A origem, processo criativo e bastidores do filme ‘Persona’, de Bergman, são revelados em mostra inédita no Itaú Cultural

Em parceria com a 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e a Fundação Bergmancenter, o instituto apresenta Por trás da máscara – 50 anos de Persona, exposição que mergulha na criação, realização e resultado desta que é uma das obras mais densas e emblemáticas do diretor sueco e ainda terá exibição única em cópia restaurada em DCP, seguida de debate

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Os bastidores e o processo criativo de Persona (1966), filme emblemático do diretor sueco Ingmar Bergman (1918-2007), podem ser desvendados de 15 de outubro a 6 de novembro na sala Multiúso, no Itaú Cultural.  A exposição Por trás da máscara – 50 anos de Persona sai pela primeira vez do Bergmancenter, fundação sueca que promove a obra do cineasta na ilha de Fårö, onde ele rodou alguns de seus filmes mais memoráveis e viveu por cerca de 40 anos, até sua morte. Em parceria também com a 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (MIC), o instituto homenageia, assim, o diretor e a obra que inspirou e segue inspirando profissionais do cinema e arrebatou públicos de todas as gerações.

Na exposição, o visitante tem acesso às notas dos cadernos de trabalho de Bergman, trechos do roteiro, fotos e vídeos de making of. Para complementar a homenagem, no dia 20 de outubro, às 19h, Persona tem exibição única na Sala Itaú Cultural da cópia restaurada em DCP. Após o filme, é realizado, ainda, um debate para falar sobre a obra e seu criador. A diretora da Fundação Bergmancenter, a brasileira Helen Beltrame-Linné, a cineasta Tata Amaral e o psicanalista Contardo Calligaris conversam sobre o assunto com o público com a mediação do jornalista Sergio Rizzo.

O cineasta é conhecido por suas obras densas construídas sobre temas relacionados à morte, tormentos sexuais, solidão e à busca por um sentido na vida. Com Persona Bergman foi longe em termos de liberdade criativa. O filme é um dos dramas mais complexos do diretor, que retrata de forma reflexiva as máscaras invisíveis que o ser humano carrega durante a vida. A personagem principal é Elisabet Vogler, uma atriz teatral de sucesso interpretada por Liv Ullmann, musa do diretor. A mulher para de falar repentinamente em meio a uma apresentação da tragédia Electra, de Sófocles.

Nenhuma explicação física ou neurológica é encontrada para sua crise e Elisabet é posta sob os cuidados da jovem enfermeira Alma, papel de Bibi Andersson. Com a convivência as duas se tornam cada vez mais próximas provocando uma espécie de simbiose de personalidades.

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A exposição

Por trás da máscara – 50 anos de Persona perpassa todas as etapas deste longa-metragem, desde a sua criação até o seu impacto no universo cinematográfico mundial. Logo no início o público encontra uma leitura de uma imagem marcante da obra, dos rostos de Elisabet e Alma fundidos. A fotografia de cada uma é projetada em tecido, sobrepondo os rostos das duas, como apresentado no filme.

A exposição é dividida em diversos painéis que apresentam o filme, seus elementos importantes, as influências de Bergman e a sua relação com Fårö. Um mapa da Ilha é exposto para situar os visitantes na Suécia e inseri-los no cotidiano de Bergman. Um painel com máscaras de teatro demonstra a relação entre as personagens de Persona, o filme, e da peça Electra, fazendo uma leitura do quanto o ser humano é capaz de se esconder de si mesmo.

O público é convidado, ainda, a se colocar na posição de Elisabet quando, ainda internada, vê pela televisão um monge budista se auto imolando. Em uma projeção da atriz em tamanho real, o visitante toma o seu lugar e vê o vídeo na mesma posição da personagem, aproximando o olhar do observador ao dela, como se este estivesse dentro do filme.

Uma réplica do diário de Bergman com anotações feitas durante o processo criativo de Persona, cópias de suas anotações nos roteiros e relatos em entrevistas e suas duas autobiografias trazem detalhes sobre a concepção e realização do filme. É exibido também o livro Um Herói de nosso Tempo, livro de Michail Liérmontov que aparece em uma cena inicial do filme em que um menino acorda rodeado de cadáveres em um hospital. Reproduções dos óculos usados por Bibi Andersson e a câmera da personagem de Liv Ullmann também fazem parte do material exibido. Cartazes da divulgação do longa-metragem em diversos países, fotos e vídeos dos bastidores e uma composição em frames, o icônico prólogo do filme são outras peças à mostra.

Em referência ao diretor, suas inspirações e legado, são apresentados filmes de outros cineastas que usaram o trabalho de Bergman como referência, como Woody Allen, David Lynch e David Fincher. Já ele teve como referência o dramaturgo sueco Johan August Strindberg (1849-1912), como se atesta em um painel especial.

Contardo Caligaris: Psicanalista, colunista da Folha, escritor e roteirista. Produtor e diretor geral da série PSI, da HBO. Foi chefe de sala do cineclube de seu colégio. E foi assim que descobriu Bergman.

Tata Amaral: É cineasta. Estreou como diretora de longa-metragem com Um Céu de Estrelas (1996), realizando em seguida Através da Janela (2000), Antonia, o Filme (2006), o premiado Hoje (2011) e recentemente lançou Trago Comigo (2016). Atualmente, finaliza a série documental A Mulher que Era o General da Casa e Sequestro Relâmpago, seu próximo longa-metragem.

Helen Beltrame-Linné: Advogada por formação e cinéfila por vocação, trabalhou anos com Felipe Hirsch e José Padilha, antes de assumir a direção da Fundação Bergmancenter em 2014. Mora atualmente na ilha de Faro, na Suécia, onde também dirige o festival Bergman Week.

Sergio Rizzo: Jornalista, professor e doutor em Meios e Processos Audiovisuais. Apresentador do canal de TV Arte 1, colaborador dos jornais O Globo, Valor Econômico e Folha de S. Paulo. Membro dos comitês de seleção do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e do projeto Ensaios Ignorantes, que combina ações de teatro e leitura.

Sobre Ingmar Bergman

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Ingmar Bergman nasceu em Uppsala, Suécia, em 14 de julho de 1918. Era o segundo filho de um pastor luterano, Erik Bergman, e de Karin Akerblom. Desde criança até a sua adolescência foi educado com base nos conceitos luteranos como pecado, confissão, castigo, perdão e misericórdia, que se refletiram em toda a sua obra. Ele passou a se interessar por teatro e, mais tarde, por cinema quando estudou na Universidade de Estocolmo. Iniciou a carreira em 1941, escrevendo a peça teatral Morte de Kasper. Em 1944, desenvolveu o primeiro argumento para o filme Hets. Um ano mais tarde, realizou o primeiro filme, Kris.

A partir de então, Bergman realizou cerca de 60 filmes de ficção e documentários, além de ter dirigido mais de 170 peças de teatro. Considerado por alguns críticos como o maior cineasta do século XX e cultuado até hoje, ele exorcizou sua infância traumática por meio de obras-primas do cinema que exploraram a ansiedade sexual, a solidão e a busca por um sentido na vida.

Filmes como Morangos Silvestres, Cenas de um Casamento e seu grande clássico Fanny e Alexander o elevaram à condição de um dos maiores mestres do cinema. Quando Persona saiu nos cinemas, em 1966, ele já era um cineasta consagrado. Havia lançado duas de suas maiores obras-primas, O Sétimo Selo (1957) e Morangos Silvestres (1957), acumulado duas indicações ao Oscar, três prêmios em Cannes e muitas outras honrarias.

Parceria com a MIC

O Itaú Unibanco é, desde 2012, parceiro da Mostra Internacional de Cinema (MIC). Como nas edições anteriores, parte das exibições da mostra será realizada em espaços mantidos pelo banco: o Espaço Itaú de Cinema, o Auditório Ibirapuera e o Itaú Cultural.

Dentro das atividades promovidas em torno da mostra, o Itaú Cultural – braço institucional do banco voltado para a pesquisa, mapeamento, incentivo, produção e difusão da cultura brasileira, em todas as suas áreas de expressão – apresenta Por Trás da Máscara – 50 Anos de Persona, exposição que comemora o cinquentenário de uma das obras mais relevantes do diretor sueco Ingmar Bergman (1918-2007). Pela primeira vez o conteúdo será exposto fora do Bergmancenter, na Suécia, onde foi inaugurado em maio.

O Auditório Ibirapuera, gerido pelo instituo desde 2011, por meio de edital público da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo sediará a abertura da MIC, no dia 19 de outubro, e também a cerimônia de encerramento, no dia 2 de novembro com a projeção de A General, de Buster Keaton e Clyde Bruckman, acompanhada da Orquestra Sinfônica de Heliópolis que executará a trilha sonora ao vivo.

SERVIÇO

Por Trás da máscara- 50 anos de Persona

De 15 de outubro a 6 de novembro

De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h

Sábado, domingo e feriado, das 11h às 20h

Sala Multiúso

Classificação indicativa: 14 anos

Entrada gratuita

Exibição do filme Persona

Seguido do debate Desvendando Persona

Com Contardo Caligaris, Tata Amaral, Helen Beltrame-Linné e Sergio Rizzo

20 de outubro (quinta-feira), 19h

Sala Itaú Cultural

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 2 horas antes do espetáculo

Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo

Classificação indicativa: 14 anos

Entrada gratuita

Intepretação em Libras

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho

R$ 10 pelo período de 12 horas.

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural: 3 horas: R$ 7;

4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

Acesso para deficientes físicos

Ar condicionado

Itaú Cultural

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