Museu Nacional recebe mostra de arte e tecnologia da Coleção Itaú Cultural

O instituto leva para o Distrito Federal 10 das 15 obras de sua coleção, reconhecida como uma das pioneiras na América Latina; a obra recém adquirida pelo acervo Desertesejo, do paulista Gilbertto Prado, suporta a interação de até 50 participantes em um ambiente virtual e é a novidade nesta itinerância, que já passou por seis capitais brasileiras

 

 itau-cultural

Instalação, interação e arte. De 14 de setembro a 4 de novembro, o Museu Nacional do Conjunto Cultural da República (MuN) recebe a exposição Arte Cibernética – Coleção Itaú Cultural, que representa o conceito de arte cibernética deste conjunto considerado um dos pioneiros na América Latina. Com organização do Núcleo de Inovação e Artes Visuais do instituto, ao todo, são exibidas 10 das 15 obras extraídas do acervo iniciado em 1997, incluindo o projeto artístico recém-adquirido pelo Itaú Cultural, Desertesejo, produzida em 2014 pelo artista multimídia Gilbertto Prado.

No dia anterior à abertura para o público, 13 de setembro, a partir das 18h30, o artista, ao lado de Wagner Barja, diretor do Museu Nacional, Marcos Cuzziol, gerente de Inovação e Tecnologia do Itaú Cultural, e Suzete Venturelli, artista computacional, mestre em Histoire de l’Art et Archeologie na Université Montpellier III – Paul Valery (França) e professora da Universidade de Brasília, recebem o público para o Encontro Arte Cibernética, um bate-papo promovido pelo Itaú Cultural e o museu para debater o conceito de obras que envolvem arte e tecnologia presentes no acervo desta exposição.

Arte Cibernética – Coleção Itaú Cultural já foi exibida em seis capitais brasileiras – tendo passado, desde 2010, por Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, João Pessoa, Recife e Curitiba. No Distrito Federal, a exposição se expande pelo andar principal do Museu Nacional. As obras de arte e tecnologia envolvem o público com a possibilidade de interação em todos os 10 trabalhos: OP_ERA: Sonic Dimension (2005), de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat; Life Writer (2005), de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau;PixFlow #2 (2007), do coletivo belga LAb[au]; Les Pissenlits (2006), de Edmond Couchot e Michel Bret; Reflexão #3 (2005), de Raquel Kogan; Descendo a Escada (2002), de Regina Silveira; Fala (2011), de Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti; Text Rain (1999), de Camille Utterback e Romy Achituv; Ultra-Nature (2008), de Miguel Chevalier, além da nova Desertesejo (2014), de Gilbertto Prado.

“Arte e tecnologia é o termo usado para descrever a arte relacionada com tecnologias surgidas a partir da segunda metade do século XX”, define Marcos Cuzziol. “Já o conceito de arte cibernética exige a interação constante entre observador e obra, ou mesmo entre partes diferentes da própria obra, para que o trabalho aconteça. Ambos, observador e obra, são interatores”, completa.

Incorporada à coleção do Itaú Cultural recentemente e exibida pela primeira vez como parte do acervo do instituto, Desertesejo de Gilbertto Prado apresenta bem o conceito cibernético para o observador. O projeto é um ambiente virtual que permite a interação simultânea de até 50 pessoas. Como um game, a obra explora poeticamente a extensão geográfica, rupturas temporais, e sentimentos e sensações como a solidão, a reinvenção constante e situações de encontro e partilha. Esta obra foi desenvolvida em 2000, selecionada no programa Rumos Novas Mídias do Itaú Cultural, e atualizada em 2014, quando integrou a mostraSingularidades/Anotações – Rumos Artes Visuais 1998-2013, realizada naquele ano na sede do instituto, em São Paulo.

Os visitantes ainda experimentarão mais sensações proporcionadas pelos trabalhos da exposição. Por exemplo, nas cordas que vibram com frequências de luz e de som e variam de acordo com a posição relativa e o modo de interação do observador deOP_ERA: Sonic Dimension, das artistas Daniela Kutschat e Rejane Cantoni. No projeto Life Writer, de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, o espectador datilografa um texto nas teclas de uma antiga máquina de escrever e as letras se transformam em criaturas artificiais que parecem flutuar na tela do papel.

O trabalho PixFlow #2, do coletivo belga LAb[au], provoca uma interação mútua que se desenrola no campo vetorial em que partículas fluem conforme a evolução da densidade e resulta em comportamentos imprevisíveis das mesmas. Já a obraLes Pissenlits, de Edmond Couchot e Michel Bret, depende da força e duração do sopro do espectador para determinar os movimentos das sementes de um dente-de-leão, que realizam trajetórias complexas e diferentes. Esta obra teve uma primeira versão realizada pelos artistas em 1988, o que a tornou um clássico e influenciou artistas do mundo inteiro. A edição pertencente à coleção Itaú Cultural e em exibição é de 2006, desenvolvida em conformidade com a original.

Em Reflexão #3, de Raquel Kogan, o visitante regula a rapidez do movimento de centenas de números projetados sobre a parede de uma sala escura, refletidos sobre um espelho d’água rente ao chão. Criando um efeito inusitado, eles nunca se repetem e criam a sensação de subir de um espelho a outro. Percepção semelhante é experimentada em Descendo a Escada, de Regina Silveira, que utiliza a projeção sincronizada de três aparelhos sobre um espaço formado pelo chão e o ângulo de duas paredes gerando umcontinuum virtual dinâmico.

A interação se encontra, ainda, em Text Rain, de Camille Utterback e Romy Achituv. Nesta instalação, a projeção do corpo dos participantes em uma parede é animada com uma chuva de letras que, por sua vez, respondem a movimentos corporais. Como em um game, se um participante acumular letras o bastante sobre a projeção de seus braços estendidos ou da silhueta de qualquer outro objeto, poderá ver uma palavra inteira ou até mesmo uma frase sendo formada, com letras em queda aleatoriamente.

Os visitantes se surpreenderão também com o jardim virtual gigante Ultra-Nature, de Miguel Chevalier. Projetado em paredes de, em média, nove metros de comprimento, seis tipos diferentes de plantas digitais luminosas são influenciados a crescerem por dois sensores de movimento. A vegetação deriva de flores amarelas brilhantes, com hastes turquesa, até cactos sombreados nas cores vermelho e violeta. Assim, o estímulo dos observadores faz com que as plantas se inclinem para os lados, criando cenas que vão da ornamentação barroca a um tipo de balé orgânico.

Finalmente, em Fala, da dupla Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, o público se depara com uma máquina movida pela voz desenhada para estabelecer comunicação e sincronização automáticas entre humanos e máquinas, e entre máquinas e máquinas, movido por uma espécie de coro do microfone de 40 aparelhos celulares. O resultado é um efeito audiovisual com um significado semântico similar ao som captado, ou seja, o visitante fala e pequenas telas exibem uma palavra idêntica ou semelhante ao da palavra escutada, possibilitando algo como um diálogo.

A coleção

A relação entre tecnologia, cultura e arte é um dos objetos de interesse do Itaú Cultural, que também concebeu e produziu, por 10 anos, a Bienal Internacional de Arte e Tecnologia de São Paulo – Emoção Art.ficial, e mantém a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Tecnologia.

A formação de uma coleção específica sobre arte e tecnologia no instituto, deriva do avanço da aplicação de novas mídias e tecnologias nas artes visuais contemporâneas. Com a aquisição, em 1997, da obra Super-Herói, Night and Day, de Regina Silveira, a instituição deu início a esta coleção que hoje é composta de 15 obras, a maior do hemisfério sul.

Além dos dez trabalhos que fazem parte da exposição no Museu Nacional, em Brasília, o acervo contém: Super-Herói, Night and Day(1997), de Regina Silveira; [Op_Era] Haptic Interface (2004), de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat; O Arco-Iris no Ar Curvo(1986/2005), holografia de Julio Plaza e Moysés Baumstein; Sem título (2008), obra realizada pelo coletivo O Grivo; RAP3 – Robotic Action Painter, um robô pintor de quadros criado pelo português Leonel Moura.

 Os trabalhos Marca Registrada (1975), filme de Letícia Parente (com câmera de Jom Tob Azulay), Coletas (1998), filme em três parte de Brígida Baltar; “Memória” Cristaleira (2001), de Eder Santos, e a videoinstalação Contra Muro (2009), de Ana Holck, que já integraram esse acervo, foram incorporadas pela coleção de filmes e vídeos também do Itaú Cultural, devido às suas características.

 

SERVIÇO

Arte Cibernética – Coleção Itaú Cultural

Museu Nacional do Conjunto Cultural da República

Abertura: 13 de setembro, às 19h30, com coquetel para convidados

Visitação: 14 de setembro a 4 de novembro

De terça-feira a domingo, das 9h às 18h30

Entrada franca

Classificação indicativa: livre

Setor Cultural Sul, Lote 2, Esplanada dos Ministérios

Tel.: 61 3325-5220 / 3325-6410

museunacional@gmail.com

Encontro Arte Cibernética

Dia 13 de setembro (quarta-feira)

18h30

Entrada gratuita

80 vagas

Classificação indicativa: livre

Museu Nacional do Conjunto Cultural da República
Setor Cultural Sul, Lote 02, Esplanada dos Ministérios

Tel.: 61 3325-5220 / 3325-6410

museunacional@gmail.com

 

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