Sesc São Carlos apresenta ‘Cantata para um bastidor de utopias’ e ‘Workshop – O Ator Rapsodo’, da Cia. do Tijolo

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Traça a simbólica história de uma mulher que borda há quase 200 anos um manto nos bastidores de um velho teatro, enquanto um grupo de atores reunidos no palco discute sobre as possíveis razões que a fazem persistir em sua tarefa. A montagem toma como ponto de partida a vida de Mariana de Pineda Muñoz – originalmente adaptada para os palcos em 1925, por Federico Garcia Lorca -, uma heroína espanhola que se tornou símbolo da luta por direitos após ser executada em 1831 sob a acusação de ter bordado uma bandeira para os liberais. Espetáculo contemplado pelo PROAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo.

De Patativa a Garcia Lorca

A utilização da poesia, da música, do uso dos objetos, das pontes entre as chamadas culturas populares e eruditas como forma de discurso, nos impelem a acercarmo-nos de outro poeta, Federico Garcia Lorca, como fonte motriz e inspiradora desta nova etapa de caminhada. Em princípio, aproximar Lorca e Patativa pode parecer um pouco arbitrário, mas, ao iniciarmos esse exercício, percebemos que não é só a poesia como forma principal de expressão que nos leva de Patativa a Lorca. As proximidades são muitas: ambos são poetas fortemente arraigados a sua terra e transformaram suas vivências cotidianas, a linguagem de seu povo, seus mitos e metáforas em experiências humanas universais; ambos trafegavam com sua poesia entre o popular e o erudito. Patativa escreveu, além de poesia matuta, belíssimos sonetos, enquanto Lorca se utilizava do “romance”, forma popular de poesia bem semelhante ao cordel, sem se esquecer das influências ultraístas e surrealistas; ambos eram “cantadores” e “performáticos”, Lorca ao piano e Patativa na viola; ambos eram poetas engajados sem nunca terem se filiado a nenhum partido político; ambos perceberam a miséria em seu aspecto mais absurdo e a denunciaram. Carregavam em si o germe do inconformismo diante da opressão, um inconformismo que se expressava por todo o corpo de sua performance; ambos foram, cada um a seu tempo, ícones das lutas progressistas. Patativa chegou cantando ao séc. 21, Lorca teve menos sorte.

Outra questão que nos é cara é a desconstrução das fronteiras que separam o palco da plateia, o ator do espectador. A escolha destes dois poetas que bebem sofregamente da tradição oral, do cordel, do falar das feiras e dos bonecos da Andaluzia, mas que, por outro lado se utilizam também de recursos Parnasianos, Surrealistas, Vanguardistas, permite-nos manter em nosso trabalho o espaço do improviso como forma de pesquisa e como forma de resultado estético sem ficarmos reféns de caricaturas do teatro popular. Essas características possibilitam, dentro da construção de nosso espetáculo, que o ator possa ser dramaturgo de sua trajetória em cena, funcionando como um veículo que sutilmente convida o espectador a participar da cena, seja criticamente ou por identificação com a experiência encenada, seja concretamente, adentrando o espaço da encenação, brincando e subvertendo nosso jogo. Aos atores, músicos, iluminador, ao cenógrafo e ao figurinista, mais que encenar e representar, cabe criar a atmosfera necessária que indica ao espectador sua responsabilidade diante do desenrolar do espetáculo, e da vida.

Do Concerto à Cantata

A Cia. Do Tijolo é uma junção de músicos/atores, vindos de diversas escolas e tradições, da música erudita, passando pela música experimental e pela canção, até uma forte influência dos ritmos populares brasileiros. Por isso, nada mais esperado que nossos espetáculos, além da forte presença musical, se organizem segundo estruturas musicais. No título de nosso último espetáculo, a escolha do termo “Concerto” se fundamentava na ideia de sucessão de movimentos musicais, que se alternavam em tons maiores e menores, flores e espinhos. Estruturalmente a peça se organizava assim, mais do que calcada em um chão dramatúrgico convencional. Em nosso próximo trabalho, escolhemos continuar tendo como paradigma uma estrutura musical. “Cantata” se define como um poema lírico musicado, música construída para um poema. Primeiro o Concerto, agora a Cantata.

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Duração: 2h40min. Direção: Rogério Tarifa e Rodrigo Mercadante. Dramaturgia: Cia. do Tijolo.  Elenco: Fabiana Vasconcelos Barbosa, Dinho Lima Flor, Thaís Pimpão, Rodrigo Mercadante, Karen Menatti, Lílian de Lima, Jonathan Silva, Thiago França, Aloísio Oliver e Mauricio Damasceno.

Dia 24, sábado, às 19h.

Dia 25, domingo, às 18h.

Galpão. GRÁTIS. 14 anos

90 pessoas

Local: Sesc São Carlos – Avenida Comendador Alfredo Maffei, 700, 13560-649 São Carlos
★★★

Workshop

O Ator Rapsodo

Com Cia. do Tijolo

Atividade direcionada aos atores, universitários e estudantes de teatro e música da região, com o objetivo de proporcionar uma vivência criativa a partir do diálogo entre temas do cotidiano dos participantes e materiais provenientes do repertório cultural brasileiro. Depoimentos pessoais se amalgamam a contos, canções, poemas. Vivências pessoais são recriadas a partir de estímulos estéticos. Como pode um artista falar de si a partir de obras de outros autores e, por outro lado, fazer com que essas obras se reinventem a partir de suas vivências e experiências? Essa é a pergunta que pretendemos viver e reviver durante o encontro.

Dia 24, sábado, das 10h às 14h.

Sala de atividades corporais.

GRÁTIS. 20 vagas.

Inscrições antecipadas na Central de atendimento.

16 anos

 

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