Ney Piacentini estreia solo com contos de Machado de Assis e Guimarães Rosa

Em O Espelho, obras homônimas, a abordagem de Machado conversa e, ao mesmo tempo, contrasta com texto humanamente genuíno de Guimarães.

© João Caldas

© João Caldas

O espetáculo Espelhos – estrelado por Ney Piacentini e dirigido por Vivien Buckupestreia no dia 20 de outubro (quinta-feira, às 20h) na Oficina Cultural Oswald de Andrade, com entrada franca.

A encenação reúne os contos O Espelho, de Machado de Assis (integrante dePapéis Avulsos, publicado pela primeira vez em 1882), e O Espelho, de Guimarães Rosa (publicado em 1962, integrando seu livro Primeiras Estórias).

A montagem é o resultado de pesquisas e experimentações cênicas, realizadas ao longo do ano de 2015, para apresentar na íntegra os dois contos, compondo um único trabalho teatral que explora as relações entre literatura e teatro.

Espelhos é um solo de 50 minutos com cenografia e desenho de luz de Marisa Bentivegna, figurino de Fábio Namatame, assistência de direção de Aline Meyer, criação de som de Miguel Caldas e direção de produção de Maurício Inafre.

No primeiro ato, Piacentini investe-se de Jacobina, personagem de Machado de Assis que conta a amigos uma misteriosa passagem de sua juventude na qual precisou enfrentar a solidão. Em seguida, o ator assume a personagem criada por Guimarães Rosa que parte em busca de sua essência. O trabalho propõe o diálogo entre a aguda percepção de Machado acerca da formação do sujeito brasileiro e a poética descoberta que Rosa nos oferece com sua inquieta personagem.

Espelhos é provocador: propõe uma reflexão sobre as relações entre imagem e subjetividade por meio do pensamento de dois escritores, referências fundamentais da literatura e da arte brasileira. Ney Piacentini afirma que a peça volta-se para o Brasil colocando em cena uma literatura de qualidade inquestionável. “Em minhas leituras da obra Machadiana, encontrei em O Espelho a forma literária com grandes possibilidades de encenação. Fui seduzido pela construção do texto, carregado de elementos da formação do caráter do sujeito brasileiro, vulnerável às influências externas”.

A diretora conta que o projeto nasceu com a obra de Machado de Assis, mas tanto ela como Ney percebia a necessidade de algo mais para compor a encenação. “Foi pesquisando críticas e estudos sobre o texto de Machado que chegamos ao conto homônimo de Guimarães Rosa, escrito 80 anos depois. Era o que faltava para completar o espetáculo: estávamos diante de dois momentos do Brasil, tão diferentes na forma quanto complementares para o que buscávamos”.

Vivien Buckup ainda explica que a justificativa para montar essas duas obras “é o desejo de trabalhar com autores nacionais e fazer da língua ‘brasileira’ o ponto de partida da encenação com tudo o que se configura como sua identidade – explorando origens, influências, formas, sonoridades e dizeres para narrar e registrar histórias e tradições”.

Por não se tratarem de textos dramatúrgicos propriamente ditos, o empenho maior foi em sublinhar o caráter narrativo dos contos e permitir que a força literária de cada um encontrasse seu equivalente em teatralidade. A encenação confere ao espectador a oportunidade de entrar em contato com a lucidez e a sutileza das palavras de dois grandes intérpretes da cultura brasileira, tanto do ponto de vista estético quanto histórico. “Da mesma forma com que as palavras de Machado de Assis e Guimarães Rosa nos transformaram ao longo do processo de montagem de Espelhos, esperamos que os espectadores sejam tocados pelo pensamento desses dois grandes autores e suas obras singulares”, finaliza Ney Piacentini.

Por Dante Moreira Leite e José Miguel Wisnik

Segundo o cientista social Dante Moreira Leite, em O Espelho de Guimarães Rosa, “ao contrário do que ocorre no conto de Machado de Assis, a exteriorização perde qualquer significado, e o herói-narrador procura devassar a sua intimidade, em busca de elementos fundamentais”.

Pela ótica do ensaísta e professor José Miguel Wisnik, que analisou as duas criações, “(…) Se em ambos os contos o imaginário, entendido como o jogo de imagens através do qual se constitui a função do eu, sofre o impacto de um real que o desarma, cada um deles leva a mesma síndrome a consequências distintas, senão opostas, no percurso simbólico da sua narratividade”.

© João Caldas

© João Caldas

Ficha técnica

Textos: Machado de Assis e Guimarães Rosa

Interpretação: Ney Piacentini

Direção: Vivien Buckup

Assistência de direção: Aline Meyer

Figurino: Fábio Namatame

Cenário e iluminação: Marisa Bentivegna.

Preparação vocal: Mônica Montenegro

Criação de som: Miguel Caldas

Direção de produção e administração: Maurício Inafre

Programação visual: Regilson Feliciano

Fotografia: João Caldas

Assessoria de imprensa: Eliane Verbena

Apoio: Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo.

Serviço

Espetáculo: Espelhos

Estreia: 20 de outubro. Quinta-feira, às 20h

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Sala 7)

Rua Três Rios, 363 ­ Bom Retiro/SP. Tel: (11) 3221­5558

Temporada: quintas e sextas (às 20h) e sábados (às 18h) – Até 19/11

Ingressos: Grátis (devem ser retirados 2h antes das sessões)

Duração: 50 min. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos

Capacidade: 45 lugares. Não possui acessibilidade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s