Terça Tem Teatro apresenta peça do Teatro Oficina Uzyona Uzona sobre questionamentos atuais e a situação política do país

O grupo apresenta Para Dar um Fim no Juízo de Deus, inspirada em peça radiofônica de Antonin Artaud; com direção de José Celso Martinez Corrêa, a obra coloca em pauta o juízo final e questiona as atitudes adotadas automaticamente no cotidiano e os valores impostos pela sociedade que impedem viver com plenitude

 

Foto: Gabi Cerqueira

Foto: Gabi Cerqueira

No dia 04 de outubro, às 20h, o Teatro Oficina Uzyna Uzona leva ao palco da sala Itaú Cultural Para Dar um Fim no Juízo de Deus, dentro da programação Terça tem Teatro do instituto. Com direção de José Celso Martinez Corrêa, a peça é inspirada em texto do francês Antonin Artaud (1896-1948), escrita um ano antes de sua morte. Passadas quase sete décadas, traz questionamentos ainda atuais. O dramaturgo brasileiro adequou o roteiro ao momento politicamente conturbado vivido nos pais e enfatiza as críticas aos valores contemporâneos pré-estabelecidos e automatizados no cotidiano.

A obra de Artaud, censurada em sua época, foi apresentada pela primeira vez no Brasil em 1996, pelo próprio Oficina, em homenagem ao centenário de nascimento do autor. Em 2015 o grupo a remontou e com ela percorreu o país. A composição é praticamente fiel ao texto original, com alguns elementos e cenas extras em referência direta à crise política brasileira e aos detentores do poder na sociedade. No conjunto, estimula a reflexão dos espectadores sobre o mundo contemporâneo, a ausência de autocrítica e a postura comumente comodista.

Os atores estimulam reflexões que vão além do enfrentamento político, reproduzido por elementos como máscaras de parlamentares e juízes e em críticas à mídia, instigando o público a viver experiências físicas – uma ação bem ao estilo do dramaturgo francês, incorporada pelo grupo, para quem não há nenhuma distância entre ator e plateia, sendo todos parte do processo levado o palco. O objetivo do grupo é questionar o que já está estabelecido na sociedade e impede as pessoas de viverem plenamente, sempre à mercê de julgamentos determinados como o certo e o errado.

O que é a consciência? O que é o infinito? O que é crueldade? Deus é um ser? Essas são questões também colocadas em cena pelos atores, que representam em sua pele diversas faces de Artaud, indo além da encenação de seu pensamento. Para Dar um Fim no Juízo de Deus coloca em causa o juízo final e propõe a reconstrução da anatomia humana em um corpo sem órgãos, que não carrega vestígios da existência.

A censura ao texto original do dramaturgo Antonin Artaud, em sua época, quando o próprio diretor da Radiodifusão Francesa Vladimir Porchié impediu a sua encenação em um quadro do programa da rádio A Voz dos Poetas, é evocada pelo grupo. Eles iniciam a peça com canções para Iemanjá, rainha dos mares, já que a recusa à reprodução da peça radiofônica, foi no dia dela, 2 de fevereiro.

 

Foto: Gabi Cerqueira

Foto: Gabi Cerqueira

 

Sobre Teatro Oficina:

Fundada em 1958, a Companhia Teatro Oficina se profissionalizou nos anos 60 e obteve imenso sucesso nacional e internacional de crítica e de público. Em espetáculos como O Rei da Vela, Roda Viva e Gracias Señor, experimentou tirar o ator do palco e o público da cadeira. Foi censurada e exilada nos anos 70 pelo regime militar, reexistindo em Portugal na apresentação de espetáculos em fábricas, durante a Revolução dos Cravos, e realizando obras cinematográficas naquele país, em Moçambique, Inglaterra e França.

Com a abertura política aos poucos, a companhia foi retomando as atividades no Brasil. Em 1984, transformou-se em Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, misturando ao teatro, a música, artes visuais, vídeo, arquitetura e urbanismo em processos de co-criação entre artistas.  Sob a constante ameaça da especulação imobiliária, o Oficina foi tombado e desapropriado pelo Estado de São Paulo para a continuação de suas pesquisas cênicas, que incluíam a construção de um novo teatro.

Este teatro, projetado por Lina Bo Bardi e Edson Elito, mas ainda sem sua expansão pelo entorno, estreou com Ham-let de Shakespeare em 1993 com enorme repercussão, seguido de montagens que até hoje fazem parte do repertório da companhia como Bacantes, de Eurípedes e Os Sertões,  a partir do livro de Euclides da Cunha.

O Oficina constituiu-se como uma Companhia múltipla e singular frente às formações teatrais e demais companhias existentes hoje – não só pelo número de componentes e amplo repertório trabalhado, mas principalmente pela variedade de gerações presentes partilhando conhecimentos e processos de criação. Mais que um grupo, o Teat(r)o Oficina é um movimento que coloca em cena a arte e a cultura como infraestruturas da vida, potências fundamentais capazes de pensar e criar novos valores sociais, políticos, econômicos, ambientais, afetivos.

Ficha Técnica:

Direção: José Celso Martinez Corrêa e Teatro Oficina Uzyna Uzona

Conselheira Poeta: Catherine Hirsch

Músicos: Felipe Botelho, Carina Iglecias, Felipe Massumi e Ito Alves

Enfermeiros-atuadores: Cafira Zoé, Carila Matzembacher, Clarissa Moraes, Marília Gallmeister, Otto Barros, Pedro Felizes

Diretor de cena: Otto Barros

Direção de Arte, Figurino e Arquitetura Cênica: Carila Matzembacher, Marília Gallmeister e Clarissa Moraes

Adereço Iemanjá: Ricardo Costa

Camareira: Cida Melo Luz: Pedro Felizes, Luana Della Crist

Coreografia: Daniel Kairoz

Cinema ao vivo: Igor Marotti (diretor de fotografia, câmera) e Pedro Salim (corte de mesa, vídeo mapping)

Técnico de som: Rodox, Felipe Gatti

Sonoplastia: Gustavo Lemos e Thiago Liguori

Tradutora: Ana Hartmann

Operação de legendas: Cafira Zoé e Brenda Amaral

Produção Executiva: Anderson Puchetti

Produção: Ederson Barroso e Kael Studart

Núcleo de Comunicação Antropófaga | Assessoria de Imprensa: Brenda Amaral, Cafira Zoé e Camila Mota

Programação Visual: Igor Marotti

Fotos de divulgação: Jennifer Glass, Fernando Lima e Márcio Moraes

Elenco:

Marcelo Drummond

Sergio Siviero

Camila Mota

Zé Celso

Roderick Himeros

Sylvia Prado

Joana Medeiros

Nash Laila

Daniel Fagundes

Leon Oliveira

Foto: Gabi Cerqueira

Foto: Gabi Cerqueira

SERVIÇO

Pra Dar um Fim no Juízo de Deus

4 de outubro (terça-feira), às 20h

Direção de José Celso Martinez Corrêa e Teatro Oficina Uzyna Uzona

Elenco: Marcelo Drummond, Sergio Siviero, Camila Mota, Zé Celso, Roderick Himeros, Sylvia Prado, Joana Medeiros, Nash Laila, Daniel Fagundes e Leon Oliveira

Sala Itaú Cultural

Duração: 90 minutos

Classificação Indicativa: 18 anos

Capacidade: 254 lugares

Distribuição de ingressos: Meia hora antes do espetáculo

Entrada gratuita

Interpretação em Libras

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

R$ 10 pelo período de 12 horas.

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural: 3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

Acesso para deficientes físicos

Ar condicionado

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: 11. 2168-1776/1777

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