Pela primeira vez as flautas
fluíram mais forte do que as cordas

e os ratos
antes escondidos em seus rotos esconderijos
dançaram a fraqueza dos leões
ritualizaram as cores das zebras
riram da simples complexidade dos primatas.

Em algum lugar a violência dos violinos
se contorceu no ar pela primeira vez,
em algum lugar neste hoje,
em alguma hora neste agora,
em algum ser neste grande estar.

Dizem que os sons dos acordes se rompendo
causaram enjoo nas bestas mais perigosas,
mas os ratos

os ratos ainda dançam.

POETA EM QUEDA

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