3 poemas de Elizeu Braga

Elizeu Braga (Foto: Mario Miranda Filho)

Elizeu Braga (Foto: Mario Miranda Filho)

tudo que falo recebo de volta
toda luz e toda lama
o beijo derradeiro
um murro certeiro
cada um é a palavra que chama

a cidade não tem rima
mas tem muro
tem promessa de progresso
mas nenhuma de futuro
a cidade é perna aberta pra quem chega de outros mundos
a cidade obedece a moda da roda dos imundos
que só faz ela apodrecer
esconde o que de mais bonito tem
potência no agronegócio arrebentando com a terra
e com quem nela se mantém
cidade empresarial,
corta as árvores nativas, planta palmeira imperial
expulsa os indígenas, trata o pobre como marginal
até ai tudo bem, nada de novo no fronte
a situação aqui é exemplo pra Belo Monte
região norte, periferia do Brasil
a Amazônia do teu cartão postal já se destruiu
felizmente por aqui ainda existem guerreiros e guerreiras que lutam
e são tantos quantos os dançarinos de boi bumbar
balas lhes perseguem na floresta mas só viram pauta na imprensa popular
foi por isso que fiz essa toada pra poder na base da palavra
a força desses guerreiros evocar
e grita Corumbiara a resistência e a luta
guerra contra os latifundiários
noticia que os grandes meios de comunicação e o cacique do PMDB oculta
porque assim como um Marighela
uma professora do movimento camponês lutou
e assim como Chico Mendes uma bala em seu peito estourou
e gritam as comunidades na beira do Rio Madeira
que mantiveram sua fé e a tradição da cultura Beradeira
ficaram em suas casas quando veio a grande alagação
os outros prejuízos trazidos pela destruição
da irresponsabilidade de projetos que produzem lucros pra outra região
a cidade segue explorada, colonizada, anestesiada
mas sonha, sonha, sonha com seus filhos que virão
não aqueles que buscam dela a riqueza
mas aqueles que por ela lutarão

.
amor venha, olhe, vença
faça de mim sua morada
enquanto me livro de espadas,
balança, medo e sentença
vou me fazer de casa
deixar a porta encostada
nem se preocupa com a escada
a escama da fera enjaulada
que nessa altura já matei de fome
não me diga teu nome
nenhum numero de telefone
eu sei que você vai vir
se eu conseguir sem nenhum adereço
ser endereço de mim

★★★

elizeu-braga

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